quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Revista Veja

Estou cansada de escutar críticas à Veja. Dizem que é uma revista parcial, que não é isenta.

Em primeiro lugar, precisamos acabar com o mito da isenção. Isso não ec-xiste. Para emitir uma opinião, qualquer pessoa (do jornalista das grandes empresas de comunicação ao vizinho que comenta o futebol, passando pelos sites da internet) faz julgamentos com base nos filtros culturais que recebeu, elaborou e escolheu ao longo da vida. Então é claro que não existe isenção absoluta em nenhum veículo de comunicação. Mas isso não impede que se possa ser criterioso e escolher os que são menos tendenciosos.

Ccomo saber isso? Observando os patrocinadores.

No caso da revista Veja, os assinantes, compradores em banca e os anunciantes. Quanto mais assinantes e vendas em banca tem uma revista, mais independente ela se torna dos anunciantes, que são os que podem tornar as matérias menos isentas, influenciando a escolha dos assuntos e a abordagem sobre eles. Veja é disparado a revista com o maior número de assinantes e vendas em banca no Brasil. Não tenho os números aqui, mas é coisa de mais de cinco vezes o segundo lugar.

De qualquer forma, só o número de assinantes e vendas em banca não sustenta veículo impresso algum. Então precisamos avaliar os anunciantes. Quanto mais plural é o leque dos anunciantes, com setores diferentes da indústria, do comércio e da prestação de serviços, mais independentes serão as matérias, mais liberdade tem a editoria para contratar jornalistas com visões diversificadas e maior é o conjunto de assuntos para pesquisarem.

Por isso, para quem busca isenção, a pior escolha possível são os veículos que recebem anúncios de poucos setores ou tem poucos anunciantes. Pior: de um único anunciante. E tanto pior se ele é o estado. Aí é que com certeza não haverá isenção. Qual é o veículo de comunicação que vai ficar escarafunchando e dificultando a vida de seu principal (ou único) anunciante? E é justamente aí, nas instituições que administram o dinheiro público, onde ocorrem as maiores maracutaias e onde mais há necessidade de investigação jornalística.

É por isso que, de todos os veículos de comunicação no Brasil, o que eu acredito que seja mais isento é a Veja. Tem o maior número de assinantes, a maior venda em banca e o maior leque de anunciantes (inclusive estatais) – anunciantes internacionais, nacionais e locais, tanto da indústria, do comércio como da prestação de serviços. Isso significa maior independência, pois a revista não precisa temer perder um anunciante porque falou mal de um setor ou fez alguma denúncia que poderia prejudicar alguma empresa. Bem diferente de outros veículos que alguns acreditam isentos, como a Carta Capital ou a Caros Amigos.

O exemplo máximo é o jornal Gramma. Aliás, os cubanos têm dado um excelente uso para ele, já que falta papel higiênico em Cuba. E não, não estou fazendo blague, ironia ou sendo mal-educada. É a realidade.

5 comentários:

Partido Alfa disse...

Devem estar com saudades do Pravda tambem.

Andre de P.Eduardo disse...
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Daniela • Brasileira Insone disse...

Caro Andre de P.Eduardo

Reescreva seu comentário tratando Serra com respeito que ele será mantido.

Nosso oponente é o PT.
Serra e Aécio estarão juntos.

PS: se tem uma coisa que me irrita é que subestimem minha inteligência.

Andre de P.Eduardo disse...
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Andre de P.Eduardo disse...
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