quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O PT reestatizando o que foi privatizado

Meu amigo Anônimo de Todo Dia, também comentarista do blog do Reinaldo, teceu em seu blog comentários sobre uma matéria da revista Exame desta quinzena que trata das relações da direção da Vale com Lula. As opiniões do meu amigo sobre o artigo são pertinentes e podem ser lidas aqui: http://oqueestamosfazendo.blogspot.com/2009/10/vale-e-do-pt.html

Reproduzo abaixo os trechos da matéria que o Anônimo resumiu em seu post:

"Poucos executivos tiveram mais motivos para se gabar de uma amizade estreita com o presidente Lula do que Roger Agnelli. Ao longo dos últimos anos, principalmente durante o segundo mandato de Lula, os dois alardearam camaradagem inúmeras vezes. Agnelli organizou reuniões para aproximar o empresariado do governo, de quem sempre foi um defensor. A crise mundial, porém, abalou o processo de expansão da Vale - e também os laços de amizade entre o presidente da república e Agnelli. Desde dezembro as broncas de Lula passaram a ser cada vez mais comuns. Nos últimos dois meses, o inconformismo do presidente chegou ao extremo - e ele decidiu tomar para si a prerrogativa de dizer onde, como e quando a Vale deve realizar seus investimentos. Lula declarou numa entrevista que o estado deve ter um papel indutor da economia e contou como persuadiu a Petrobrás a construir refinarias no nordeste. "A Vale entra nessa lógica minha", disse o presidente, num sinal evidente de que rpetende ter sobre a mineradora uma influência cada vez mais parecida com a que tem sobre as estatais. "Eu disse ao Roger que era pra gente ter começado a construir essas siderúrgicas no auge da crise", afirmou o presidente. Lula também se mostrou indignado com a compra que a Vale fez, na China, de 12 navios para o transporte de minério, um negócio de 1,6 bilhão de dólares. "Você vai comprar um pouco mais barato, mas está gerando emprego na China, reclamou Lula". Em sua defesa, a Vale argumenta que tentou fazer as encomendas no Brasil, mas não encontrou estaleiro capaz de atendê-las. Nos bastidores a movimentação do governo era ainda mais intensa. Em julho, o presidente pediu a ministros e auxiliares que estudassem o acordo de acionistas da Vale para tentar substituir Agnelli por alguém mais alinhado com o governo. A esses auxiliares Lula manifestou preferência pelo petista Sergio Rosa. Pelas regras do acordo de acionistas, para demovê-lo do cargo seria preciso conseguir, além do voto do fundo de pensão e do BNDES, o de um terceiro acionista. Nesse contexto, a oferda de 9 bilhões de reais feita em meados de agosto por Eike Batista pela participação da Bradespar na Vale caiu como uma luva para o jogo de nervos travado entre o governo e Agnelli. A amigos, Eike diz que conta com o apoio de Lula e da ministra Dilma. Para resistir a tanta pressão, Agnelli começou a pedir a políticos amigos que intercedessem a seu favor junto a Lula. Paralelamente, nos dias 14 e 15 de agosto, Agnelli e alguns de seus diretores ciceronearam o ministro da comunicação social, Franklin Martins, numa visita a operações e projetos sociais em Carajás. segundo a assessoria de imprensa de Martins, o ministro disse a agnelli que para acabar com o mal-estar bastava a empresa manter o compromisso de fazer, o mais rápido possível, as quatro usinas siderúrgicas prometidas ao presidente."

Matéria completa aqui.

4 comentários:

Anônimo de todo dia disse...

Os demais empresários pensam: "não sou dono da Vale, não tenho nada a ver com isso". É mais ou menos como os urbanos pensam em relação às invasões de propriedades rurais. E é nesse vácuo de reação que os bolivarianos avançam.

Yashá Gallazzi disse...

Oi, querida. Retribuo o abraço com o mesmo carinho e uma enorme admiração.

Me sinto muito honrado de ter "dividido" com você um post na home do blog do "Tio Rei". Nós, que o lemos sempre, sabemos o que isso significa.

Abraços.

Amilton Aquino disse...

Agora só falta Lula levantar a bandeira da reestatização da Vale. A pelegada vai adorar!

Fernando Sampaio disse...

É uma vergonha, querem reestatizar a Vale como fizeram com a Oi Brasil Telecom, e como o BNDES está fazendo com a Sadia-Perdigão e a JBS... Coisa de URSS...