quarta-feira, 24 de junho de 2009

Direita, esquerda: respondendo a um questionamento

Escrevo este post baseada em alguns comentários que recebi, e não só neste blog, depois do "episódio Marcelo Tas x patrulha".

Pessoas dizem que eu sou até uma pessoa bacana, que até tenho idéias interessantes etc. e tal, mas… absurdo dos absurdos que elas não conseguem entender: como é que posso ter a "coragem" de me posicionar assim tão claramente por um candidato, um partido ou uma ideologia?

Primeiro, não nego: sim, é coragem. E tem pouca gente que, concordando comigo, expõe-se a ponto de vestir uma camisa de peito aberto para receber o chumbo e os tomates que vierem. Parece que o Brasil, infelizmente, virou um país de gente amedrontada (vai ver isso é culpa das patrulhas, não é?) ou desanimada (e vai ver isso é culpa desse show bizarro de corrupção pelo qual o país passa nos últimos anos, não é?).

É claro que ninguém precisa concordar comigo. O que eu espero numa conversa é sinceridade e respeito – na concordância e na discordância –, jamais que as pessoas concordem comigo em tudo (aliás, nem eu concordo comigo em tudo o tempo todo, ué). Em algumas pessoas de pensamento muito discordante, posso até dar unfollow da minha vida – O QUE É MUITO DIFERENTE DE FAZER CAMPANHA DE UNFOLLOW CONTRA ELAS, para quem não entendeu ainda. Se há sinceridade e respeito, como é o caso do Tas, a civilidade e a democracia permitem a convivência. Só o que eu não admito é desrespeito e malandragem, como pessoas que, por interesses escusos, usam de sofismas para convencer os outros de coisas que nem elas mesmas acreditam. São como vendedores embusteiros de idéias. Estes a gente tem que identificar logo e dar unfollow mesmo. Melhor até: dar block. Mais: é preciso denunciá-los.

Ao contrário destas pessoas, ajo por convicção. Quem me acompanha há mais tempo, tanto aqui quanto principalmente no Orkut, conhece meus motivos até de cor e salteado. E são tantos que eu nem conseguiria escrever sobre todos hoje e num único post.

Então vou responder apenas a uma observação que recebi pelo Orkut:

"pena que [você] foi se bandear para a centro-direita"

À parte aquela concepção que abrange a idéia de que ser de direita é ser a favor de quem está no poder e ser de esquerda é ser contra quem está no poder, que eu acho paupérrima, falar sobre direita e esquerda é complicado e demorado. Primeiro porque são termos que variam de compreensão a depender do momento histórico e da região do globo. Direita e esquerda no Brasil é coisa totalmente distinta de direita e esquerda nos Estados Unidos, por exemplo.

Um engano enorme, entretanto, é situar o PSDB à direita. O PSDB foi formado por uma dissidência insatisfeita, já há tantos anos, de políticos do PMDB, partido que se originou do MDB, contraponto à Arena, do governo militar. E já aí se confundem as coisas: nem mesmo o governo militar no Brasil pode ser considerado como direita, se tomarmos o tamanho do estado como ponto de julgamento nesta separação. A ditadura brasileira, à diferença da chilena, foi de cunho extremamente estatizante, posicionamento que também caracteriza a nossa, digamos, “esquerda vermelha”.

Além disso, o partido tem como bandeiras o parlamentarismo e a social-democracia, com base no modelo da social-democracia européia – que é a esquerda possível em oposição ao liberalismo, depois da queda do Muro de Berlin e o fim da URSS, com o colapso dos modelos socialistas e comunistas no mundo.

Como esta discussão vai loooonge, sugiro para quem tiver interesse de entender melhor o assunto, que faça este quiz no site da Veja:

http://veja.abril.com.br/idade/testes/politicometro/politicometro.html

São questões bem legais para meditar. Principalmente para os jovens, que herdarão o país e que estão prestes a se tornarem a próxima geração que o carregará nas costas com seu trabalho. Responda o teste hoje, medite, converse com as pessoas, com os amigos, com a família. Leia sobre o assunto, medite de novo, faça o teste de novo daqui duas semanas. E daqui a um mês. Daqui a um ano. Se nós estamos construindo este país e somos coagidos a votar, precisamos afinal saber exatamente se o que pensamos está de acordo com o que pensa nosso candidato.

Aqui tem meu resultado com alguns comentários:

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=316707&tid=2599560313475349260&na=3&nst=31&nid=316707-2599560313475349260-2599747788783907314

E também já tivemos alguns debates interessantes sobre isso aqui:

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=316707&tid=2468996004904612620&na=1&nst=1


Adendo

Uma definição de direitista e esquerdista segundo Reinaldo Azevedo:

"Um direitista democrático é aquele para quem as noções particulares de justiça não autorizam o esbulho da lei. Um esquerdista acredita que a lei possa ser solapada em nome de um entendimento particularista do que seja justiça."

É preciso destacar que o único "esquerdista democrático" possível é o social-democrata. As demais esquerdas, como nos comprovam Cuba, Coréia do Norte e, agora também, Venezuela, são incompatíveis com a democracia.

É preciso meditar para saber se afinal a prioridade deve ser da "ordem" (todos obedecem às leis democraticamente estabelecidas) ou do "progresso" (é preciso a transgressão de algumas leis para avançar a respeito, por exemplo, de questões sociais. Mais especificamente: pode o MST invadir propriedade privada com base em suas reivindicações?). E quem é que vai decidir em que circunstância e que lei pode ou não ser rompida?

Para pensar.

3 comentários:

Anônimo de todo dia disse...

E coloquei um teste no meu blog para a pessoa descobrir se é de direita ou de esquerda. É bem simples:

- Se o seu sustento provem do seu próprio esforço (do seu trabalho), é de direita;

- Se o seu sustento provem do esforço do trabalho dos outros (que pagam impostos, pagam contribuição sindical, etc.), é de esquerda.

Aleste Crai disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernando Sampaio disse...

Você tem que se orgulhar mesmo de sas posições políticas, afinal condizem com liberdade e democracia.
Eu sinto falta é de um partido de direita de verdade no Brasil...
Abraço