quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Inimigos involuntários

Como dão mostras as atuais pesquisas de opinião, sabemos que 2010 não vai ser brinquedo. É por isso que me preocupam "dissidências" das hordas direitistas, que muito poderão fazer falta. O PSDB, claro, não colabora em nada para que as baixas na militância pelo Serra não ocorram, como pudemos acompanhar na recente eleição para a presidência do Senado.

Quase sempre os partidários do conservadorismo cultural e do liberalismo econômico me jogam na cara todo tipo de proximidade entre PSDB e PT. A começar com a eleição em Belo Horizonte, que igualmente em mim causa asco: não, esse não é um bom exemplo para a saúde da democracia brasileira. Democracia precisa de situação e oposição republicanas, não de arranjos artificiosos que suprimam o papel de uma e de outra.

Não tiro a razão de ninguém que seja avesso à ideologia socialista, comunista e congêneres, mas discorda do PSDB por seu perfil de esquerda light. Aliás, nem entro no debate com foralulistas que discordam em tudo ou quase tudo do PSDB. O que não concordo é em ficar de braços cruzados ou, pior, justificar voto, votar nulo ou em branco se o PT tem chances de continuar no poder com Dilma Rousseff. Primeiro ajudemos todos a tirar o PT da presidência. Depois a gente começa a fazer oposição ao PSDB. E, por mais "siameses" que PT e PSDB sejam, eu garanto (porque já vimos como foi) que fazer oposição ao PSDB é muito diferente de fazer oposição ao PT: ninguém ficará nos acusando de ser "elite-branca-burguesa-golpista"; ninguém fará cercos censórios à imprensa quando ela fizer críticas ao governo; ninguém fará uso de programas sociais para fins eleitoreiros – como Dona Ruth NÃO fez quando criou o bolsa escola. O máximo que vamos ouvir é que nosso barulho é um "nhe-nhe-nhém". E isso só para quem faz "nhe-nhe-nhém" esquerdopata e sindicalista, o que, creio, não é nosso caso.

Considero que quem não ajudar a tirar o PT da presidência porque não soube escolher e ver diferenças entre Serra e Dilma, depois não tem do que reclamar. Até Diogo Mainardi, em 2006, sugeriu que tampássemos o nariz, mas que votássemos em Alckmin.

Como já afirmei em outros textos, não tenho certeza se aqui no blog ou em posts do Orkut, penso que a oscilação de poder ideal se daria entre PSDB, social-democracia, e DEM, que se recusa a assumir formalmente o liberalismo econômico e o conservadorismo cultural, o que é uma pena. Não culpo simploriamente, entretanto, os partidos. A questão é o aparelhamento ideológico da imprensa, que rapidamente transformaria em vilão qualquer partido ou representante político que tivesse peito para abraçar as duas causas.

Ainda que os que vêem apenas semelhanças entre PSDB e PT estejam certos, a questão é estratégica. É evidente que não se pode estabelecer todas as verdades numa só tacada; não é possível desintoxicar o país da esquerdopatia num só passo. Muito menos, como algaraviam alguns, com uma ação militar – da qual absolutamente DISCORDO –, até porque as Forças Armadas hoje estão tomadas por "melancias" (verdes por fora e vermelhas por dentro).

É preciso ter uma estratégia progressiva para que os políticos de direita tenham espaço no debate democrático. Se entendo que a oscilação de poder e o debate ideais seriam entre PSDB e DEM, isso é um bom motivo para tirar o PT do poder – nem que seja substindo-o, por ora, pelo PSDB. Daí porque votar e militar por Serra deva ser a prioridade de todo direitista (ainda que o DEM lance candidato próprio, apoiaria o PSDB num segundo turno). Porque o PSDB não se comportaria, como não se comportou quando esteve no poder, com a imprensa da mesma forma que o PT se comporta. Porque o modelo de esquerda ao qual o PSDB (sem dúvida) pertence permite que o DEM seja tomado no debate como partícipe liberal economicamente e conservador culturalmente sem ser demonizado, sem ser transformado num vilão. E isso não é a mesma coisa que manter o PT no poder.

O PT, entrincheirado nos sindicatos, imprensa, institutos, igrejas, em toda parte, vai transformar o Brasil numa guerra antes de 2010 e depois, caso Serra seja eleito. Por isso, ainda que eu achasse que o PSDB não é um bom partido, ainda que eu não considerasse FHC o melhor presidente que tivemos desde o fim da ditadura, eu não deixaria de ter e de trabalhar por um lado nessa guerra: contra o PT.

9 comentários:

Anônimo de todo dia disse...

Excelente texto, e concordo com seus argumentos. A quesão que fica é - não poderia o PSDB também fazer uma forcinha para ajudar na nossa luta?

Adriano disse...

To chegando agora e quero entender a sua posição: Vc quer tirar o PT da Presidencia e depois fazer oposição ao PSDB?
Me conte seus plano spara o Brasil, por favor.

Anônimo de todo dia disse...

Adriano, a posição da Daniela me parece clara para quem tem um mínimo de massa cinzenta na cabeça. Nada pode ser pior que o PT. NADA. Então, nos unimos para derrotar o PT, depois discutimos as nossas discordâncias pontuais. Mais ou menos assim como as diversas correntes do PT que vivem em guerra permanente entre elas, mas nas eleições sempre estão unidas.

Anônimo de todo dia disse...

Adriano, mais um detalhe - a Daniela não é candidata a nada (o que é uma pena), portanto, ela não tem plano para o Brasil. Quem deve ter plano, e apresentar para a sociedade, são os candidatos.

FERROMODELISMO disse...

MENSAGEM AO REINALDO AZEVEDO:

BEM QUE O OLAVO DIZIA QUE A ONU OPERA PARA O TERRORISMO, CLARO, OS DONOS DELA SÃO OS DONOS DO COMUNISMO E OS FINANCIADORES DE TODAS AS GUERRAS PARA FICAREM COM TODO O DINHEIRO DAS NAÇÕES DESTRUÍDAS!

ESTÁ NA BÍBLIA, NAÇÕES SE VOLTARÃO CONTRA ISRAEL.

VIVA ISRAEL! GOSTARIA DE SER UM POLÍTICO PARA TER AS MESMAS PRÁTICAS JUDAICAS.

AMÉM!

CRISTIANO!

Adriano disse...
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Daniela • Brasileira Insone disse...

Adriano

Discordar de mim nos comentários é claro que pode. Mas espalhar mentiras por aqui, não mesmo! E falar mal dos outros comentaristas não é de bom tom.

Quanto a "meus planos para o Brasil", bem, basta ler este blog desde o começo. Por aí você tira a medida de como seria "o meu país".

E em relação à pergunta Vc quer tirar o PT da Presidencia e depois fazer oposição ao PSDB?

Isso é uma coisa que muita gente que vê a política como vê o futebol, como em geral a vêem os petistas, não entende. Meu partido, Adriano, é o Brasil – o Brasil como um todo, e não como um conjunto de interesses classistas ou partidários.

Mas tudo se explica quando você diz Nada pode ser pior do que o PT, talvez vc esteja certo, mas tambem nao vi nada melhor. Vale reforçar: você não viu nada melhor do que o PT. Bem, amigo, sinceramente?

Vá patrulhar o blog da sua mãezinha, ok?

Adriano disse...

Uau, me censurou nos comentários! Mui democrática!
Que mentiras eu espalhei?
Frequento blogs da extrema esquerda à extrema direita sempre tentando provocar um debate e constatei que os de centro para a direita, como o seu, são os únicos que não suportam uma opinião contrária. O curioso é a quantidade de anonimos. É muito estranho num debate tão importante como o político, pessoas se esconderem para mostrar suas opiniões.
O Brasil é o MEU partido!
Mas não vou mais importunar vcs que já têm a certeza de tudo. Vcs estão em boa companhia uns dos outros.

Ah, minha mãezinha manda lembranças.

Dick disse...

Gostei do texto, até porque eu já tinha lido um pouco desse debate na comunidade Fora Lula, no Orkut. A idéia é clara, e coerente.

O importante é que, tal como a Daniela disse, "eu não deixaria de ter e de trabalhar por um lado nessa guerra: contra o PT".

Basta ver o nível de chatice crônica dos esquerdistas que ficam "rondando" blogs alheios, comunidades alheias, enfim, para perceber que é preciso toda a união possível para que o PT deixe o poder, urgentemente.

O leitor "Anônimo de todo dia" está coberto de razão.