segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Serra presidente, Aécio vice



PSDB paulista articula chapa puro-sangue para 2010
Pela fórmula, José Serra seria candidato agora e Aécio Neves, em 2014

Carlos Marchi

A cúpula do PSDB em São Paulo tomou a decisão política de trabalhar por uma chapa puro-sangue para a Presidência em 2010 e começa conversas para convencer o governador Aécio Neves (Minas) a ser candidato a vice do governador de São Paulo, José Serra. A fórmula, que tem forte inspiração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - que chamou para si o papel de mediador da escolha -, estipula que, num eventual governo Serra, Aécio seria bem mais que um vice: assumiria um importante ministério da área social para ganhar densidade nacional.

A idéia não opera meramente com uma candidatura para 2010, informa qualificada fonte do partido, mas com um projeto de poder que pretende se expandir para, pelo menos, dois mandatos presidenciais. Aécio seria candidato a vice e, se a chapa puro-sangue vencesse, assumiria a Saúde ou a Educação, para comandar uma grande revolução na área. Seguiria, assim, a mesma receita que fez de Serra uma referência nacional, a partir de 1998, quando assumiu o Ministério da Saúde.

Assim, Aécio se transformaria em candidato natural à sucessão seguinte, numa reedição moderna da política do café-com-leite que vigorou no início do século 20. Para repetir a receita, o mineiro teria inserção especialíssima num futuro governo, sugerem tucanos paulistas. Ele participaria das grandes decisões e se tornaria candidato natural à sucessão.

Para garantir o acordo, Serra e o PSDB patrocinariam a extinção da reeleição a partir do candidato eleito em 2010, o que seria votado pelo Congresso em 2009, aparentemente sem dificuldades, já que o PT também apoiaria a mudança.

Por enquanto, Aécio resiste à idéia da chapa puro-sangue, argumentando que uma sadia disputa interna ajudaria a mobilizar o partido nacionalmente. Ele insiste em que o PSDB, antes de buscar um candidato, deve definir um projeto para o País. Quando ouve o argumento de que ainda não tem a mesma densidade eleitoral de Serra, admite - como esta semana - que nunca disputou uma eleição nacional, mas mesmo assim já consegue índices animadores nas pesquisas eleitorais.

LEGITIMIDADE

Os serristas falam com extrema cautela da negociação; eles reconhecem, desde já, o "direito" de Aécio postular a candidatura. A expressão que mais usam é que a pré-candidatura de Aécio "é legítima". Em São Paulo, ninguém acredita, no entanto, que os interesses cruzados possam redundar em conflito político.

Uma das garantias de paz, qualquer que seja a fórmula para definir o candidato em 2010, é o papel de FHC - a única pessoa capaz de falar a Serra e Aécio com eqüidistância.

Os tucanos paulistas, porém, estão mesmo de olho é no possível resultado eleitoral de uma chapa puro-sangue. Eles acham que Minas precisa aderir ao projeto para evitar o descompasso que ocorreu em 2002 e 2006. No primeiro turno de 2002, Aécio teve 58% dos votos para governador e Serra, 23% para presidente; em 2006, no primeiro turno, Aécio teve 77% na reeleição e Geraldo Alckmin, 40% para presidente. O cuidado dos tucanos tem outro viés: uma chapa puro-sangue uniria dois Estados que representam 43 milhões dos 130 milhões de eleitores do País.

Aécio, pelo que se sabe, não se mostrou atraído pela fórmula. Diz que é candidato a presidente pelo PSDB, não pretende mudar de partido e, se não for indicado, concorrerá ao Senado em 2010, com o objetivo de presidir a Casa a partir de 2011.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081214/not_imp293562,0.php


***


É exatamente o que há muito já venho pedindo, conforme texto de setembro: http://brasileirainsone.blogspot.com/2008/09/acio-neves-2010-e-radicalizao.html

Espero que o PSDB – recado em especial ao Aécio – saiba ter humildade para não perder de novo em 2010. A proposta é extremamente interessante para Aécio. Por outro lado, a candidatura de Aécio seria derradeira para Serra. E deixemos a ingenuidade de lado: ainda que um declare apoio ao outro, será difícil ter entendimento e adesão verdadeiros fora deste projeto, cumprindo o perdedor e principalmente seus militantes apenas a tarefa de não atrapalhar a candidatura do outro – o que já é grande coisa, diga-se, mas não o suficiente para dar calço à vitória em 2010.

Com esta convicção, o adesivo e a camiseta que ilustram este post estão sendo usados há mais de um ano por mim e alguns amigos. Somos aquele raro e estranho tipo de pessoas que veste a camisa daquilo que acredita.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Flashback

Estava eu ouvindo o Jornal da Globo quando fui surpreendida pela manchete: "Passageiro é flagrado em Cumbica com euros em meias e cueca". A primeira coisa que eu pensei, juro, foi no título do post que eu faria para o blog: "PT exporta tecnologia para transporte de dinheiro ilegal na cueca".

Que ingenuidade a minha de pensar que o fato só poderia ter acontecido com algum personagem completamente alheio à nossa política! Mas quê! É a turma do mensalão outra vez, conforme se lê aqui:
http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL915701-5605,00.html

Agora, falando sério, pergunto: entre a primeira cueca com dólares e a segunda com euros, quantas outras passaram e nós não ficamos sabendo?

Oposição reage à cara-de-pau petista – felizmente

NOTA À IMPRENSA

O PT esgotou seu prazo de carência para atribuir ao passado a culpa pelos efeitos da crise econômica. Depois de seis anos do Governo Lula, a legenda do oficialismo surpreende o País com uma dupla incongruência: se o Presidente oficializou a versão, evidentemente falsa, de que o Brasil não sofre os efeitos da crise econômica, como atribuir a onda de desemprego e de forte recesso das atividades produtivas ao "governo anterior"?

Como governistas no poder podem culpar o "passado" por uma "realidade" que o seu Presidente nega peremptoriamente?

As manifestações petistas refletem o pânico que vivem em função das reações da população, por eles mesmos expostas detalhadamente na reunião de São Roque (SP). Reconhecem a crescente incapacidade do Governo para enfrentar a crise e indicam que escolheram um perigoso e débil álibi: queixam-se de um passado remoto - o qual denominam "governo anterior" - a que já tiveram tempo suficiente não apenas para superar, mas para revogar e denunciar seus atos, o que jamais fizeram.

Após seis anos de juros altos, de populismo cambial, de permissividade nos gastos públicos, de escândalos financeiros e corrupção disseminada e acobertada, o PT e o Governo Lula não apenas têm todas as culpas como, além de procurar bodes expiratórios remotos, mostram-se incapazes de apresentar à Nação um programa efetivo e transparente de ações do Estado brasileiro para enfrentar os reflexos do quadro de evidente calamidade para o qual caminha a economia mundial e que se agrava a cada dia.

Em vez de convocar as forças vivas da Nação, independentemente e acima das divisões partidárias, para a indispensável mobilização da sociedade, os petistas partem para provocações mesquinhas e facilmente desmoralizadas.

O Governo Lula já representa o próprio passado de que reclamam os petistas, que, portanto, atingem a si mesmos.

Roberto Freire
Presidente Nacional do PPS

Rodrigo Maia
Presidente Nacional do DEM

Sérgio Guerra
Presidente Nacional do PSDB

http://www.blogdemocrata.org.br/permalink.asp?scroller=Y&id={54DD7217-55F0-4825-B03A-A2089D6E778E}
http://portal.pps.org.br/portal/showData/139324
https://www2.psdb.org.br/noticias.asp?id=38379

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Para começar mal a semana

Conferindo meus e-mails, me deparo com esta notícia:

PT empurra responsabilidade pela crise para oposição
De olho na sucessão presidencial em 2010, o PT já prepara o discurso eleitoral para neutralizar eventuais impactos da crise financeira sobre uma candidatura petista. A estratégia é empurrar para os principais adversários nas próximas eleições, o PSDB e o DEM, a responsabilidade por dificuldades econômicas que venham a surgir nos próximos dois anos.
http://br.noticias.yahoo.com/s/08122008/25/politica-pt-empurra-responsabilidade-pela-crise.html


O PT não tem mesmo nenhum pudor de rachar o país para formular um discurso que convença os incautos a os manter no poder!

A cada vez que o PT faz uma dessas, mais distante fica qualquer possibilidade de conciliação entre petistas e anti-petistas. Às vezes parece-me que esta radicalização nem é um efeito colateral, mas um objetivo que eles propositadamente ambicionam: acirrar as disputas internas, rachando o país, para, aproveitando-se da falta de educação da população, apontar, isolar e esmagar seus inimigos, e assim manterem-se no poder.

É verdade que a política, por dentro, não é bonita ou muito digerível. Mas não, não é verdade que posicionamentos como este do PT sejam naturais na política. O PSDB não é assim, a política não é assim. É o PT que não tem limites, é o PT que rebaixa a política, que rebaixa as instituções, que faz pouco da democracia. É o PT que, para usar uma metáfora, diz que prefere ver a esposa morta a separar-se dela.

Infelizmente o PSDB não tem sabido aproveitar a (saudável e democrática) indignação que o PT causa a nós e a muitos outros para formar a militância de que tanto precisam, ao invés de carregar nas costas, sozinho, toda a coerência e a responsabilidade pelo país que o PT não tem.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Câmara aprova a criação de milhares de empregos

… NA CHINA!

Câmara proíbe demissão de trabalhador cuja mulher esteja grávida
Agência Câmara
BRASÍLIA - A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara aprovou hoje, em caráter conclusivo, o projeto de lei do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) que proíbe a dispensa arbitrária ou sem justa causa do trabalhador cuja mulher ou companheira esteja grávida, durante o período de 12 meses. Esse período será contado a partir da concepção presumida, comprovada por laudo de médico vinculado ao SUS. O projeto segue para o Senado.
(…)

http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/12/04/e04128623.html

Agora o trabalhador brasileiro já sabe o que fazer quando estiver com medo de perder o emprego, não é?

Lula, o estadista sifú

Se alguém tivesse me contado, e eu não tivesse visto, não acreditaria:

http://www.youtube.com/watch?v=vpv9yJxmjp8

E que não passe despercebido o impulso irrefreado da choldra de alterar a história e passá-la a limpo, é claro, conforme sua ótica. Não, o som não estava "inaudível", mas quem sabe um dia as pessoas se esqueçam do que viram e ouviram e finalmente o mundo seja convencido de que Lula foi um estadista, não é? Se não fosse o youtube bem que isso estaria passível de acontecer mesmo…

Não bastasse, no mesmo dia Lula também se disse discordante do discurso "politicamente correto". Ah é, é? Olha só quem fala! Logo quem só existe como conseqüência direta do politicamente correto! Se não fosse o medo das pessoas, e principalmente do jornalismo, de serem chamadas de preconceituosas ou de elitistas, Lula jamais estaria na presidência.

Lula só é o que é porque não sabe ser diferente – portanto não tem postura para ser presidente – ou porque não tem o mínimo apreço pela instituição que representa, pois não entende o que ela significa.

E ainda faltam dois anos.

Que saudades de FHC.