sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Agradecimento aos amigos da Confraria do Chapéu


Obrigada a todos pelos comentários, aqui e no blog do Reinaldo. É verdade que minha alegria de testemunhar que o Reinaldo existe sim, de verdade, ficou estampada no meu rosto de orelha a orelha, como dá para ver na foto acima (créditos ao Marcio e sua câmera, que para ser perfeita só falta tocar acalantos). Mas vocês é que são bondosos. Escrevo isso com a maior sinceridade: faltam-me muitos, muitos livros para ser merecedora de tantos elogios. Enquanto corro atrás de merecê-los, só tenho a desejar que as palavras de vocês sirvam igualmente de estímulo a quantos outros.

Um PS para Weimar e Dona Cremilda: quando vocês vêm a Curitiba? Não vou perdoá-los se não me avisarem. Meu marido – que também é um dos meus mestres – está cobrando o abraço pessoalmente.

Outro PS para todos os professores e alunos de universidades leitores do Reinaldo: resistam!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Reinaldo Azevedo em Curitiba

Dizem que o curitibano é frio, é distante, é indiferente. Dizem que é até xenofóbico. Eu não sei se tudo isso é mito ou se só somos diferentes com quem gostamos muito. O fato é que, parece-me, hoje fomos sim bastante "calorosos" com o Reinaldo, para usar a palavra que ele mesmo empregou para nos adjetivar. Quando ele foi apresentado pelo rapaz da livraria, os aplausos começaram e demoraram um tempão até parar. O Reinaldo querendo começar a falar e a gente aplaudindo, aplaudindo, aplaudindo… A mesma coisa se deu quando ele terminou de falar, além de ter sido espontaneamente aplaudido por duas vezes enquanto respondia às perguntas, interessantes, dos leitores. Eu não cronometrei o tempo, mas acho que o ouvimos por cerca de duas horas. Pessoas que não o conheciam ficaram impressionadas com sua clareza, com sua contundência, com seu posicionamento. Acreditem: o Reinaldo é avesso a simplismos e a raciocínios simplórios, mas é um homem extremamente simples e apaixonado pela esposa e pelas filhas, de quem fala com os olhinhos brilhando.

Creio que havia entre 150 e 200 pessoas. A livraria estava cheia, muita gente em pé, muita gente com muitos livros nas mãos. Aliás, não sei como não levei uma bronca, porque eu pedi autógrafos em seis livros e meu marido em mais dois. Haja paciência do Reinaldo com todo mundo… E no final, o Reinaldo ainda deu mais uma entrevista e atendeu a um telefonema do Gerald Thomas, direto de Nova Iorque. O Reinaldão é impossível: quase nem dormiu na manhã de quarta-feira e ainda agüentou toda essa programação. Desconfio que hoje ele nem vai precisar de Stilnox para cair na cama e dormir no segundo seguinte.

A organização está de parabéns. Tudo transcorreu bem e só temos a agradecer, tanto à livraria Curitiba quanto à editora Record. Estamos agora esperando o lançamento do próximo livro do Reinaldo, viu Record? Viu, livraria Curitiba? Gostamos da brincadeira, e vamos querer repetir a dose – venha sempre, Reinaldo, que a casa é sua.

Foi muito estimulante conhecer outros comentaristas do blog, como o Flávio M., o Cleto e o Vampiro de Curitiba, bem como reencontrar amigos que o lêem diariamente também há quase dois anos, como a Elite, a Yolete, a Teresinha e a Nani, que veio de Cascavel (uma noite de viagem!) só para conhecê-lo. Mas a grande surpresa para mim foi ter reencontrado, quase 10 anos depois de formada, um professor que me deu aulas de Filosofia na UFPR, o Breno. Não é surpreendente? Um professor de universidade pública muito fã do Reinaldo, que lê tudo o que ele escreve! Um professor de universidade pública que não é tomado pela esquerdopatia! E na área de humanas!

Falando em ser fã do Reinaldo, recebi hoje no meu blog alguns comentários me acusando de "pensar através da cabeça do Reinaldo", de "não pensar por mim mesma". Ora, penso sim: que esses que me escreveram são uns bobalhões arrogantes. Não tenho medo de ter mestres. Mas eu sei escolher os pensamentos que eu quero que, junto com outros, me sirvam de guia, os textos que eu quero que me acrescentem, as idéias que realmente me fazem uma pessoa melhor – na minha vida privada inclusive, não apenas intelectualmente falando. Medo eu tenho é de quem não tem mestres, ou de quem acha que pode ser o mestre exclusivo de si mesmo. Afinal, o único mérito que de fato temos nesta vida é termos sabido escolher bons mestres, termos sabido escolher as boas lentes para ver e entender o mundo. Essas são as escolhas que vão nos encaminhar para todas as demais escolhas, a começar pelos primeiros mestres, que não escolhemos, que são nossos pais. Para estas pessoas que me escreveram hoje, deixo o poema "Blanco", que conheci pela voz de Marisa Monte em música de mesmo nome, mas que, pelo Google, é de autoria de Carlos Fuentes:

Me vejo no que vejo
como entra por meus olhos um olho mais límpido
E olha o que eu olho
É minha criação isso que vejo.
Perceber é conceber águas de pensamento.
Sou a criatura do que vejo.


E para todo mundo que também aproveitou a noite de hoje, deixo algumas das fotos que tirei na minha câmera:





terça-feira, 25 de novembro de 2008

“O pensamento politicamente correto levou à demonização da divergência”

Entrevista de Reinaldo Azevedo a Marcio Antonio Campos
Na Gazeta do Povo, domingo 23/11/2008

Há um ano, o PT realizava seu 3º Congresso Nacional e divulgava um vídeo em que, entre outras afirmações, defendia que “não há qualquer exemplo histórico de uma classe que tenha transformado a sociedade sem colocar o poder político de Estado a seu serviço”. O jornalista Reinaldo Azevedo, articulista da revista Veja, tem se dedicado a mostrar, em um dos blogs de política mais lidos do Brasil, como o PT coloca o Estado a seu serviço. Em O País dos Petralhas, livro que Azevedo lança quarta-feira em Curitiba, ele seleciona textos publicados no blog, além de artigos publicados nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo. Ao longo da obra, o leitor revive escândalos de corrupção, tragédias aéreas, bizarrices de presidentes vizinhos e até a visita do Papa ao Brasil. Confira alguns dos trechos da entrevista que Azevedo deu, por e-mail, à Gazeta do Povo.

Gazeta do Povo - A esquerda conseguiu associar "direita" e "ditadura" a ponto de haver uma vergonha coletiva em se dizer "de direita". É possível escapar dessa armadilha em um país onde a memória do regime militar continua relativamente fresca?
Reinaldo Azevedo
- O único caminho é demonstrar que isso é falso e, claro, correr o risco de não ser devidamente compreendido. Mas esse é o risco permanente de quem decide participar, de algum modo, do debate público. E eu, sem ser político, participo. A rigor, o trabalho de todo jornalista tem essa dimensão. Não estou certo de que exista uma memória negativa do regime militar. Acho até que acontece o contrário, o que não é exatamente bom. Afinal, falamos de um período em que não havia democracia. Acho que a associação negativa se dá entre "direita" e a tal "exclusão social". Aí, sim, a esquerda é eficiente em propagar essa mentira. E, em certos ambientes subuniversitários, logo alguém se lembra de sacar aquela tolice do Bobbio segundo a qual um direitista é sempre um defensor do statu quo, e um esquerdista, alguém interessado em justiça. É uma definição pobre e estúpida.
E qual é a sua definição, então, de esquerda e direita?
Destacando que a minha definição vale para sociedades democráticas, com leis democraticamente votadas e instituídas, acho que o esquerdista é aquele que acredita que a lei possa ser transgredida para fazer o que ele chama "justiça social", e o direitista é aquele que está certo de que a transgressão legal provocará sempre mais injustiça. Para um direitista, nessa acepção, o caminho das mudanças é sempre a reforma institucional. Nessa definição, é evidente que sou, então, de direita.

Está se espalhando na sociedade um modo binário de pensar: quem critica o delegado Protógenes é acusado de defender Daniel Dantas; quem critica o revanchismo da Lei da Anistia é chamado de "defensor de torturadores"; críticos do PT são rotulados de tucanos; adversários do MST são chamados de amigos de grileiros; opositores do socialismo são acusados de defender a exploração dos trabalhadores. Como se chegou a um nível tão simplista de debate político?
Chegamos a esse ponto com a demonização da divergência, graças ao pensamento politicamente correto. Perdemos os matizes, que são uma característica fundamental do mundo e do pensamento. É evidente que sempre participamos de um debate com conceitos de "certo" e "errado". Isso é correto, é legítimo. Todos temos uma moral privada, pessoal, e adotamos uma ética pública, para o coletivo. Isso só se dá porque fazemos escolhas: "Isso eu aceito, isso não". Pois bem. É preciso que fique claro que o outro também faz escolhas. E que elas podem não ser as minhas, nem por isso menos legítimas.


Quer dizer que todo pensamento, então, tem legitimidade e merece ser respeitado?
Não! De maneira alguma!

Então explique o que parece ser uma contradição com a sua resposta anterior.
No meu mundo, é proibido, por exemplo, solapar as regras do jogo democrático. Eu não tenho de ser tolerante com quem tenta destruir as leis que me garantem a liberdade, por exemplo. Não posso ser estúpido de permitir que meu inimigo, em nome dos valores dele, tente me silenciar, enquanto eu, em nome dos meus, garanto seu direito à palavra. Democracia requer reciprocidade e respeito às regras do jogo. O lugar de alguns líderes do MST é a cadeia não porque eles queiram reforma agrária, mas porque invadem propriedades privadas produtivas. E isso está fora da regra do jogo. O que é legítimo? Que eu ache a reforma agrária uma estupidez e que eles achem uma coisa boa. Mas eu tenho de seguir a lei, e eles também.

Muitos dizem que você é excessivamente agressivo às vezes; que, em certas circunstâncias, você pode deixar de lado a argumentação elegante. Na sua opinião, isso ocorre? Não há o risco de se fazer uma caricatura do "Reinaldo briguento"?
Cada um chame como quiser. Não me preocupo com isso. Já classifiquei alguns de "vagabundos" e "ratazanas"? Já. E não me arrependo. Se preciso, chamo de novo desde que se comportem como vagabundos e ratazanas. Não respeito quem faz jornalismo a soldo; não respeito quem, sob o pretexto de combater um empresário bandido, recebe dinheiro de outros empresários bandidos. Ora, isso não é jornalismo nem debate público. É coisa de gente mafiosa. Como também desprezo quem aluga sua pena ao governismo - geralmente, qualquer governo. Acham deselegante? Paciência. Já passei da idade de retribuir com flores quem vem com pedrada. Prefiro o bom argumento. Se querem enfiar o dedo no olho, também faço isso com excelência. Se você me pedir que diga se me acho muito bom no debate elegante, deixo para você julgar. Se você me perguntar se me acho muito bom em enfiar o dedo no olho do adversário, responderei sem hesitar: sim, sou muito bom. Quanto à caricatura, ela seria feita de qualquer jeito, ainda que eu fosse sempre um anjo de delicadeza. Veja o que fizeram com José Guilherme Merquior. E não estou me comparando a ele, não. Ora, sempre foi um príncipe, no texto e no trato pessoal. Era tomado como sinônimo de truculência e servilismo à ditadura. Agora morto, dizem: "Ah, ele, sim, era elegante, não esse Reinaldo, esse Diogo, esse Nelson Ascher". Para eles, conservador bom e delicado é conservador morto.

Em abril de 2007, você comentava no blog que "o povo é de direita" (página 140 do livro) e apontava as falhas do DEM, incapaz de representar essa parcela da população. Alguma coisa mudou nesse ano e meio? O que falta para o DEM se tornar efetivamente um partido que represente os brasileiros "de direita"? Quem são os possíveis líderes de uma eventual direita brasileira? Existe algum deles no Paraná?
Começo pelo fim. Não me atreveria a citar possíveis líderes porque eles podem não gostar... fiz aquela afirmação com base numa pesquisa do Datafolha que demonstrava que os valores do tal "povo" são conservadores. E que nenhum partido, nem o DEM, assume essa perspectiva. Dou um exemplo claro: a população brasileira é majoritariamente contrária ao aborto. Mas não há um só partido com essa diretriz no país. Pior: os líderes políticos preferem driblar o assunto. Por quê? Medo de uma imprensa que é majoritariamente pautada pelos valores de esquerda. Eu não gostei quando o PFL mudou de nome, para DEM, porque a palavra "liberal" desapareceu das legendas brasileiras. Mas acho que o partido tem assumido posições corajosas, como fez liderando a resistência à CPMF. Mas não acredito que vá querer se colocar como uma legenda de direita, a exemplo do que acontece nas democracias européias. Seria esmagado pela imprensa. Não custa notar que ela chama o Democratas de "demo". Ora, não se trata apenas de uma forma sincopada: trata-se, literalmente, da demonização de uma partido que não reza segundo a cartilha de esquerda. Mesmo sendo moderadíssimo.

Você vê algum partido europeu ou norte-americano que poderia servir de exemplo para a direita brasileira? Se existem, que características você destacaria nesses partidos que podem ser transpostas à nossa realidade?
Essa transposição é muito difícil. Cada uma dessas direitas está profundamente ligada à história local. Veja o caso dos franceses: tem-se ali uma direita antiamericana, por exemplo, uma questão derivada do século 19, reforçada depois pelo gaullismo. A espanhola tem características ligadas à Igreja Católica que são muito próprias. A direita italiana vive a sua fase circense... eu tenho grande admiração por tudo aquilo que os republicanos representam nos EUA. Ali se trava ainda uma luta que considero essencialista: o indivíduo contra o Estado. Tenho enorme admiração por aquele "meião" vermelho, vermelhos republicanos que dizem “deixem-me em paz”. São ridicularizados pelo militantismo politicamente correto porque este não cessa de ser estúpido. De lá saíram os soldados que atravessaram o Atlântico ao menos três vezes para lutar na Europa. A Normandia esconde muitos cadáveres daquela brava gente.


Você critica o PT por tentar destruir a oposição, a ponto de haver petistas dizendo que o DEM deveria ser extinto. Em Curitiba, há um cenário em que a oposição na Câmara é praticamente inexistente, e o Legislativo municipal atende a todas as vontades do prefeito, que é do PSDB. Como você avalia essa situação?
Não conheço a situação curitibana. Em tese, a inexistência de oposição é ruim para a política e para os cidadãos. O que não quer dizer que toda oposição seja boa e de princípio. Há gente que resiste a isso ou àquilo para aumentar o valor do resgate... mas aí é preciso fazer uma distinção: o PSDB é um partido com um projeto "hegemonista"? Não! Ainda que, em Curitiba, seja como você diz. O PT votou contra todos - TODOS - os projetos modernizantes do governo FHC. Aliás, negou-se a homologar a Constituição. PSDB e PFL, agora DEM, pagaram na mesma moeda? Não: ajudaram o PT a fazer a reforma da Previdência que o PT os impediu de fazer, por exemplo. Você já viu tucano ou democrata atacando o superávit primário ou a Lei de Responsabilidade Fiscal? Você os viu tentando sabotar o PAC ou, agora, as MPs contra a crise? Isso é participar do jogo democrático. Não são partidos que lidam com a lógica do presente eterno.


Caso o PT não consiga emplacar um nome viável para 2010 e perca as eleições, e considerando o sucesso dos métodos de Gramsci usados hoje, você vê possibilidade de um retorno de Lula em 2014?
Lula será sempre uma ameaça de retorno... se o PT perder as eleições em 2010, veremos de novo o PT que conhecíamos até 2002: vai tentar inviabilizar o próximo governo. E estará numa posição privilegiada para isso, já que tem o domínio dos sindicatos, está infiltrado no Judiciário, no Ministério Público, na Polícia Federal, na Abin, nas estatais, nos fundos de pensão, na padaria da esquina... o PT aparelha até festa de batizado e velório. Ora, o partido e a CUT, que é seu braço sindical, deram apoio, em São Paulo, a uma greve de policiais civis que foram armados às ruas. Destaco: greve de gente com arma na mão. Um coronel da PM foi baleado. O nome disso é sabotagem.

O primeiro capítulo de seu livro reúne textos sobre a imprensa, e sobre como ela engole facilmente qualquer versão esquerdista da realidade. É possível "desaparelhar" as redações no Brasil? Como?
Se soubesse, juro que diria. O fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista, no médio prazo, pode ser útil. Escolas de jornalismo são verdadeiras madraçais da esquerdopatia. Elas odeiam a imprensa. No mais, o caminho é fazer o debate público. Até porque nem todo mundo sabe que está seguindo uma cartilha.

No livro Bias, Bernard Goldberg fala do viés liberal da imprensa norte-americana, e afirma que muitos jornalistas não acordam de manhã e decidem atacar os conservadores; eles fazem isso automaticamente porque aprenderam a pensar assim: que os conservadores são maus. Esse pensamento é tão impregnado que o jornalista nem precisa ter a intenção de agir como age. Você vê esse "aparelhamento inconsciente" no jornalismo brasileiro?
Concordo, claro. Realiza-se a antevisão de Gramsci, segundo quem o Moderno Príncipe, que é como ele chamava o partido que conduziria a passagem para o socialismo, deveria atuar como um novo "imperativo categórico", como um "laicismo moderno". Até para se opor ao Moderno Príncipe seria preciso pertencer ao Moderno Príncipe. O caso dos palestinos é muito ilustrativo. Nove entre dez jornalistas são capazes de jurar que as lideranças palestinas praticam apenas resistência e são meras vítimas das maldades de Israel. Por quê? Porque a causa foi adotada pelas esquerdas, e eles se tornaram vítimas oficiais do establishment esquerdista da academia e da imprensa. As pessoas se contentam em ser ignorantes, desde que sejam tidas como generosas.

Quem lê seu blog sabe que você é um admirador de Bruno Tolentino e de Musil. Além deles, quem são seus principais mestres? O que cada um deles lhe ensinou de mais importante?
Seria uma resposta muito extensa, até porque gosto de muita gente pelos mais variados motivos - e tenho alguns gostos que são perversos... para estar nessa atividade, é preciso ler Weber e Marx, Burke e Tocqueville, Locke e Hobbes. Eu gosto das ironias do Marx político e da linguagem militante de Trotsky, embora possa odiar tudo o que está lá. No que respeita à literatura, não tenho gostos muito raros ou exóticos. Jornalista brasileiro que não lê – com verbo no presente – Machado, Eça e Padre Vieira está sendo deseducado com o leitor. Porque eles apresentam soluções geniais de linguagem que nos são úteis.

Nos comentários do seu blog percebe-se que os mesmos leitores que concordam com você no âmbito político discordam, às vezes com bastante veemência, quando você trata de assuntos como aborto, educação sexual e pesquisa com embriões. É paradoxal que as pessoas sejam ao mesmo tempo conservadores na política e liberais nos costumes?
Não, é até bastante coerente. Existe uma sólida tradição do pensamento liberal anti-religioso. É compreensível que assim seja. Também entre os conservadores há matizes, que vão, vá lá, do "conversador conservador" - talvez eu seja um deles - ao "conservador liberal". Eu entendo que existam essas restrições e as considero legítimas. Se eu conseguisse justificar, perante a minha própria consciência, o aborto e a destruição de embriões, com propósito tão nobre, eu o faria. Mas não consigo. E expressar as minhas restrições é uma questão de honestidade intelectual e moral com os leitores. Ainda que eles me batam um pouco por isso.

Depois de alguns lançamentos, seus leitores comentaram sobre a atenção individual que você deu a eles, sobre o fato de ter se lembrado de cada um. Se o número de leitores aumentar exponencialmente graças à divulgação do livro, você acha que será possível manter essa relação tão individualizada com eles?
Sou sempre atencioso com quem fala comigo porque sou mesmo assim. Não preciso forçar a barra. Como bato muito duro às vezes - mas só em larápios e ratazanas -, muita gente acha que tenho temperamento irascível. Não tenho. Sou uma pessoa quase sempre feliz. Ao contrário até: detesto gente que faz praça de seus maus bofes. Os leitores costumam participar do debate com apelidos. Lembro-me de muitos. Minha memória para textos sempre foi muito boa. E continua, apesar dos meus 47 anos. Sou péssimo para caminhos. Se sair para comprar cigarros, corro o risco de me perder... ainda bem que não sou - acho que não - tão desorientado quando leio ou escrevo. Mas sei que esse não é um juízo unânime. Paciência!


Colaborou Breno Baldrati


http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidapublica/conteudo.phtml?tl=1&id=830804&tit=O-pensamento-politicamente-correto-levou-a-demonizacao-da-divergencia

Esse é o Reinaldo Azevedo, para quem não conhecia ainda.

Quem quiser conhecer mais, leia "O País dos Petralhas".

Quem quiser conhecer a fundo, leia todo dia http://www.reinaldoazevedo.com.br/ .

Quem quiser ter certeza de que o Reinaldo existe, em carne e osso, vá até a livraria Curitiba do shopping Estação no dia 26 de novembro, quarta-feira, às 19:30 horas.

E quem gostou da entrevista, pode expressar sua opinião aqui: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidapublica/conteudo.phtml?fal=1&id=830804

FHC quer PSDB duro contra Lula

Ex-presidente diz, em encontro tucano, que partido deve escolher em seis meses o seu candidato à sucessão

Por Clarissa Oliveira, no Estadão de domingo, 23/11/2008

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu ontem a largada nos preparativos do PSDB para a eleição de 2010 e deixou claro o discurso que espera do candidato que for escolhido para tentar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Avisando que quer a definição de um nome dentro de aproximadamente seis meses, ele disse que é preciso apontar rapidamente "a voz" capaz de expor os ideais que levarão a sigla de volta ao comando do País.

"Não precisamos ser agressivos pessoalmente com ninguém. Mas nem por isso vamos dizer: 'tudo o que seu mestre fala está certo'. Não está. Temos que dizer: 'o rei está nu, aqui, ali, acolá. Põe a roupa, presidente?'", afirmou FHC, arrancando aplausos de uma platéia de prefeitos e vereadores tucanos eleitos em outubro, organizado pelo PSDB paulista.

"Não diga bobagem, presidente. Seja mais coerente com sua história. Não seja tão rápido no julgamento do que os outros fizeram. Perceba que uma nação se faz numa seqüência de gerações. Não seja tão pretensioso. Seja um pouquinho mais humilde", prosseguiu. Após a abertura do evento, em entrevista, FHC minimizou as críticas. "Eu disse que todos temos que ser humildes. Ele, como ser humano, é bom que seja".

Além de cobrar um discurso incisivo contra o governo e o presidente, o tucano disse querer que o partido escolha seu candidato, no máximo, até o início do segundo semestre do ano que vem. Se em seis meses a sigla não chegar a um entendimento, ele acredita que os cotados - até agora os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais - devem disputar em convenção. "Não temos medo. Se tiver divisão, faça convenção. Escolha. Mas temos de ter o candidato."

FHC, que contou ter jantado na noite anterior com Serra, não economizou nos elogios ao governador paulista. Mas não falou sobre quem prefere para o posto: "Os dois são bons. Mas eu sou presidente de honra do partido. Não posso, antes da hora, antes de conversar com os dois, antecipar".

O próprio Serra também participou do evento, realizado para subsidiar prefeitos e vereadores com uma linha de ação para o novo mandato. O governador falou na cerimônia de encerramento, quando FHC já havia deixado o local. Líderes tucanos também se dividiram entre a manhã e o fim da tarde, entre eles o vice-governador Alberto Goldman, o secretário da Casa Civil no Estado, Aloysio Nunes Ferreira, o presidente municipal da sigla, deputado Antonio Carlos Mendes Thame (SP), e o presidente nacional, senador Sérgio Guerra (PE). Este último evitou endossar a tese de que a escolha do candidato poderá ser decidida em disputa preliminar. "Não creio que essa questão vá ser levada à convenção ou prévias do partido. Se cultivarmos a união, é possível que isso esteja resolvido até o ano que vem."

Em meio à sucessão de críticas ao presidente Lula e ao seu governo, FHC disse que a atual administração traiu o eleitorado brasileiro. "O governo atual disse uma coisa para o País e fez outra", afirmou. "Não podemos aceitar essa história de que todos os gatos são pardos. Nós não somos gatos pardos. Somos outra coisa. Somos tucanos."

Ele também não poupou o PT. Disse que as últimas eleições serviram de prova de que a sigla de Lula, derrotada em grandes centros, está sendo empurrada para os grotões. Agora, completou, a legenda ainda se mantém como reflexo da Presidência da República. Mas, na prática, deixou de ter uma presença ativa junto à sociedade.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081123/not_imp282128,0.php

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Dia 26, 19:30 horas, na livraria Curitiba do shopping Estação



Avise seus amigos:
Este e-mail é para colocá-lo a par, se é que já não chego tarde, de que o Reinaldo Azevedo está lançando seu segundo livro, "O País dos Petralhas" (editora Record), e estará em Curitiba na semana que vem fazendo uma noite de autógrafos. Curitiba é a 5ª cidade que o recebe. São Paulo, Campinas, Brasília e Belo Horizonte (na segunda-feira última) já tiveram a boa ventura de recebê-lo. Estão agendadas também Florianópolis, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Talvez mais cidades sejam incluídas no roteiro.
Reinaldo é lido e citado pelas pessoas de maior poder e influência do país (calcule-se daí o calibre da sua caneta): ministros do STF – incluindo Gilmar Mendes–, senadores, deputados, governadores, prefeitos. Incluam-se na lista FHC, Ali Kamel (diretor de jornalismo da Globo), Aguinaldo Silva (escritor de vários dos folhetins das 20 horas da Globo), Willian Waak (apresentador do Jornal da Globo) e muitos outros – e já aviso que estou sendo injusta ao citar só os que me recordo agora. Possivelmente nomes grandes (e não “grandes nomes”, o que é muito diferente) do governo federal também o leiam, embora indignados, e Lula só não o lê porque não lê nem bula de rinossoro, para usar uma expressão do próprio Azevedo.
No evento em São Paulo estiveram presentes cerca de 200 pessoas, incluindo Serra, Kassab, Bornhausen, Kátia Abreu, Goldman, entre outros políticos e jornalistas. Até o CQC (aquele programa irônico da Band) marcou presença. Danilo Gentili apresentou o Reinaldo como "o cara mais anti-PT do UNIVERSO". O que não deixa de ser verdade, para nossa alegria.
Encontro então você no dia 26 de novembro, quarta-feira que vem, a partir das 19:30 horas, na livraria Curitiba do shopping Estação, no lançamento do livro?
Leiam o que já foi dito/escrito sobre o livro:
- VEJA – Por Diogo Mainardi
- O Globo – Por Demétrio Magnoli
- No Blog do Gerald Thomas – pelo próprio
- Gazeta Mercantil e JB – Por Augusto Nunes
- GloboNews - Espaço Aberto Literatura – entrevista a Edney Silvestre
- Estadão – por Rui Nogueira
- Folha - por Eduardo Graeff
- Folha – por João Pereira Coutinho
- TV Globo - entrevista a Jô Soares

Interregno

Há alguns dias terminei de ler "O Caçador de Pipas", sucesso de Khaled Hosseini pela Editora Nova Fronteira. Esse mesmo, que está em todas as listas de mais vendidos (o que é muito merecido) e que quase todo mundo já leu e eu, atrasadinha, só consegui emprestado de uma amiga há algumas semanas.

Não posso deixar de registrar aqui duas frases de que gostei muito, escritas pela personagem Rahin Khan à personagem Amir jan, no clímax do livro:


A verdadeira redenção é isso:
é a culpa levar a pessoa a fazer o bem.

Um homem que não tem consciência,
que não tem bondade, não sofre.


Recomendo aos poucos ainda mais atrasadinhos do que eu.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Reconhecimento

Com quase três semanas de atraso escrevo a respeito de algumas observações que fiz sobre a edição 2085 da Veja, do dia 01/11/2008. Na capa, uma reportagem ácida sobre a indústria farmacêutica, sabidamente um dos segmentos mais poderosos do mercado.

Logo nas páginas amarelas, uma excelente entrevista de Demétrio Magnoli, que não economiza adjetivação negativa ao governo federal e ao pensamento esquerdista bolorento. Como aperitivo, faço duas citações:

"O PT no poder revelou a esquerda que faz o mensalão, persegue o caseiro, tenta controlar os meios estatais para os seus próprios fins e confunde estado com governo e partido."

"O que espantou muita gente foi o estilo PT de corromper – e que, claro, tem a ver co a sua visão de mundo. O partido apresentou um modelo centralizado de praticar a corrupção. Ao contrário da prática tradicional, feita em nome de interesses localizados, o PT deliberou e organizou a corrupção a partir da sua cúpula."

Algumas páginas à frente, o artigo do Reinaldão: "O muro caiu, mas a amoralidade da esquerda sobrevive", com as sempre precisas e merecidas cacetadas no PT e no esquerdismo.

Não bastasse, logo depois do Diogo, a reportagem "Deu no New York Times", sobre o caso do jornalista americano Larry Rohter, quase expulso do Brasil porque falou algumas verdades sobre Lula. Segundo a reportagem, consta que quando Lula soube que expulsá-lo era inconstitucional, teria batido na mesa e berrado, exaltado, "Que se f*** a Constituição! Quero que ele vá embora!". Não sou eu quem está dizendo, não. Está lá na reportagem, é só conferir nos links – ABERTOS – ao final deste post.

Por prudência diante de possíveis dias mais magros a partir de janeiro do ano que vem, cogitando medidas parcimoniosas, pensei em cancelar a assinatura da Veja. Mas como posso deixar de assinar uma revista que, às vésperas de uma crise que dizem apocalíptica, peita um dos mais fortes setores da iniciativa privada e o governo federal numa mesma edição, com tamanha coragem, ousadia, profissionalismo e independência? Não dá, não. Digam aos editores que a revista fica.

Quem quiser conferir as reportagens:

Remédios: sustos difíceis de engolir
http://veja.abril.com.br/051108/p_088.shtml

Entrevista com Demétrio Magnoli
http://veja.abril.com.br/051108/entrevista.shtml

Artigo de Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/051108/p_078.shtml

Deu no New York Times, de Larry Rohter
http://veja.abril.com.br/051108/p_132.shtml

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Demorou!

Em 2006 eu mandei um e-mail para o Programa do Jô, sugerindo que ele entrevistasse Reinaldo Azevedo. Depois, inescapável comentar, o programa entrou numa fase, para usar um eufemismo, "desinteressante", em que o apresentador deu claras mostras de pensamentos anacrônicos, incoerentes e em alguns pontos retrógrados, senão eventualmente covardes, e eu já tinha até desistido da idéia de que um dia o Reinaldo pudesse por os pés lá. Mas eis que ontem esta minha percepção foi desmentida. Já não era sem tempo!

http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM907422-7822-JORNALISTA+REINALDO+AZEVEDO+LANCA+LIVRO,00.html

Considerando-se o entrevistador e o modelo (humorístico) do programa, é verdade, a entrevista foi excelente. Como eu não esperava nada, exceto um oi-tchau-passar bem, a mim, pelo menos, a entrevista surpreendeu positivamente. É claro que lamento que o Reinaldo tenha ficado por último, e também o fato de ele não ter malhado este (des)governo (o que teria atraído muito mais a atenção da platéia, como atraiu na entrevista do Diogo Mainardi), mas de todos os vídeos que eu vi do Reinaldo, neste foi o que ele melhor se saiu: estava tranqüilo, paciente, tolerante (imaginem o esforço dele diante da enxurrada de estultices do entrevistado anterior, Tom Zé – Bento VI?! ) e muito bem humorado.

A entrevista foi boa, apesar de todas as minhas restrições ao apresentador. E quanto mais o nome do Reinaldo for divulgado, melhor.

Mas parece que teve uma galerinha que ficou indignada com o fato do Reinaldo ter recebido só um quadro, depois de uma loooonga entrevista em dois quadros com o Tom Zé. Tem gente até dizendo que o Jô Soares não deixou o Reinaldo falar, que não mostrou a capa do livro suficientemente, que propositadamente ficou pinçando outros assuntos para que o Reinaldo não falasse mal do governo. Vi até quem tivesse prometido mandar e-mails indignados ao Programa do Jô e ao blog do Reinaldo, "detonando" o apresentador.

Olha, como ontem eu estava muito, digamos, nervosa, apreensiva mesmo na hora da entrevista (porque toda vez que o Reinaldo aparece na TV eu fico torcendo para que dê tudo certo, naquela angústia de quem sabe que o tempo será pouco para o muito a dizer, pois é como se eu mesma estivesse lá – o que de certa forma é verdade, através das muitas idéias que o Reinaldo nos faz o favor de defender), revi o vídeo agora. Sinceramente, esta turma está pegando no pé do Jô numa situação absolutamente descabida. Foi o Reinaldo quem divagou (porque quis, cumprindo o que ele entendeu ser mais adequado para o público) para assuntos de chapéus, cachorros, horários de trabalho etc. Quem chamou o assunto de novo para a política foi o Jô Soares, que, aliás, mostrou a capa do livro em close.

Ok, eu também tenho discordâncias com o Jô e quem o acompanha diariamente detecta as oscilações e incoerências do apresentador, o que debito à falta de uma visão de mundo mais ampla – daí que seria providencial se ele passasse a ler o Reinaldo, mesmo discordando dele em vários pontos. Mas nesta entrevista o Gordo foi educado, gentil, espirituoso e bom anfitrião. Até deixou o Reinaldo falar!

O programa na quarta-feira vai ao ar mais tarde por causa do futebol, e dois blocos com o Tom Zé, representante do avesso do que pensa a maioria dos leitores do Reinaldo, pode ter testado o limite da paciência de muita gente. De minha parte, eu até acho o Tom Zé engraçado e curti o primeiro bloco com ele – o segundo, a bem da verdade, passou um pouco da quantidade que eu tolero de bobagens, mas também… sem traumas!

Vamos deixar para reclamar do Jô quando for justo (como naquele caso em que fomos chamados de “golpistas”), e vamos tratar de, neste momento, ao contrário, elogiá-lo. Um pouco menos de caps lock cairia bem. Ademais, patrulha em blogs e sites é coisa “deles”, não nossa.

domingo, 2 de novembro de 2008

Enfim, uma boa notícia!

Este post é só para dar uma satisfação para quem acompanhou o sufoco que passamos na internet nestas eleições: meu perfil de mediadora, apagado por causa daquela determinação do TSE, foi devolvido pelo Orkut!

A comunidade do Geraldo Alckmin e a do Beto Richa também.

Os contadores dos membros das comunidades que foram apagadas não estão fucionando direito ainda, e alguns dos meus posts também não estão disponíveis. Suponho que isso vá se regularizar com o tempo.

Estou bastante contente, porque confesso que já estava perdendo as esperanças de ter de volta os conteúdos que tinham sido apagados.