terça-feira, 23 de setembro de 2008

Na contra-mão

Cá estamos nós, nos esborrachando de tanto espernear contra esta absurda censura que o TSE nos impingiu, e de repente encontro, entre pessoas que também estão indignadas por terem sido atingidas pela resolução-censura, alguém que propõe a seguinte "solução":

Campanha: A Internet deve ser estatal!
(…)
Com a exclusão do meu profile e de minha identidade digital pelo Google/ Orkut gerou um pressuposto para mim... A internet tb deve ser controlada, assim como as estatais estratégicas ( riquezas minerais água...), também pelo poder público e não pelo poder privado.Assim não ficamos nas mãos de uma empresa privada, cuja ideologia política é bem definida e por isso, viola direitos fundamentais expressos na Carta Magna> não sabemos se, por dolo ou ignorância insistem em violá-los.
(…)
Chega/ Basta de perseguição política no orkut, ou estatizam essa empresa ou ela deve se adequar as normas que regem a nação brasileira!!!

Aí eu lembro das aulas de yoga e "inspiro, expiro, inspiro, expiro". Conto até dez e repito a operação várias vezes até que a paciência, a tolerância e o amor universal tomem conta da minha alma, para só então responder.

Não existe perseguição partidária ou ideológica no Orkut – isso é devaneio de quem se joga no chão para cobrar que o juiz dê pênalti – mas perseguição contra o debate e a manifestação de opinião POLÍTICA no Orkut.

A internet tb deve ser controlada, assim como as estatais estratégicas ( riquezas minerais água...), também pelo poder público e não pelo poder privado.

Sou radicalmente contra isso. Aliás, este é mais ou menos o pensamento do senador Eduardo Azeredo… Ou mais ou menos o que pensam os dirigentes chineses e cubanos…

Ainda que HOUVESSE a perseguição partidária-ideológica em sites de relacionamento, se estes continuarem a ser geridos pela iniciativa privada, existe a possibilidade de cada grupo criar um site próprio para ter o seu viés partidário-ideológico. Já se a gestão for obrigatoriamente pública, haveria monopólio - SEMPRE PÉSSIMO - o que certamente degringolaria para um produto de má qualidade e, o que é pior, COM VIÉS IDEOLÓGICO E PARTIDÁRIO AINDA MAIS FORTE.

Nada impede que, hoje, existindo o Orkut ou não, o estado (com "e" minúsculo mesmo) crie um site próprio de relacionamentos (já que até TV estatal, bem mais cara, criaram, né?). O estado só não faz isso porque não terá público, pois os sites de relacionamento privados tomaram conta do mercado. Então, para haver um site de relacionamento estatal, precisaria-se primeiro extingüir ou estatizar, por decreto, os privados.

Aí eu pergunto: você acredita que o "Orkut" seria livre de viés partidário-ideológico se ele for controlado pelo estado quando o PSDB estivesse no poder? Não, né? E se você NÃO PUDESSE usar, se NÃO HOUVESSE outro site de relacionamento que não o do estado para você usar? Não seria horrível?

Pois é, pelos mesmos motivos eu também não confio numa internet ou num site de relacionamento controlado pelo estado quando o PT está no poder (e eu tenho fortes motivos para isso, vide uma estrela vermelha que esteve fincada no jardins do Palácio do Alvorada…). Mas também não confio na imparcialidade ideológica-partidária se o PMDB, o DEM, o PPS, o PDT, o PV ou qualquer outro partido, incluindo o PSDB, estivesse no poder.

É que eu conheço minimamente o SER HUMANO. Ele é falível, ele é corruptível, ele é ambicioso. E não há como suprimir do bicho homem estas características, como desejam e desejavam os sistemas vermelhos que querem/queriam maior controle estatal sobre tudo. O que dá é para canalizar estes defeitos de forma que se tornem molas propulsoras de desenvolvimento e auto-regulamentadores do sistema, que é o que acontece na iniciativa privada, com o modelo de livre-mercado.

E é por isso que o sistema capitalista é mais adaptado ao ser humano, com seus defeitos e virtudes – nem anjo nem demônio, portanto – do que os sistemas comunista/socialista.

O controle estatal sobre qualquer coisa é sempre utópico, porque é utopia um ser humano cuja corrupção e ambição possam ser anulados. Tentar fazer isso é como comprimir uma mola, que uma hora estoura com força total. É o que aconteceu em sistemas de economia planificada totalmente controlada pelo estado.

É este tipo de mentalidade, que prega que "a internet tem que ser estatizada e rigidamente regulamentada", que acaba gerando aberrações como a resolução do TSE que nos amordaçou. Este país precisa entender que, em legislação, menos é mais. Interferência mínima (apenas para coibir crimes –CRI-MES) e eficácia máxima para evitar a impunidade. Só isso. O resto deixa para os usuários.

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