terça-feira, 30 de setembro de 2008

Da CBN Curitiba

Dificuldades para discutir eleições na internet
Álvaro Borba - 30/09/2008

Temendo que os políticos brasileiros criassem versões online para os antigos vícios da democracia brasileira, o Tribunal Superior Eleitoral emitiu uma resolução restringindo a propaganda política na internet aos sites dos candidatos. A designer Daniela Bueno não é filiada a nenhum partido, mas gosta de discutir política na internet. No Orkut criou um perfil só para isso e incentivou debates em várias comunidades. A resolução do TSE enterrou todo o esforço dela para fomentar interesse político nos usuários do site. Daniela ficou com a impressão de que a resolução é eficiente na tarefa de limitar manifestações pessoais.

Daniela conta que mesmo as referências políticas mais inofensivas tem sido retiradas do Orkut. Quem mantém um álbum de fotografias no site e posou ao lado de algum candidato, por exemplo, corre o risco de ter as fotos deletadas.

Para defender a tese de que a Justiça Eleitoral está limitando as manifestações pessoais na internet, Daniela recorre a uma comparação simples: quem quiser circular pelas ruas com um boton de determinado partido ou candidato poderá fazê-lo sem maiores problemas. Mas se essa mesma pessoa resolver usar sua identidade virtual no Orkut para manifestar esse apoio, corre o risco de perder o espaço no site.

A segunda comparação de Daniela apela para o conceito de propriedade. As pessoas tem endereços no mundo real e no mundo online. No endereço real, é lícito hastear a bandeira do partido, colar adesivos nas janelas, pintar a fachada com as cores da legenda. No endereço virtual, qualquer manifestação política, por mais autêntica e independente que seja, é condenada.

E para empobrecer ainda mais o debate político na internet, há evidências de que os candidatos não estejam usando os espaços virtuais como deveriam. Victor Costa passou os últimos quatro anos em Belo Horizonte. Sem saber em quem votar, foi a internet para tentar descobrir. Ao digitar o endereço dos sites dos candidatos, ele esperava encontrar duas coisas: um plano de governo e uma proposta consistente para o crescente caos no trânsito.

Só o que Vitor encontrou nos sites oficiais foram idéias vagas.

A experiência o fez criar um blog onde expõe cada resposta automática e cada proposta mal explicada que recebeu.

Blogs dos entrevistados:

Daniela Bueno:
www.brasileirainsone.blogspot.com
Victor Costa:
www.cademeucandidato.wordpress.com

http://www.cbncuritiba.com.br/index.php?pag=noticia&id_noticia=18757&id_menu=178&PHPSESSID=02082ed52793daa19f4c67aebdb72e26


Áudio da entrevista:

http://www.cbncuritiba.com.br/arquivo/download/3976-DocumentarioTransito-alvaro30.09.wma

domingo, 28 de setembro de 2008

Recomendo

Para quem gosta de pensar no poder da internet:

http://info.abril.com.br/seminariosinfo/redessociais/cobertura/

Com destaques:

"Orkut não é mais um lugar só de miguxos",
"Blogueiro não deve querer ser Deus" e
"Blogstars ensinam bloguês corporativo".

Abaixo, na página da Info, links para o áudio dos debates.

Eu teria taaaanta coisa a escrever sobre o assunto!
Como não dá para contextualizar tudo, falo somente sobre uma parte do que disse Reinaldo Azevedo na mesa "Blogs e Blogueiros – Manual de Sobrevivência empresarial". Acrescento umas coisinhas sobre o desejo que algumas pessoas e/ou empresas têm de controlar as informações sobre elas que circulam na rede.

A informação que circula na internet é como a areia que, espremida na mão, escapa pelas frestas dos dedos. Qualquer intenção de bloqueio gera uma reação contrária muito maior e, nesta situação, a tentativa de controle pode se tornar um estimulador. É claro que existem lugares no mundo (Cuba, China, Coreia do Norte, por exemplo) em que a internet é vigiada pelo estado, e aí há como controlar o que pode e o que não pode circular. Acredito, porém, que o mundo anda em sentido inverso, ou seja, anda na direção que vai do controle à liberdade, em todas as instâncias.

Para quem se angustia por não poder ter controle sobre o que dizem de você ou da sua empresa na internet, tenho duas sugestões para dar. A primeira é re-la-xe! Ninguém (ou empresa nenhuma) consegue agradar 100% das pessoas. Alguém sempre estará insatisfeito com alguma coisa. A segunda, mais importante, é PRESTE UM BOM SERVIÇO (ou venda um bom produto, ou esteja convicto das idéias que você expõe). Ou, em outras palavras: tenha estrutura para "se sustentar" quando for questionado.

A grande vantagem da internet é que ela é simultaneamente democrática e meritocrática. É democrática porque qualquer pessoa, sendo surda, sendo gay, sendo branca, sendo budista ou sendo milionária (coloque aí o adjetivo que você quiser), na internet, parte do mesmo ponto. Até hoje nenhuma ferramenta ou sistema criado pelo homem foi capaz de ser tão democratizante quanto a internet, no sentido de dar oportunidades iguais para todos. E é meritocrática porque aquilo que tem conteúdo, é transparente e é esmeradamente produzido, constrói seu próprio espaço e conquista confiança, pageviews ou clientes.

Não venda engodos, não conte mentiras, não enrole seu cliente/leitor, não pise na bola, cumpra prazos de entrega, dê garantias, ouça o que dizem seus clientes/fornecedores/leitores e aprimore seus produtos/serviços/idéias com eles. Fazendo tudo isso de forma honesta, você/sua empresa estará também se preparando para aceitar com tranqüilidade aquele 1, 2 ou 5% que não estiver satisfeito com você/sua empresa/seu serviço ou que discordar daquilo que você escreve.

É esta a melhor maneira de se lidar com a falta de controle da rede. Mesmo porque, não há outra opção.

Ademais, democracia, meritocracia, liberdade e pessoas honestas e responsáveis dando o melhor de si (mesmo que por coação e não por consciência) são coisas que tornam o nosso um mundo melhor.

Bendita internet!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Arena

O portal UOL está promovendo o seguinte debate:

Comunidades, vídeos e fotos de candidatos na Internet influenciam seu voto?

A propaganda eleitoral na Internet só pode ser feita na página do candidato, mas, enquanto o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não regulamenta, caso a caso, o uso da rede, vídeos, fotos e comunidades em sites de relacionamento se espalham pela Web pregando candidaturas dos que concorrem a um cargo público nas eleições municipais deste ano. A propaganda aparece sob diversas formas. Os próprios candidatos lançam vídeos em sites como o YouTube, como fez Adahil Barreto (PR), em Fortaleza. O candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, Chico Alencar (PSOL), aproveita o espaço do Flickr para divulgar as fotos de sua campanha nas ruas. Fernando Gabeira (PV) utiliza o YouTube para publicar a propaganda eleitoral veiculada na televisão.Comunidades, vídeos e fotos de candidatos na Internet influenciam seu voto? Conte-nos.

Poste lá sua opinião:
http://forum.eleicoes2008.blog.uol.com.br/arch2008-09-21_2008-09-27.html#2008_09-25_09_06_28-8953204-0

Eu já postei as minhas:

Acompanho a política na internet há três ou quatro anos. Acredito sinceramente que esta forma de atuação política tende cada vez mais a crescer, sobretudo se analisarmos o que acontece agora na eleição americana, em que os debates na internet ficaram acaloradíssimos.
Vi inúmeros casos de pessoas que amadureceram suas opiniões políticas através da internet, não por influência direta de uma ou outra pessoa, mas pelo simples fato de participarem ou assistirem a debates verdadeiros, e não a panfletagens eletrônicas como as que vemos nos debates promovidos por redes de TV e rádio.
É um absurdo esta resolução do TSE que impede a campanha política na internet. Na prática, ficou proibido tornar público voluntariamente o próprio o voto, seja em seu nome, avatar ou álbum de fotos de um site de relacionamentos, bem como ter comunidades de apoio a algum candidato. Depois de nos livrarmos de anos de ditadura militar, agora nos deparamos com este retrocesso. Isto é um acinte à democracia.

Acho que estão fazendo uma confusão. Fazer spam é condenável, seja qual for: para vender produtos, serviços ou pedir o voto das pessoas. Sou absolutamente contra isso.
BEM DIFERENTEMENTE, debater política e demonstrar seu voto participando de comunidades em sites de relacionamento ou "adesivando" SUA PRÓPRIA foto, NÃO é fazer spam. É coisa bem diferente. Equivale a usar um botton do seu candidato na sua roupa, a adesivar seu carro, a debater política com seus amigos naquele bar que você freqüenta sempre. E isso, na internet, está sendo proibido.
Ninguém é OBRIGADO a entrar numa comunidade, a ver um vídeo ou a ler um texto que não queira. A internet (e-mails e sites de relacionamento) já tem estrutura para evitar o spam. Então não há porque proibir a política aqui.
As pessoas estão condenando o futuro do país ao criminalizarem a política da forma como estão fazendo. Aliás, os políticos só são tão ruins porque as pessoas querem que a política seja banida de todos os lugares.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Engrossando o coro III

Por conta de todo este embróglio, procurei contato com o deputado Gustavo Fruet. Fui atendida por ele hoje – e destaco a acessibilidade do congressista e sua paciência em ouvir a angústia de uma eleitora, apesar de estar sobrecarregado, gerenciando problemas da CPI dos Grampos.

Fruet e o deputado Julio Semeghini, de São Paulo, já estiveram no TSE expondo toda a nossa questão. O Ministro Joaquim Barbosa os recebeu e disse que cada caso seria tratado individualmente, mas nenhuma alteração foi feita na resolução que nos amarra.

O deputado afirmou, entretanto, que até 2010 as coisas não permanecerão como estão. Ele entende perfeitamente a relação dos usuários do Orkut com seus perfis (são como uma extensão da pessoa) e os benefícios que o debate político através da internet pode trazer ao país, usando inclusive como exemplo o que está acontecendo na eleição americana, na qual a internet está sendo fartamente utilizada, produzindo votos mais conscientes.

Ou seja: podemos contar com ele.

E, falando no deputado, não custa lembrar que quem planta, colhe: Fruet é apontado como o melhor deputado federal numa consulta feita a jornalistas pelo site "Congresso em Foco" (http://congressoemfoco.ig.com.br/). A notícia pode ser conferida na íntegra aqui: http://www.fabiocampana.com.br/?p=13436

Agora a votação está aberta para os eleitores. Se você também quiser votar, o endereço é este:
http://www.premiocongressoemfoco.com.br/Default.aspx?trCk=s

Engrossando o coro II

Da Gazeta do Povo em 20/09/2008:


É censura, sim, senhores

Por Bia Moraes

Nesta semana, a Gazeta publicou uma carta aberta que tem tudo a ver com as reflexões que esta coluna vem propondo. A autora, Daniela Bueno, é designer e tem um blog – www.brasileirainsone.blogspot.com –que, aliás, recomendo. Na carta, ela cita a resolução do TSE de que a propaganda eleitoral na internet somente será permitida na página do candidato.
Ela sentiu na pele o resultado da regra dura. Com base nela, juízes eleitorais estão deferindo pedidos de exclusão de conteúdos na internet. Para Daniela, que teve seu perfil retirado do Orkut por ordem judicial, isso se resume a uma única palavra. Trata-se de censura.
Censura é tema espinhoso que quase sempre causa arrepios. Não é o caso de Daniela, que é jovem. Mas a idade não a impede de compreender que retrocesso, falta de sintonia do Judiciário com a população e o engessamento do sistema político-eleitoral abrem caminho para a censura.
No entanto, conforme reportagem do site www.conjur.com. br, a legislação eleitoral deste ano está confusa e acaba gerando diferentes interpretações. No Paraná, os juízes eleitorais tendem a ser mais duros. Em São Paulo, recentemente o TRE decidiu que “manifestações de apoio a candidato nas eleições municipais de 2008 são permitidas em sites de relacionamento, como o Orkut”. E em Jaraguá do Sul (SC), uma juíza eleitoral permitiu que os candidatos da cidade façam propaganda via e-mail.
A internet, símbolo da liberdade de expressão, da comunicação ao alcance de todos – porque a inclusão digital não pára de crescer – e da globalização, não é compreendida e acaba cerceada pelo sistema brasileiro, quando se trata do momento máximo da expressão da democracia: campanha e eleição.
Tenho tentado trazer para discussão que a dobradinha internet/eleições, no Brasil, revela muito dos atrasos do nosso Judiciário, das leis e regras eleitorais, e portanto, do sistema eleitoral e político como um todo. O caso de Daniela Bueno é emblemático e deve refletir o de dezenas de outros cidadãos interessados em discutir política e renovar as idéias pela internet.
Mas não adianta usar esse espaço para analisar sites de candidatos a prefeito ou vereador, ou como eles e seus marqueteiros estão usando a web. A cada semana, as constatações são as mesmas. Tudo continua igual, tanto na internet, quanto na tevê.
Para piorar, a campanha em Curitiba anda tão desinteressante, tão vazia de discussões que façam diferença na vida do cidadão, que não sobra estímulo para que as equipes de marketing eleitoral tentem inovar em termos de comunicação, novas mídias e tecnologia.
Será que em 2010 teremos um cenário diferente?


Bia Moraes escreve aos sábados.

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=809968&tit=-censura-sim-senhores

Engrossando o coro

A "Carta aberta aos defensores da democracia brasileira" foi publicada também no site do PPS:

http://www2.pps.org.br/item/portalDetails/102490

O PPS é um dos partidos, junto com o DEM, que mais tem se envolvido com seu eleitorado através da internet. Espertos.

Na contra-mão

Cá estamos nós, nos esborrachando de tanto espernear contra esta absurda censura que o TSE nos impingiu, e de repente encontro, entre pessoas que também estão indignadas por terem sido atingidas pela resolução-censura, alguém que propõe a seguinte "solução":

Campanha: A Internet deve ser estatal!
(…)
Com a exclusão do meu profile e de minha identidade digital pelo Google/ Orkut gerou um pressuposto para mim... A internet tb deve ser controlada, assim como as estatais estratégicas ( riquezas minerais água...), também pelo poder público e não pelo poder privado.Assim não ficamos nas mãos de uma empresa privada, cuja ideologia política é bem definida e por isso, viola direitos fundamentais expressos na Carta Magna> não sabemos se, por dolo ou ignorância insistem em violá-los.
(…)
Chega/ Basta de perseguição política no orkut, ou estatizam essa empresa ou ela deve se adequar as normas que regem a nação brasileira!!!

Aí eu lembro das aulas de yoga e "inspiro, expiro, inspiro, expiro". Conto até dez e repito a operação várias vezes até que a paciência, a tolerância e o amor universal tomem conta da minha alma, para só então responder.

Não existe perseguição partidária ou ideológica no Orkut – isso é devaneio de quem se joga no chão para cobrar que o juiz dê pênalti – mas perseguição contra o debate e a manifestação de opinião POLÍTICA no Orkut.

A internet tb deve ser controlada, assim como as estatais estratégicas ( riquezas minerais água...), também pelo poder público e não pelo poder privado.

Sou radicalmente contra isso. Aliás, este é mais ou menos o pensamento do senador Eduardo Azeredo… Ou mais ou menos o que pensam os dirigentes chineses e cubanos…

Ainda que HOUVESSE a perseguição partidária-ideológica em sites de relacionamento, se estes continuarem a ser geridos pela iniciativa privada, existe a possibilidade de cada grupo criar um site próprio para ter o seu viés partidário-ideológico. Já se a gestão for obrigatoriamente pública, haveria monopólio - SEMPRE PÉSSIMO - o que certamente degringolaria para um produto de má qualidade e, o que é pior, COM VIÉS IDEOLÓGICO E PARTIDÁRIO AINDA MAIS FORTE.

Nada impede que, hoje, existindo o Orkut ou não, o estado (com "e" minúsculo mesmo) crie um site próprio de relacionamentos (já que até TV estatal, bem mais cara, criaram, né?). O estado só não faz isso porque não terá público, pois os sites de relacionamento privados tomaram conta do mercado. Então, para haver um site de relacionamento estatal, precisaria-se primeiro extingüir ou estatizar, por decreto, os privados.

Aí eu pergunto: você acredita que o "Orkut" seria livre de viés partidário-ideológico se ele for controlado pelo estado quando o PSDB estivesse no poder? Não, né? E se você NÃO PUDESSE usar, se NÃO HOUVESSE outro site de relacionamento que não o do estado para você usar? Não seria horrível?

Pois é, pelos mesmos motivos eu também não confio numa internet ou num site de relacionamento controlado pelo estado quando o PT está no poder (e eu tenho fortes motivos para isso, vide uma estrela vermelha que esteve fincada no jardins do Palácio do Alvorada…). Mas também não confio na imparcialidade ideológica-partidária se o PMDB, o DEM, o PPS, o PDT, o PV ou qualquer outro partido, incluindo o PSDB, estivesse no poder.

É que eu conheço minimamente o SER HUMANO. Ele é falível, ele é corruptível, ele é ambicioso. E não há como suprimir do bicho homem estas características, como desejam e desejavam os sistemas vermelhos que querem/queriam maior controle estatal sobre tudo. O que dá é para canalizar estes defeitos de forma que se tornem molas propulsoras de desenvolvimento e auto-regulamentadores do sistema, que é o que acontece na iniciativa privada, com o modelo de livre-mercado.

E é por isso que o sistema capitalista é mais adaptado ao ser humano, com seus defeitos e virtudes – nem anjo nem demônio, portanto – do que os sistemas comunista/socialista.

O controle estatal sobre qualquer coisa é sempre utópico, porque é utopia um ser humano cuja corrupção e ambição possam ser anulados. Tentar fazer isso é como comprimir uma mola, que uma hora estoura com força total. É o que aconteceu em sistemas de economia planificada totalmente controlada pelo estado.

É este tipo de mentalidade, que prega que "a internet tem que ser estatizada e rigidamente regulamentada", que acaba gerando aberrações como a resolução do TSE que nos amordaçou. Este país precisa entender que, em legislação, menos é mais. Interferência mínima (apenas para coibir crimes –CRI-MES) e eficácia máxima para evitar a impunidade. Só isso. O resto deixa para os usuários.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Aviso

Destaco, sobre o post abaixo e sobre a "Carta aberta aos defensores da democracia brasileira", publicada hoje no jornal Gazeta do Povo, que a exclusão de perfis e comunidades do Orkut está atingindo pessoas e comunidades de todos os partidos e ideologias, do Paraná e de outros estados.

A liberdade de expressão é uma causa que nos irmana como cidadãos, tenhamos nós simpatia e/ou rejeição por qualquer partido, político ou ideologia.

Convido – e até ouso dizer: convoco – a TODOS para defender o direito de expressar-se politicamente na internet.

Letrinhas saindo pelos ouvidos

Republico um texto de 20/08/2008 sobre a questão da mordaça política na internet, imposta pelo TSE:

***


Estes últimos dias foram intensos. Tenho tanta coisa a dizer que às vezes parece que estão saindo letrinhas pelos orifícios da minha cabeça.

Eu entendo que muitos estejam fazendo pouco caso do que está acontecendo.

Uma parte destas pessoas se esquece de que este não é um problema que deve preocupar apenas usuários do Orkut. Trata-se de um precedente que coíbe a manifestação política, a publicidade espontânea do voto de cada um e o debate em busca de outros. Não importa o ambiente, se é aquele que a gente usa ou não. Importa combater o que está errado mesmo que, num primeiro momento, isso não esteja nos atingindo.

Mas a maior parte talvez não esteja se importando muito porque julga que o Orkut é uma coisa para adolescentes e crianças. Enganam-se. O Orkut é uma ferramenta – nada mais que uma ferramenta – como outra qualquer, como um lápis, como um carro.

Um lápis pode ser usado por uma criança para fazer desenhos, mas também pode servir para um grande homem escrever sua obra-prima e ganhar o Prêmio Nobel. E o mesmo lápis pode servir para o chefe de uma quadrilha enviar um recado aos seus comparsas. Igualmente, um carro pode servir tanto para dar um passeio, como para levar alguém ao hospital ou para assaltar um banco. Tudo depende do uso que se dá.

Em especial, o Orkut é uma ferramenta que propicia 1) o reencontro de pessoas que não se viam há muito tempo; 2) a aproximação de pessoas que têm pensamentos ou interesses afins; e 3) o debate franco sobre qualquer assunto, com todas as vantagens e desvantagens que isso tem.

Por isso, creio que é hora de fazer alarido público e junto à imprensa, sim. O fato de interferirem da forma como estão interferindo no Orkut é coisa grave, e deve despertar a atenção dos defensores da democracia e da liberdade de expressão. Essa determinação do TSE simplesmente nos deixou sem ação na internet, como cidadãos. É um descalabro que a justiça impeça que os cidadãos declarem publicamente seus votos (como muitos faziam no seu avatar) em um ambiente privado (sim, o Orkut, embora virtual, é um ambiente privado – já volto a falar sobre isso). É como se entrassem no nosso quintal e dissessem: "não, vocês não podem usar bottons do candidato de vocês, nem balançar bandeiras etc".

Estas coisas costumam funcionar como dominó (se não pode isso, também não pode aquilo; se não pode aquilo, aquele outro também não etc.), como já estão funcionando: hoje à tarde foram apagados mais perfis de nossos amigos, incluindo um em homenagem ao Mário Covas, sem banner nem nada – que, me digam, o que tem a ver com o peixe da eleição deste ano?

Segundo o que estamos vendo acontecer, perfis que simplesmente tenham banner de candidato e/ou seu número estão sendo apagados. Então pergunto: e campanha contra, pode? Por exemplo, se eu quiser colocar um banner com "Eu não voto em corruPTos", ou quiser colocar "Fora Marta" ou "Fora Gleisi", aí pode? E se eu colocar "Geraldo Alckmin Prefeito" ou "Beto Richa Prefeito" no meu sobrenome, aí pode? E se eu pedir votos para as pessoas nas comunidades, mesmo sem ter nada no perfil, pode? E pedir votos para meus amigos (não desconhecidos, o que já caracterizaria spam) em seus livros de recados, pode? Como é que vão vigiar tudo isso? E qual é a diferença entre isso e usar um botton no peito e sentar na mesa de um bar e tentar convencer os amigos a votar no meu candidato? Ou vão querer vigiar isso também? E se eu copiar e colar (com a fonte) a notícia boa e/ou ruim sobre um candidato de um jornal, revista ou portal de emissora de TV num tópico? Ou copiar e colar o comentário do blog de um jornalista de opinião, favorável a um candidato, numa comunidade? Isso não é fazer campanha na internet também? Ou até o jornalista no blog dele vai ser censurado? Por que é que pode elogiar um candidato no blog dele e não pode copiar a opinião dele para cá ou espalhá-la no Orkut? Como diferenciar o que é fazer campanha do que não é? Ou só pode se manifestar "politicamente" (?) na internet quem é jornalista ou ainda não tem certeza de em quem vai votar?

Vou dar o exemplo do meu caso. Não estou oficialmente na campanha de qualquer político. Escrevo o que escrevo e falo o que falo POR CONTA PRÓPRIA, de forma INDIVIDUAL. Nem filiada sou. Não fui contratada, não recebo nada por isso e duvido que os partidos e políticos tenham a menor noção de que eu existo. Não tenho vínculo com nenhum partido ou político, exceto os estabelecidos pelas minhas convicções: sou movida POR ELAS E NADA MAIS. Portanto, já fiz minhas escolhas e tenho lado. E eu não posso manifestar isso no Orkut, usando um banner na minha foto, criando e gerenciando ou ao menos participando de uma comunidade para demonstrar minhas posições e debater os assuntos desta eleição? Não posso criar um perfil exclusivamente para isso, com o intuito de proteger minha intimidade e também meus amigos e familiares das ameaças que já recebi no meu primeiro perfil?

Controles como este que estão tentando impor, nem a própria ditadura militar conseguiu. Para banir de vez a campanha política no Orkut, seria necessário apagar todo o conteúdo da categoria "Política", já que a subjetividade de interpretação é vastíssima. Aí nós ficaríamos em outros fóruns do Orkut, debatendo as melhores maneiras de fazer uma bola de chiclete. Belo país estaremos construindo! E os blogs de opinião, então, terão que publicar desenhos animados e poesias. Quem tem mais de 40 anos sentiu arrepiar os pêlos da nuca, não é?

Antes de terminar este post, é preciso esclarecer uma coisa: o Orkut é um ambiente privado. Quem manda nele é o pessoal que gerencia o Google/Orkut. Nós estamos lá por comodato. Se, do dia para a noite, o próprio Orkut decidir que não quer mais debates políticos (ou religiosos ou sobre futebol, que são os três grupos que mais dor de cabeça dão para eles – e nenhum lucro) no seu espaço, estarão em pleno direito. Seria até compreensível, já que dá para entender perfeitamente que é pesado demais para o Google/Orkut, juridicamente falando, carregar como missão social a manutenção de assuntos tão polêmicos.

Mas, profissionais que são, duvido que os responsáveis pelo Google/Orkut decidissem tal coisa sem um aviso prévio razoável, como se fossem a Rainha de Copas de Alice no País das Maravilhas gritando "cortem-lhe a cabeça!". Ainda assim, não caberia chamar esta situação de censura, e nós não poderíamos impor nossas expressões políticas por lá, cabendo-nos apenas lamentar, fazer back-ups e procurar outro espaço.

Acontece que esta imposição vem de fora. E seria feita mesmo que estivéssemos em outro site de relacionamentos. É claro que o Orkut incomoda mais porque é mais freqüentado, mas, tão logo outro ambiente se tornasse vultoso, sofreria as mesmas sanções.

Aliás, cumpre lembrar que a resolução do TSE diz respeito à toda a internet. Uma vez feita a "limpeza política" no Orkut, aposto que o próximo alvo serão os blogs e qualquer outro tipo de site. E depois, o que mais vão querer vigiar? Os e-mails? As conversas do msn?

Eu realmente não sei o que fundamenta esta resolução do TSE. Num país cuja maior mazela é o desinteresse político da sociedade e o afastamento dos cidadãos de bem dos assuntos públicos, a internet se tornou o lugar perfeito para estimular, seduzir e reaproximar as pessoas do tema, especialmente as mais jovens, dado seu caráter ao mesmo tempo democrático e meritocrático, que dá abrigo a todos sem discriminações de cor, classe, gênero, religião ou idade, fazendo sempre destacar aquilo que realmente tem melhor qualidade.

Estas características tornam a internet atrativa a pessoas de todo nível de qualificação, puxando os debates para cima, uns aprendendo com os outros. E o Orkut, vastamente utilizado pelos jovens, tornou-se um local de especial fertilidade para o assunto. Será que, como disse meu amigo Thiago (ver posts abaixo), temem o envolvimento do jovem ou de mais setores da sociedade com a política? Temem o debate? Céus, mas tudo do que mais precisamos é debate! Debate entre candidatos, debate entre ideologias político-parditárias, debate de idéias, enfim, coisas que, pela legislação atual, não podemos ver mais na TV ou ouvir no rádio, já que tudo virou panfletagem simplória.

Como é que o eleitor vai escolher direito, se está tudo amarrado? Se não é possível saber quem é melhor ou pior, já que plastificaram todos do mesmo tamanho, com este maldito isentismo que é parcial, pois quer que desiguais pareçam iguais?

Entendo que os únicos perfis ou textos que, sendo políticos ou não, devem ser cerceados em qualquer parte, não só no Orkut, são os que cometem ou fazem incitação ao crime (como venda de drogas, referências diretas a grupos armados e milícias etc.), pedofilia e propaganda nazista. Defendo veementemente a liberdade plena de expressão de opinião, sobretudo a política. Sobretudo num país que padece da falta de interesse da sociedade com o assunto. Sobretudo num país onde os maus avançam porque os bons silenciam.

Não silenciem. Não nos deixemos silenciar.

***

Por favor, aqueles que se importam com a democracia e a liberdade de expressão, tão duramente conquistada, por favor, comentem:

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/opiniao/conteudo.phtml?tl=1&id=808972&tit=Carta-aberta-aos-defensores-da-democracia-brasileira

domingo, 14 de setembro de 2008

O país dos Petralhas



Alto lá, em nome da lei




Em O País dos Petralhas, Reinaldo Azevedo, o melhor blogueiro do país, conta sua luta diária com a turma da situação


Diogo Mainardi

Um petralha indignado pergunta a Reinaldo Azevedo como ele consegue dormir em paz. Resposta:
– Com Stilnox.
E conclui:
– Por isso defendo os laboratórios, as patentes e a propriedade intelectual.
Esse é o resumo perfeito de O País dos Petralhas (Record; 337 páginas; 38 reais). O livro reúne os melhores textos de Reinaldo Azevedo sobre o petralhismo, publicados em seu blog em VEJA.com desde junho de 2006 e, antes disso, em sua coluna em O Globo. O que significa "petralha"? Um glossário, no fim do livro, esclarece: "Neologismo criado da fusão das palavras ‘petista’ e ‘metralha’ – dos Irmãos Metralha, sempre de olho na caixa-forte do Tio Patinhas. Um petralha defende o roubo social".
O roubo social é uma disciplina que, praticada pelos operadores do petralhismo entranhados no partido e no setor público, se baseia no – como dizer? – roubo. Pode ser o roubo para eleger um candidato, ou o roubo para enlamear um opositor, ou o roubo para encher as burras de dinheiro. Em geral, tudo isso junto. Para que um petralha possa roubar sem constrangimentos, ele precisa contar com a cumplicidade de outros petralhas, enfronhados na imprensa, na internet, nas salas de aula, nos gabinetes, nos tribunais, nas delegacias, nas rodas de samba. O papel deles é fazer a defesa teó-rica do banditismo, acobertando todos os crimes cometidos em nome do partido. Esta é a gangue que Reinaldo Azevedo combate: a gangue que violenta as idéias, que corrompe os conceitos, que brutaliza a verdade. Se o Brasil do PT é Patópolis, Reinaldo Azevedo só pode ser o nosso Mickey.
Ele, o camundongo sabido de Dois Córregos, é o melhor blogueiro do país. O termo blogueiro, para quem está acostumado só com a imprensa escrita, pode soar ligeiramente depreciativo. Corrigindo: Reinaldo Azevedo é o melhor articulista do país. É o único capaz de passar com desenvoltura de Robert Musil à egüinha Pocotó, de G.K. Chesterton a Marilena Chaui, de Ortega y Gasset a Marco Aurélio Garcia. Com 900 000 páginas lidas todos os meses, seu blog é também um dos mais populares da internet. O resultado é espantoso: se, num dia, ele indica um filme no Youtube, como aquele sobre a pancadaria da PF em Raposa Serra do Sol, no dia seguinte o filme já contabiliza 18 000 espectadores.
Para nossa sorte (eu, Diogo, sou uma das centenas de milhares de macacas-de-auditório de Reinaldo Azevedo, e entro no blog umas cinco vezes por dia, como a média de seus leitores), o melhor articulista do país é igualmente o mais compulsivo. Reinaldo Azevedo trabalha sem parar. Até a última quarta-feira, seu blog já publicara 14 943 artigos. Dois anos atrás, os médicos abriram uma tampa em seu cocuruto e arrancaram lá de dentro dois hemangiomas ósseos do tamanho de bolas de gude. Três dias depois, no quarto do hospital, ele já estava na frente do computador, fazendo chacota de seu aspecto de golfinho Flipper e de seus tumores benignos – o único produto benigno saído de sua cachola.
Reinaldo Azevedo costuma escrever seu primeiro artigo às 3 da tarde, quando acorda, e o último às 5 e meia da madrugada, quando toma seu comprimido de Stilnox e vai dormir. Ao petralha indignado: Reinaldo Azevedo nunca dorme em paz, ele dorme em guerra. Em guerra contra os petralhas indignados, contra os esquerdopatas, contra os tocadores de tuba, contra o Apedeuta (consulte o glossário de O País dos Petralhas). Isso lhe rende, todos os dias, centenas de mensagens ofensivas. Chamam-no de canceroso, de nazista, de Opus Dei. A primeira triagem dos comentários dos leitores, em que se eliminam todos os insultos, é feita por sua mulher. Ela se chama Lilian, mas os leitores do blog a conhecem como Dona Reinalda. Há também as Reinaldinhas, suas duas filhas, Maria Clara, de 13 anos, e Maria Luíza, de 11.
Apesar de estar sempre em guerra, Reinaldo Azevedo se considera "bastante convencional". O que isso quer dizer? Quer dizer que ele chama "crime de crime, ladrão de ladrão, bandido de bandido". E acrescenta: "No auge de minha esquisitice, defendo o cumprimento da lei". Essa é uma idéia repetida incessantemente ao longo do livro. Para ele, "a impunidade destrói qualquer chance de futuro. Se a lei é cumprida, entra-se numa espiral positiva de direitos e deveres". Por isso ele se bate pelas leis e pelas regras da democracia, da gramática, da lógica, dos bons costumes e da patente dos remédios. No país dos petralhas, o assombroso é ficar do lado da lei.

http://veja.abril.com.br/170908/p_138.shtml

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Aécio Neves, 2010 e radicalismos

" O governador [Aécio] defendeu ainda a diminuição do radicalismo, que, segundo ele, tomou conta da política brasileira."
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u443066.shtml

Não posso deixar de comentar, já que estive ontem no meio da muvuca que a presença de Serra, Aécio e Beto Richa promoveram na Boca Maldita em Curitiba.

Não vejo radicalismo entre políticos ou partidos – a não ser os do PT, com seus discursinhos toscamente ideológicos e suas pregações contra as inventadas "herança maldita" e "elite branca/burguesa". Tampouco há radicalismo na imprensa (menos ainda) ou no eleitorado comum, que mal tem tempo de cuidar de seus interesses privados e prefere manter-se alheio ao noticiário político. O suposto radicalismo, então de nossa parte, estaria em blogs como o do Reinaldo Azevedo, na comunidade Fora Lula (alguns por lá são realmente radicais), em outros sites e comunidades oposicionistas. São, enfim, os “foralulistas”.

Se o Aécio não está falando para as paredes, digo, para os petistas e vemelhopatas em geral, entendo que há duas interpretações para o discurso de Aécio: ou ele está falando PARA NÓS, tentando amainar nossos ânimos, ou está falando para o eleitorado comum, num discurso que inventa a problemática (o radicalismo, inexistente para estas pessoas) para depois vender a sua solucionática (conciliação), já que esta população, politicamente distraída, se deixaria levar facilmente por este palavreado construtivo e tão galanteador quanto a imagem do governador.

Se estiver falando PARA NÓS, há no discurso de Aécio uma certa presunção. É fato que o lulo-petismo RACHOU o país entre os que acham este o melhor e entre os que acham este o pior governo que o Brasil já teve. São visões inconciliáveis a curto, médio e longo prazo, porque encontramos aí o choque não só de dois partidos, dois tipos de gestão ou modelos de função e uso do estado, mas, mais profundamente, o choque de duas visões de mundo. É tentador explicar as raízes deste choque através da dicotomia platônica-aristotélica, mas aí já seria dar corda demais para a minha prolixidade (e ninguém precisa me lembrar que esta dicotomia pode ser tomada como falsa; há interpretações e comparativos entre Platão e Aristóteles que atendem a todos os gostos).

O fato é que, ao apresentar-se como alternativa de coalizão, Aécio ganha votos (daqueles que não acompanham a política como nós), mas também ganha a rejeição dos dois lados, daqueles que odeiam e daqueles que amam o lulo-petismo. Enfim: acerta agregando massa votante; erra afastando do PSDB os que acompanham política por gosto, vocação ou paixão, que seriam os embriões de militância do PSDB. A massa votante que Aécio agregaria jamais vai deixar de cuidar de sua vida pessoal para tratar desprendidamente de afazeres partidários.

O governador Aécio ou qualquer outro político do PSDB (isso inclui FHC) acham mesmo que suas declarações influenciarão minimamente os foralulistas? Acham que vão conseguir acalmar os exaltados ânimos oposicionistas destas pessoas? Negativo: vão conseguir é AFASTÁ-LAS do PSDB.

Tudo bem, Aécio pode dizer que o PSDB nem precisa dessa gente radical mesmo… É verdade que a curto prazo o PSDB precisa é de votos, o que, com este discurso, o governador consegue. Sucede que os políticos estrategistas do PSDB estão pra lá de calvos de saber que sem militância o partido NÃO SOBREVIVE A MÉDIO E LONGO PRAZO. E Aécio está enterrando o PSDB com esta conversa, achando que pode “pedir moderação” – e aí está a presunção – aos foralulistas. Ao invés de acalmá-los, o governador os incendeia ainda mais, e desta vez também contra o próprio PSDB.

O que quero dizer com isso? Que não adianta, tucanos: o racha, a radicalização, JÁ EXISTE* (e um pouco por conseqüência da falta de uma oposição consistente, que se adiantasse às nossas preocupações), e nada do que os senhores disserem para amainar os ânimos vai apagar o incêndio. A depender do que digam, provavelmente estarão é transferindo o incêndio para dentro de seu próprio partido.

De tudo isso concluo que o PSDB precisa caminhar numa senda estreita: se se mexer muito para um lado (fazer oposição contundente), perde votos; se saracotear demais para outro lado (como em discursos anteriores do Aécio, que antevêem uma união entre PSDB e PT, nos moldes em que vemos hoje em Belo Horizonte), perde simpatizantes/militantes.

Então, como ganhar em 2010 sem enfraquecer o partido?

Neste ponto concordo com a opinião de FHC, publicada por Veja aqui:
http://veja.abril.com.br/270808/holofote.shtml
(2010 já chegou para a oposição)

Desde o começo de 2007 temos, entre amigos, debatido o assunto. Chegamos à mesma conclusão de FHC: Serra presidente com Aécio vice é a solução mais interessante para o PSDB, que garante votos sem minar o futuro do partido.

É evidente que, antes de mais nada, o PSDB precisa estar unido em 2010. Cerrando fileiras nos seus rincões eleitorais e outras regiões mais que seriam acrescidas com a simpatia do Aécio, o PSDB não precisará disputar os votos do bolsa-família (que parecem ser inamovíveis do lulismo) e poderá fazer uma campanha eleitoral sem precisar se mimetizar com o modelo lulo-petista. Serra sozinho já tem uma aceitação muito grande nas classes mais baixas, mesmo no nordeste, e conta com uma aceitação razoável entre os “foralulistas”. Aécio quebraria um pouco a imagem anti-Lula da candidatura do PSDB em 2010, o que pode ser, gostemos ou não, providencial se a popularidade de Lula se mantiver em patamares próximos ao de hoje.

É claro que consideramos os riscos de uma gestão nestas condições (tendo em vista o que acontece com Yeda Crusius). Mas isso está SÓ nas mãos deles, e Aécio sabe que o futuro dele mesmo depende de um bom mandato de Serra.

Exponho tudo isso para explicar por que não poderia deixar de ir ontem à Boca Maldita (tradicional reduto de debates políticos em Curitiba), onde Serra, Aécio e Beto Richa, acompanhados de outros grandes nomes da política nacional, tomaram um "cafezinho eleitoral básico". Entreguei nas mãos dos dois governadores o adesivo que um amigo mandou confeccionar, com os dizeres “SERRA+Aécio=10”. Muitas pessoas, incluindo o deputado Roberto Freire, que apóia a idéia, fizeram questão de ficar também com um adesivo.

Antes de terminar, quero reiterar minhas opiniões já registradas em vários lugares sobre Freire, com quem tive uma rápida mas franca e agradável conversa. Freire merece sim ser considerado como um político BEM DIFERENTE daqueles esquerdopatas que já nem deveriam existir mais. Além de tudo, faz sozinho mais oposição ao governo Lula que todo o quadro político do PSDB.



* Volto a dizer: o radicalismo existe apenas entre aqueles que acompanham e que gostam de política. Para 99,9% da população brasileira (bom, obviamente descontados os 25% que dependem do bolsa família, pois estes já têm lado e tenderão a defendê-lo de forma radical), é evidente que esta divisão "ideológica", que seja, é transparente. Penso que a radicalização das visões de mundo, ora travestida na guerra entre PT e PSDB, tende a engordar na medida em que as pessoas têm acesso a informação e a debates francos, pois lenta mas inevitavelmente as pessoas vão tomando suas posições. Daí por que lamento profundamente nosso modelo amarrado de campanha eleitoral (que inveja dos EUA!), sem debate franco, sem posicionamento aberto da imprensa, sem choque de idéias. Pior: o único espaço onde isso AINDA era possível, a internet, foi recentemente ceifado por uma ridícula resolução do TSE, sobre a qual já escrevi amplamente em posts anteriores.
Ao contrário do que me parece ser o senso comum, penso que o radicalismo só tenderá a amainar DEPOIS que passarmos por este processo de debates francos e claros. Mantê-los artificialmente suprimidos, como é o corrente, equivale a comprimir uma mola. Porque só debates francos e claros, com confronto de idéias, e não mitos e símbolos mortos ou vivos, podem conduzir a sociedade a um caminho do meio, num processo de longuíssimo prazo em que o fato das idéias permanecerem em extremos inconciliáveis deixe de ser perigoso e impeça o país de amadurecer e galgar avanços.

Ainda sobre o post abaixo

Do Jornal Valor Econômico:

Aécio e Serra disputam favoritismo de Richa

Marli Lima, De Curitiba

Os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, ambos do PSDB, estiveram ontem em Curitiba para participar da campanha de reeleição de Beto Richa. (…) os dois principais nomes do partido que estão de olho na sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fizeram questão de marcar presença num território em que o PSDB domina. Além do encontro com políticos, caminharam até a Boca Maldita, no centro da cidade, para tomar café e tirar fotos com eleitores.
(…)

Os dois alternaram-se nas respostas que foram feitas, elogiaram um ao outro e a Richa e disseram que no tempo certo será definido o que vai acontecer em 2010. "Feliz do PSDB, que tem um nome da qualidade de José Serra em condições de disputar, vencer e fazer uma bela administração do país", disse Aécio. "Sorte tem o partido que tem um nome como o do Aécio para apresentar", retribuiu Serra. "Se alguém alguma vez vir eu puser o dedo em direção ao olho do Aécio, é para dizer que há um cisco", completou.
(…)

Questionados sobre o motivo de estarem numa campanha que consideram vitoriosa, em vez de reforçar outras do partido, os dois riram. "Vir curtir uma campanha que vai bem é um prazer que a gente não pode se furtar", disse Serra. Aécio disse que não teria votos a acrescentar a Richa, mas defendeu que "as pessoas têm o direito de saber quem são seus companheiros. Estamos roendo alguns ossos por aí também", afirmou Aécio. Na Boca Maldita, um grupo distribuiu adesivos com os dizeres 'SERRA + Aécio = 10'. Sobre o adesivo, Serra disse: "Vamos estar juntos, sim".
Ainda em Belo Horizonte, Aécio comentou a sucessão presidencial e disse temer o pós-2010. "Eu temo muito, não o resultado das eleições de 2010, alguém vai ganhar, é natural. Eu temo é o pós-2010. Que ambiente nós vamos encontrar? O mesmo ambiente radicalizado de que quem perde as eleições atua no sentido de inviabilizar as reformas propostas por quem ganha ou nós vamos ter, a partir da maturidade que adquirimos tanto nós do PSDB que governamos por oito anos o Brasil como o PT do presidente Lula que governará por oito anos, uma agenda comum?", questionou.
Aécio voltou a dizer que é necessário colocar os interesses da população à frente dos interesses dos partidos. "Acho que essa construção política de Belo Horizonte é uma sinalização, não que precisa ser seguida por outras partes do país, mas que é possível sim você colocar os interesses da população à frente dos interesses dos seus próprios partidos e acho que quem ganha no final é a população." O governador defendeu ainda a diminuição do radicalismo, que, segundo ele, tomou conta da política brasileira. "Nós sabemos o que precisa ser feito no Brasil. Precisamos fazer reforma tributária, precisamos fazer reforma previdenciária, precisamos enfrentar a questão administrativa, e, antes delas todas, fazer a reforma política." (Com agências noticiosas)


http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/primeirocaderno/politica/Aecio+e+Serra+disputam+favoritismo+de+Richa,08109,,60,5142403.html

ou

http://www.valoronline.com.br/ValorImpresso/MateriaImpresso.aspx?tit=Aécio+e+Serra+disputam+favoritismo+de+Richa&dtmateria=10/09/2008&codmateria=5142403&codcategoria=99

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Uma travessura de quem torce pelo Brasil


http://www.fabiocampana.com.br/?p=12264

http://www.betoricha45.can.br/fotos/galeria/484/9265

http://jpsdbcuritiba.blogspot.com/

A foto não ficou muito espontânea da parte deles, mas tanto Aécio como Serra aceitaram o adesivo atenciosamente (se foi com sinceridade também, aí não sei). Eu entreguei um adesivo para cada um deles em separado, antes de chegar na cafeteria. O vice do Beto, quando viu o adesivo, me puxou lá para dentro (mesmo com minha resistência) para tirar esta foto com os governadores.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Nota conjunta do PSDB, do DEM e do PPS

O Brasil vive hoje uma situação de grave crise institucional. Um atentado a dois dos principais pilares do Estado Democrático de Direito acaba de ser realizado por um órgão – a Agência Brasileira de Inteligência – ligado diretamente ao presidente da República. Esse atentando se concretizou com a quebra do sigilo telefônico dos presidentes do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, além de diversos senadores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebia relatórios periódicos baseados nesses grampos ilegais.

A mera hipótese de que esse fato venha a permanecer não-esclarecido, impune, faz girar para trás vinte anos a roda da democratização do Brasil, que tem no Supremo Tribunal Federal e no Congresso Nacional seus principais guardiões. Trata-se de um atentado ao livre funcionamento do STF e do Senado e, portanto, à própria democracia.

O PSDB, o DEM e o PPS, manifestam sua extrema preocupação com violações tão graves e declaram sua indignação diante da reação frouxa do Presidente da República e de seus auxiliares imediatos.

É preciso buscar nas próprias instituições o antídoto contra o veneno do autoritarismo. Neste momento, porém, é preciso que se diga claramente: cai a zero nossa confiança na capacidade do Poder Executivo de se auto-investigar. O que nos leva a apelar com toda força ao Judiciário, na pessoa dos ministros do Supremo Tribunal Federal e de cada magistrado deste país; ao Ministério Público, ao qual representamos para que se engaje decididamente na apuração dos fatos delituosos; e ao Congresso Nacional, para que saia da letargia, contribua para sua própria defesa diante da gravidade das circunstâncias e atue essencialmente como uma instância de legitimação e apoio às investigações necessárias à defesa da Democracia.

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2008/09/psdb-dem-e-pps-divulgam-nota-conjunta.html

Se eu tivesse mais algum espaço nos meus sentimentos para me indignar mais do que já estou, eu juro que eu o faria.

Meu indignômetro estourou.

Como disse um comentarista do blog do Reinaldo Azevedo:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebia relatórios periódicos baseados nesses grampos ilegais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebia relatórios periódicos baseados nesses grampos ilegais. (!)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebia relatórios periódicos baseados nesses grampos ilegais. (!!)

O PRESIDENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA RECEBIA RELATÓRIOS PERIÓDICOS BASEADOS NESSES GRAMPOS ILEGAIS. (!!!)


Se isso não colocar um ponto final neste governo, eu não sei o que mais ele precisará fazer para merecer ser defenestrado.

Se nada acontecer, as oposições, o Ministério Público, o Poder Legislativo, o Poder Judiciário E A IMPRENSA terão outorgado a Lula e ao PT o direito de fazerem o que mais quiserem. Deverão, pois, TODOS assumir a responsabilidade pelas conseqüências desta vergonhosa omissão, que condenará a democracia brasileira ao definhamento.

Está se fazendo tarde.

DE-SA-LEN-TA-DOR

Estou sem palavras:

TSE mantém restrição a campanha on-line

Na Folha

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) manteve restrições ao uso da internet para divulgação de informações sobre candidatos ao negar a concessão de uma liminar em um mandado de segurança do portal iG.
A empresa alegou que as proibições são ilegais por ferirem os direitos à expressão, opinião e informação previstos na Constituição. O ministro do TSE Joaquim Barbosa, porém, negou o pedido de anulação imediata das restrições.
A ação judicial do portal busca anular os artigos 18 e 19 da resolução nº 22.718 do TSE, que define que a propaganda eleitoral na internet só será permitida na página do candidato destinada à campanha.
O texto legal proíbe que as demais ferramentas virtuais -como sites de relacionamento, salas de bate-papo e blogs- divulguem informação que configure propaganda favorável ou contrária a candidato.
O TSE se baseou na lei 9.504, de 1997, que equiparou legalmente as empresas de internet às de rádio e TV -que só podem funcionar após a obtenção de concessões públicas. A equiparação faz com que as companhias de internet não possam emitir opinião nem dar tratamento diferenciado aos candidatos. Por meio da ação o iG busca ser enquadrado na situação legal dos jornais e revistas, que, por funcionarem independentemente de concessões, não sofrem restrições. A lei também proíbe que as empresas vendam espaço publicitário na internet a partidos políticos.
Na decisão, Barbosa afirmou que as razões apresentadas pelo iG não "traduzem violação a direito líquido e certo, suficiente para afastar a aplicação da resolução do TSE". "Assim, não vislumbro, no momento, a alegada inconstitucionalidade" afirmou, sucintamente.
O mérito do mandado de segurança ainda será julgado pelo plenário do TSE.

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2008/09/tse-mantm-restrio-campanha-on-line.html