segunda-feira, 7 de abril de 2008

Terceiro mandato para Lula: na real, o que eu acho

Dado o comportamento do presidente e seus apoiadores, é difícil negar que Lula e o PT querem a todo custo um terceiro mandado. Mas acredito também que eles darão passos discretos neste sentido para medir a reação da sociedade e só agirão clara e efetivamente se tiverem certeza de que vão conseguir seus objetivos. Daí por que é tão importante gritar, espernear, fazer barulho contra isso. Se não for possível mobilizar a opinião pública para frear o processo, a sociedade não colocará limites para as ambições de Lula e do PT.

Ao contrário, se este limite for claro e vier logo, este pleito terá fim e aí eu não tenho dúvidas de que o PT irá esfolar a máquina pública para eleger em 2010 um sucessor que 1) preferencialmente NÃO QUEIRA ou 2) ao menos NÃO SEJA CAPAZ de fazer uma despetização do estado, para que a volta de Lula em 2014 possa ser garantida com maior facilidade.

É claro que a primeira opção deles será alguém do PT. Se não der, apoiarão Ciro Gomes mesmo, nem que seja no segundo turno. Depois dele, seguirão como leque de opções uma escala de preferências que vai da menos opositiva para a mais opositiva. No fim desta lista estará o candidato do DEM ou o candidato que o DEM apoiar. E em penúltimo lugar eu aposto que estará o Alckmin, seguido do Serra. Ficam desde já claras também as minhas escolhas.

O preocupante é que há um corpo-mole da classe média para fazer oposição a Lula e ao PT. Obviamente ela não está satisfeita com o governo (e não só porque ele não a atende, mas porque ela é o único setor da sociedade capaz de perceber os erros estruturais, já que é a menos dependente do estado), e no entanto não se movimenta, não faz barulho, não se manifesta, não diz o que pensa. Esta imobilidade pode nos custar caro, porque quaaaando e se ela resolver ocupar a função que sempre deveria ter ocupado - de carro-chefe da sociedade - pode ser tarde demais. Aí, eu até sei o que vou ouvir dos mais próximos:

"ah, mas que barbaridade!
ninguém vai fazer nada?
se deixarem, o povo ignorante vai votar no Lula outra vez!"

Ao que direi:

O que VOCÊ fez para que não chegássemos a este ponto?

3 comentários:

Aleste Crai disse...

Minha pequena contribuição para conscientizar algumas pessoas são os meus posts no blog que mantenho com dois amigos.

No mais recente, coloquei um trecho de um post do seu blog, citando-o, claro.

Se puder, passa por lá pra ver se aprova.

PS: O blog é http://etardevoudormir.blogspot.com
e meus posts podem ser lidos isoladamente em
http://etardevoudormir.blogspot.com/search/label/Aleste%20Crai

Não tente me entender... disse...

E você???

Infelizmente não gosto de politicália, ops... política!

Mas gostei do seu Blog, parabéns!

Tenha um domingo feliz!
Bjs

J J Trellez disse...

Pelo que se pode compreender do texto, existem:

- Uma minoria que vive das regalias que o sistema lhe dá, não precisa que nada mude.

- Uma imensa massa de manobra, 'dopada' por assistencialismos e falsos benefícios.

- Uma classe média, achatada e arrochada, por uma economia presa ao capital especulativo, ou seja, volátil, impostos sufocantes e, para completar, tolhida de liberdade de expressão.

Mas o que fazer?

A 1ª categoria detem a maior parte do capital e o poder político (além de ir a Miami e a NY fazer compras regularmente), não quer mudar.

A 2ª categoria listada, que é a grande maioria da população, não quer mudar, ja que é facilmente manipulada pela 1ª, ainda que pense o contrário, pois age com rancor e ódio, ao ver que não possui o que a classe social imediatamente superior possui (e a culpa por isso, não por sua própria inaptidão e despreparo).

E quem é essa outra classe? Sim, é a classe média, que paga colégio, paga plano médico, que paga pedágio, que paga IOF, que paga inteira no cinema, enfim, que tudo paga e nada recebe do Estado.

(Aliás, a festa das carteiras de estudante fraudulentas é mais um 'benefício' que os estudantes, aqueles que deveriam ser mais conscientes, fazem-se de coitados para recebê-lo, ao invés de rechaçar tal suborno para ver cinema enlatado e de baixa qualidade).

Falta cobrar? Sim, falta. Mas quando? Esta classe precisa se preocupar em trabalhar, em empreender, em vencer impostos e custos altíssimos, não lhe resta tempo, tampouco energia para reivindicar.

E a quem restaria tal tempo e tal energia? Ao que não lhes interessa mudar o 'status quo' da nação, vejam só!

Ciclo vicioso? Sim. País viciado? Talvez. Ou seria somente a vocação de uma terra, a de ser meramente explorada e espoliada, é "tirar pau-brasil e levar pra Europa", é vender suco de laranja para os "States" e beber suco Del Valle embalado a vácuo, vindo do México (filial de língua asteca dos próprios "States", que vive o mesmo dilema tupiniquim) ao triplo do preço.

Esta terra "deitada eternamente em berço esplêndido", só vai acordar quando esta mesma classe média extinguir-se, ou por falência do próprio sistema ou por desistência, ao imigrarem para países socialmente mais equilibrados, como Canadá e Austrália.

E, sinceramente, quando chegarmos a este ponto, já será tarde, tarde demais.