segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Serra presidente, Aécio vice



PSDB paulista articula chapa puro-sangue para 2010
Pela fórmula, José Serra seria candidato agora e Aécio Neves, em 2014

Carlos Marchi

A cúpula do PSDB em São Paulo tomou a decisão política de trabalhar por uma chapa puro-sangue para a Presidência em 2010 e começa conversas para convencer o governador Aécio Neves (Minas) a ser candidato a vice do governador de São Paulo, José Serra. A fórmula, que tem forte inspiração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - que chamou para si o papel de mediador da escolha -, estipula que, num eventual governo Serra, Aécio seria bem mais que um vice: assumiria um importante ministério da área social para ganhar densidade nacional.

A idéia não opera meramente com uma candidatura para 2010, informa qualificada fonte do partido, mas com um projeto de poder que pretende se expandir para, pelo menos, dois mandatos presidenciais. Aécio seria candidato a vice e, se a chapa puro-sangue vencesse, assumiria a Saúde ou a Educação, para comandar uma grande revolução na área. Seguiria, assim, a mesma receita que fez de Serra uma referência nacional, a partir de 1998, quando assumiu o Ministério da Saúde.

Assim, Aécio se transformaria em candidato natural à sucessão seguinte, numa reedição moderna da política do café-com-leite que vigorou no início do século 20. Para repetir a receita, o mineiro teria inserção especialíssima num futuro governo, sugerem tucanos paulistas. Ele participaria das grandes decisões e se tornaria candidato natural à sucessão.

Para garantir o acordo, Serra e o PSDB patrocinariam a extinção da reeleição a partir do candidato eleito em 2010, o que seria votado pelo Congresso em 2009, aparentemente sem dificuldades, já que o PT também apoiaria a mudança.

Por enquanto, Aécio resiste à idéia da chapa puro-sangue, argumentando que uma sadia disputa interna ajudaria a mobilizar o partido nacionalmente. Ele insiste em que o PSDB, antes de buscar um candidato, deve definir um projeto para o País. Quando ouve o argumento de que ainda não tem a mesma densidade eleitoral de Serra, admite - como esta semana - que nunca disputou uma eleição nacional, mas mesmo assim já consegue índices animadores nas pesquisas eleitorais.

LEGITIMIDADE

Os serristas falam com extrema cautela da negociação; eles reconhecem, desde já, o "direito" de Aécio postular a candidatura. A expressão que mais usam é que a pré-candidatura de Aécio "é legítima". Em São Paulo, ninguém acredita, no entanto, que os interesses cruzados possam redundar em conflito político.

Uma das garantias de paz, qualquer que seja a fórmula para definir o candidato em 2010, é o papel de FHC - a única pessoa capaz de falar a Serra e Aécio com eqüidistância.

Os tucanos paulistas, porém, estão mesmo de olho é no possível resultado eleitoral de uma chapa puro-sangue. Eles acham que Minas precisa aderir ao projeto para evitar o descompasso que ocorreu em 2002 e 2006. No primeiro turno de 2002, Aécio teve 58% dos votos para governador e Serra, 23% para presidente; em 2006, no primeiro turno, Aécio teve 77% na reeleição e Geraldo Alckmin, 40% para presidente. O cuidado dos tucanos tem outro viés: uma chapa puro-sangue uniria dois Estados que representam 43 milhões dos 130 milhões de eleitores do País.

Aécio, pelo que se sabe, não se mostrou atraído pela fórmula. Diz que é candidato a presidente pelo PSDB, não pretende mudar de partido e, se não for indicado, concorrerá ao Senado em 2010, com o objetivo de presidir a Casa a partir de 2011.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081214/not_imp293562,0.php


***


É exatamente o que há muito já venho pedindo, conforme texto de setembro: http://brasileirainsone.blogspot.com/2008/09/acio-neves-2010-e-radicalizao.html

Espero que o PSDB – recado em especial ao Aécio – saiba ter humildade para não perder de novo em 2010. A proposta é extremamente interessante para Aécio. Por outro lado, a candidatura de Aécio seria derradeira para Serra. E deixemos a ingenuidade de lado: ainda que um declare apoio ao outro, será difícil ter entendimento e adesão verdadeiros fora deste projeto, cumprindo o perdedor e principalmente seus militantes apenas a tarefa de não atrapalhar a candidatura do outro – o que já é grande coisa, diga-se, mas não o suficiente para dar calço à vitória em 2010.

Com esta convicção, o adesivo e a camiseta que ilustram este post estão sendo usados há mais de um ano por mim e alguns amigos. Somos aquele raro e estranho tipo de pessoas que veste a camisa daquilo que acredita.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Flashback

Estava eu ouvindo o Jornal da Globo quando fui surpreendida pela manchete: "Passageiro é flagrado em Cumbica com euros em meias e cueca". A primeira coisa que eu pensei, juro, foi no título do post que eu faria para o blog: "PT exporta tecnologia para transporte de dinheiro ilegal na cueca".

Que ingenuidade a minha de pensar que o fato só poderia ter acontecido com algum personagem completamente alheio à nossa política! Mas quê! É a turma do mensalão outra vez, conforme se lê aqui:
http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL915701-5605,00.html

Agora, falando sério, pergunto: entre a primeira cueca com dólares e a segunda com euros, quantas outras passaram e nós não ficamos sabendo?

Oposição reage à cara-de-pau petista – felizmente

NOTA À IMPRENSA

O PT esgotou seu prazo de carência para atribuir ao passado a culpa pelos efeitos da crise econômica. Depois de seis anos do Governo Lula, a legenda do oficialismo surpreende o País com uma dupla incongruência: se o Presidente oficializou a versão, evidentemente falsa, de que o Brasil não sofre os efeitos da crise econômica, como atribuir a onda de desemprego e de forte recesso das atividades produtivas ao "governo anterior"?

Como governistas no poder podem culpar o "passado" por uma "realidade" que o seu Presidente nega peremptoriamente?

As manifestações petistas refletem o pânico que vivem em função das reações da população, por eles mesmos expostas detalhadamente na reunião de São Roque (SP). Reconhecem a crescente incapacidade do Governo para enfrentar a crise e indicam que escolheram um perigoso e débil álibi: queixam-se de um passado remoto - o qual denominam "governo anterior" - a que já tiveram tempo suficiente não apenas para superar, mas para revogar e denunciar seus atos, o que jamais fizeram.

Após seis anos de juros altos, de populismo cambial, de permissividade nos gastos públicos, de escândalos financeiros e corrupção disseminada e acobertada, o PT e o Governo Lula não apenas têm todas as culpas como, além de procurar bodes expiratórios remotos, mostram-se incapazes de apresentar à Nação um programa efetivo e transparente de ações do Estado brasileiro para enfrentar os reflexos do quadro de evidente calamidade para o qual caminha a economia mundial e que se agrava a cada dia.

Em vez de convocar as forças vivas da Nação, independentemente e acima das divisões partidárias, para a indispensável mobilização da sociedade, os petistas partem para provocações mesquinhas e facilmente desmoralizadas.

O Governo Lula já representa o próprio passado de que reclamam os petistas, que, portanto, atingem a si mesmos.

Roberto Freire
Presidente Nacional do PPS

Rodrigo Maia
Presidente Nacional do DEM

Sérgio Guerra
Presidente Nacional do PSDB

http://www.blogdemocrata.org.br/permalink.asp?scroller=Y&id={54DD7217-55F0-4825-B03A-A2089D6E778E}
http://portal.pps.org.br/portal/showData/139324
https://www2.psdb.org.br/noticias.asp?id=38379

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Para começar mal a semana

Conferindo meus e-mails, me deparo com esta notícia:

PT empurra responsabilidade pela crise para oposição
De olho na sucessão presidencial em 2010, o PT já prepara o discurso eleitoral para neutralizar eventuais impactos da crise financeira sobre uma candidatura petista. A estratégia é empurrar para os principais adversários nas próximas eleições, o PSDB e o DEM, a responsabilidade por dificuldades econômicas que venham a surgir nos próximos dois anos.
http://br.noticias.yahoo.com/s/08122008/25/politica-pt-empurra-responsabilidade-pela-crise.html


O PT não tem mesmo nenhum pudor de rachar o país para formular um discurso que convença os incautos a os manter no poder!

A cada vez que o PT faz uma dessas, mais distante fica qualquer possibilidade de conciliação entre petistas e anti-petistas. Às vezes parece-me que esta radicalização nem é um efeito colateral, mas um objetivo que eles propositadamente ambicionam: acirrar as disputas internas, rachando o país, para, aproveitando-se da falta de educação da população, apontar, isolar e esmagar seus inimigos, e assim manterem-se no poder.

É verdade que a política, por dentro, não é bonita ou muito digerível. Mas não, não é verdade que posicionamentos como este do PT sejam naturais na política. O PSDB não é assim, a política não é assim. É o PT que não tem limites, é o PT que rebaixa a política, que rebaixa as instituções, que faz pouco da democracia. É o PT que, para usar uma metáfora, diz que prefere ver a esposa morta a separar-se dela.

Infelizmente o PSDB não tem sabido aproveitar a (saudável e democrática) indignação que o PT causa a nós e a muitos outros para formar a militância de que tanto precisam, ao invés de carregar nas costas, sozinho, toda a coerência e a responsabilidade pelo país que o PT não tem.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Câmara aprova a criação de milhares de empregos

… NA CHINA!

Câmara proíbe demissão de trabalhador cuja mulher esteja grávida
Agência Câmara
BRASÍLIA - A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara aprovou hoje, em caráter conclusivo, o projeto de lei do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) que proíbe a dispensa arbitrária ou sem justa causa do trabalhador cuja mulher ou companheira esteja grávida, durante o período de 12 meses. Esse período será contado a partir da concepção presumida, comprovada por laudo de médico vinculado ao SUS. O projeto segue para o Senado.
(…)

http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/12/04/e04128623.html

Agora o trabalhador brasileiro já sabe o que fazer quando estiver com medo de perder o emprego, não é?

Lula, o estadista sifú

Se alguém tivesse me contado, e eu não tivesse visto, não acreditaria:

http://www.youtube.com/watch?v=vpv9yJxmjp8

E que não passe despercebido o impulso irrefreado da choldra de alterar a história e passá-la a limpo, é claro, conforme sua ótica. Não, o som não estava "inaudível", mas quem sabe um dia as pessoas se esqueçam do que viram e ouviram e finalmente o mundo seja convencido de que Lula foi um estadista, não é? Se não fosse o youtube bem que isso estaria passível de acontecer mesmo…

Não bastasse, no mesmo dia Lula também se disse discordante do discurso "politicamente correto". Ah é, é? Olha só quem fala! Logo quem só existe como conseqüência direta do politicamente correto! Se não fosse o medo das pessoas, e principalmente do jornalismo, de serem chamadas de preconceituosas ou de elitistas, Lula jamais estaria na presidência.

Lula só é o que é porque não sabe ser diferente – portanto não tem postura para ser presidente – ou porque não tem o mínimo apreço pela instituição que representa, pois não entende o que ela significa.

E ainda faltam dois anos.

Que saudades de FHC.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Agradecimento aos amigos da Confraria do Chapéu


Obrigada a todos pelos comentários, aqui e no blog do Reinaldo. É verdade que minha alegria de testemunhar que o Reinaldo existe sim, de verdade, ficou estampada no meu rosto de orelha a orelha, como dá para ver na foto acima (créditos ao Marcio e sua câmera, que para ser perfeita só falta tocar acalantos). Mas vocês é que são bondosos. Escrevo isso com a maior sinceridade: faltam-me muitos, muitos livros para ser merecedora de tantos elogios. Enquanto corro atrás de merecê-los, só tenho a desejar que as palavras de vocês sirvam igualmente de estímulo a quantos outros.

Um PS para Weimar e Dona Cremilda: quando vocês vêm a Curitiba? Não vou perdoá-los se não me avisarem. Meu marido – que também é um dos meus mestres – está cobrando o abraço pessoalmente.

Outro PS para todos os professores e alunos de universidades leitores do Reinaldo: resistam!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Reinaldo Azevedo em Curitiba

Dizem que o curitibano é frio, é distante, é indiferente. Dizem que é até xenofóbico. Eu não sei se tudo isso é mito ou se só somos diferentes com quem gostamos muito. O fato é que, parece-me, hoje fomos sim bastante "calorosos" com o Reinaldo, para usar a palavra que ele mesmo empregou para nos adjetivar. Quando ele foi apresentado pelo rapaz da livraria, os aplausos começaram e demoraram um tempão até parar. O Reinaldo querendo começar a falar e a gente aplaudindo, aplaudindo, aplaudindo… A mesma coisa se deu quando ele terminou de falar, além de ter sido espontaneamente aplaudido por duas vezes enquanto respondia às perguntas, interessantes, dos leitores. Eu não cronometrei o tempo, mas acho que o ouvimos por cerca de duas horas. Pessoas que não o conheciam ficaram impressionadas com sua clareza, com sua contundência, com seu posicionamento. Acreditem: o Reinaldo é avesso a simplismos e a raciocínios simplórios, mas é um homem extremamente simples e apaixonado pela esposa e pelas filhas, de quem fala com os olhinhos brilhando.

Creio que havia entre 150 e 200 pessoas. A livraria estava cheia, muita gente em pé, muita gente com muitos livros nas mãos. Aliás, não sei como não levei uma bronca, porque eu pedi autógrafos em seis livros e meu marido em mais dois. Haja paciência do Reinaldo com todo mundo… E no final, o Reinaldo ainda deu mais uma entrevista e atendeu a um telefonema do Gerald Thomas, direto de Nova Iorque. O Reinaldão é impossível: quase nem dormiu na manhã de quarta-feira e ainda agüentou toda essa programação. Desconfio que hoje ele nem vai precisar de Stilnox para cair na cama e dormir no segundo seguinte.

A organização está de parabéns. Tudo transcorreu bem e só temos a agradecer, tanto à livraria Curitiba quanto à editora Record. Estamos agora esperando o lançamento do próximo livro do Reinaldo, viu Record? Viu, livraria Curitiba? Gostamos da brincadeira, e vamos querer repetir a dose – venha sempre, Reinaldo, que a casa é sua.

Foi muito estimulante conhecer outros comentaristas do blog, como o Flávio M., o Cleto e o Vampiro de Curitiba, bem como reencontrar amigos que o lêem diariamente também há quase dois anos, como a Elite, a Yolete, a Teresinha e a Nani, que veio de Cascavel (uma noite de viagem!) só para conhecê-lo. Mas a grande surpresa para mim foi ter reencontrado, quase 10 anos depois de formada, um professor que me deu aulas de Filosofia na UFPR, o Breno. Não é surpreendente? Um professor de universidade pública muito fã do Reinaldo, que lê tudo o que ele escreve! Um professor de universidade pública que não é tomado pela esquerdopatia! E na área de humanas!

Falando em ser fã do Reinaldo, recebi hoje no meu blog alguns comentários me acusando de "pensar através da cabeça do Reinaldo", de "não pensar por mim mesma". Ora, penso sim: que esses que me escreveram são uns bobalhões arrogantes. Não tenho medo de ter mestres. Mas eu sei escolher os pensamentos que eu quero que, junto com outros, me sirvam de guia, os textos que eu quero que me acrescentem, as idéias que realmente me fazem uma pessoa melhor – na minha vida privada inclusive, não apenas intelectualmente falando. Medo eu tenho é de quem não tem mestres, ou de quem acha que pode ser o mestre exclusivo de si mesmo. Afinal, o único mérito que de fato temos nesta vida é termos sabido escolher bons mestres, termos sabido escolher as boas lentes para ver e entender o mundo. Essas são as escolhas que vão nos encaminhar para todas as demais escolhas, a começar pelos primeiros mestres, que não escolhemos, que são nossos pais. Para estas pessoas que me escreveram hoje, deixo o poema "Blanco", que conheci pela voz de Marisa Monte em música de mesmo nome, mas que, pelo Google, é de autoria de Carlos Fuentes:

Me vejo no que vejo
como entra por meus olhos um olho mais límpido
E olha o que eu olho
É minha criação isso que vejo.
Perceber é conceber águas de pensamento.
Sou a criatura do que vejo.


E para todo mundo que também aproveitou a noite de hoje, deixo algumas das fotos que tirei na minha câmera:





terça-feira, 25 de novembro de 2008

“O pensamento politicamente correto levou à demonização da divergência”

Entrevista de Reinaldo Azevedo a Marcio Antonio Campos
Na Gazeta do Povo, domingo 23/11/2008

Há um ano, o PT realizava seu 3º Congresso Nacional e divulgava um vídeo em que, entre outras afirmações, defendia que “não há qualquer exemplo histórico de uma classe que tenha transformado a sociedade sem colocar o poder político de Estado a seu serviço”. O jornalista Reinaldo Azevedo, articulista da revista Veja, tem se dedicado a mostrar, em um dos blogs de política mais lidos do Brasil, como o PT coloca o Estado a seu serviço. Em O País dos Petralhas, livro que Azevedo lança quarta-feira em Curitiba, ele seleciona textos publicados no blog, além de artigos publicados nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo. Ao longo da obra, o leitor revive escândalos de corrupção, tragédias aéreas, bizarrices de presidentes vizinhos e até a visita do Papa ao Brasil. Confira alguns dos trechos da entrevista que Azevedo deu, por e-mail, à Gazeta do Povo.

Gazeta do Povo - A esquerda conseguiu associar "direita" e "ditadura" a ponto de haver uma vergonha coletiva em se dizer "de direita". É possível escapar dessa armadilha em um país onde a memória do regime militar continua relativamente fresca?
Reinaldo Azevedo
- O único caminho é demonstrar que isso é falso e, claro, correr o risco de não ser devidamente compreendido. Mas esse é o risco permanente de quem decide participar, de algum modo, do debate público. E eu, sem ser político, participo. A rigor, o trabalho de todo jornalista tem essa dimensão. Não estou certo de que exista uma memória negativa do regime militar. Acho até que acontece o contrário, o que não é exatamente bom. Afinal, falamos de um período em que não havia democracia. Acho que a associação negativa se dá entre "direita" e a tal "exclusão social". Aí, sim, a esquerda é eficiente em propagar essa mentira. E, em certos ambientes subuniversitários, logo alguém se lembra de sacar aquela tolice do Bobbio segundo a qual um direitista é sempre um defensor do statu quo, e um esquerdista, alguém interessado em justiça. É uma definição pobre e estúpida.
E qual é a sua definição, então, de esquerda e direita?
Destacando que a minha definição vale para sociedades democráticas, com leis democraticamente votadas e instituídas, acho que o esquerdista é aquele que acredita que a lei possa ser transgredida para fazer o que ele chama "justiça social", e o direitista é aquele que está certo de que a transgressão legal provocará sempre mais injustiça. Para um direitista, nessa acepção, o caminho das mudanças é sempre a reforma institucional. Nessa definição, é evidente que sou, então, de direita.

Está se espalhando na sociedade um modo binário de pensar: quem critica o delegado Protógenes é acusado de defender Daniel Dantas; quem critica o revanchismo da Lei da Anistia é chamado de "defensor de torturadores"; críticos do PT são rotulados de tucanos; adversários do MST são chamados de amigos de grileiros; opositores do socialismo são acusados de defender a exploração dos trabalhadores. Como se chegou a um nível tão simplista de debate político?
Chegamos a esse ponto com a demonização da divergência, graças ao pensamento politicamente correto. Perdemos os matizes, que são uma característica fundamental do mundo e do pensamento. É evidente que sempre participamos de um debate com conceitos de "certo" e "errado". Isso é correto, é legítimo. Todos temos uma moral privada, pessoal, e adotamos uma ética pública, para o coletivo. Isso só se dá porque fazemos escolhas: "Isso eu aceito, isso não". Pois bem. É preciso que fique claro que o outro também faz escolhas. E que elas podem não ser as minhas, nem por isso menos legítimas.


Quer dizer que todo pensamento, então, tem legitimidade e merece ser respeitado?
Não! De maneira alguma!

Então explique o que parece ser uma contradição com a sua resposta anterior.
No meu mundo, é proibido, por exemplo, solapar as regras do jogo democrático. Eu não tenho de ser tolerante com quem tenta destruir as leis que me garantem a liberdade, por exemplo. Não posso ser estúpido de permitir que meu inimigo, em nome dos valores dele, tente me silenciar, enquanto eu, em nome dos meus, garanto seu direito à palavra. Democracia requer reciprocidade e respeito às regras do jogo. O lugar de alguns líderes do MST é a cadeia não porque eles queiram reforma agrária, mas porque invadem propriedades privadas produtivas. E isso está fora da regra do jogo. O que é legítimo? Que eu ache a reforma agrária uma estupidez e que eles achem uma coisa boa. Mas eu tenho de seguir a lei, e eles também.

Muitos dizem que você é excessivamente agressivo às vezes; que, em certas circunstâncias, você pode deixar de lado a argumentação elegante. Na sua opinião, isso ocorre? Não há o risco de se fazer uma caricatura do "Reinaldo briguento"?
Cada um chame como quiser. Não me preocupo com isso. Já classifiquei alguns de "vagabundos" e "ratazanas"? Já. E não me arrependo. Se preciso, chamo de novo desde que se comportem como vagabundos e ratazanas. Não respeito quem faz jornalismo a soldo; não respeito quem, sob o pretexto de combater um empresário bandido, recebe dinheiro de outros empresários bandidos. Ora, isso não é jornalismo nem debate público. É coisa de gente mafiosa. Como também desprezo quem aluga sua pena ao governismo - geralmente, qualquer governo. Acham deselegante? Paciência. Já passei da idade de retribuir com flores quem vem com pedrada. Prefiro o bom argumento. Se querem enfiar o dedo no olho, também faço isso com excelência. Se você me pedir que diga se me acho muito bom no debate elegante, deixo para você julgar. Se você me perguntar se me acho muito bom em enfiar o dedo no olho do adversário, responderei sem hesitar: sim, sou muito bom. Quanto à caricatura, ela seria feita de qualquer jeito, ainda que eu fosse sempre um anjo de delicadeza. Veja o que fizeram com José Guilherme Merquior. E não estou me comparando a ele, não. Ora, sempre foi um príncipe, no texto e no trato pessoal. Era tomado como sinônimo de truculência e servilismo à ditadura. Agora morto, dizem: "Ah, ele, sim, era elegante, não esse Reinaldo, esse Diogo, esse Nelson Ascher". Para eles, conservador bom e delicado é conservador morto.

Em abril de 2007, você comentava no blog que "o povo é de direita" (página 140 do livro) e apontava as falhas do DEM, incapaz de representar essa parcela da população. Alguma coisa mudou nesse ano e meio? O que falta para o DEM se tornar efetivamente um partido que represente os brasileiros "de direita"? Quem são os possíveis líderes de uma eventual direita brasileira? Existe algum deles no Paraná?
Começo pelo fim. Não me atreveria a citar possíveis líderes porque eles podem não gostar... fiz aquela afirmação com base numa pesquisa do Datafolha que demonstrava que os valores do tal "povo" são conservadores. E que nenhum partido, nem o DEM, assume essa perspectiva. Dou um exemplo claro: a população brasileira é majoritariamente contrária ao aborto. Mas não há um só partido com essa diretriz no país. Pior: os líderes políticos preferem driblar o assunto. Por quê? Medo de uma imprensa que é majoritariamente pautada pelos valores de esquerda. Eu não gostei quando o PFL mudou de nome, para DEM, porque a palavra "liberal" desapareceu das legendas brasileiras. Mas acho que o partido tem assumido posições corajosas, como fez liderando a resistência à CPMF. Mas não acredito que vá querer se colocar como uma legenda de direita, a exemplo do que acontece nas democracias européias. Seria esmagado pela imprensa. Não custa notar que ela chama o Democratas de "demo". Ora, não se trata apenas de uma forma sincopada: trata-se, literalmente, da demonização de uma partido que não reza segundo a cartilha de esquerda. Mesmo sendo moderadíssimo.

Você vê algum partido europeu ou norte-americano que poderia servir de exemplo para a direita brasileira? Se existem, que características você destacaria nesses partidos que podem ser transpostas à nossa realidade?
Essa transposição é muito difícil. Cada uma dessas direitas está profundamente ligada à história local. Veja o caso dos franceses: tem-se ali uma direita antiamericana, por exemplo, uma questão derivada do século 19, reforçada depois pelo gaullismo. A espanhola tem características ligadas à Igreja Católica que são muito próprias. A direita italiana vive a sua fase circense... eu tenho grande admiração por tudo aquilo que os republicanos representam nos EUA. Ali se trava ainda uma luta que considero essencialista: o indivíduo contra o Estado. Tenho enorme admiração por aquele "meião" vermelho, vermelhos republicanos que dizem “deixem-me em paz”. São ridicularizados pelo militantismo politicamente correto porque este não cessa de ser estúpido. De lá saíram os soldados que atravessaram o Atlântico ao menos três vezes para lutar na Europa. A Normandia esconde muitos cadáveres daquela brava gente.


Você critica o PT por tentar destruir a oposição, a ponto de haver petistas dizendo que o DEM deveria ser extinto. Em Curitiba, há um cenário em que a oposição na Câmara é praticamente inexistente, e o Legislativo municipal atende a todas as vontades do prefeito, que é do PSDB. Como você avalia essa situação?
Não conheço a situação curitibana. Em tese, a inexistência de oposição é ruim para a política e para os cidadãos. O que não quer dizer que toda oposição seja boa e de princípio. Há gente que resiste a isso ou àquilo para aumentar o valor do resgate... mas aí é preciso fazer uma distinção: o PSDB é um partido com um projeto "hegemonista"? Não! Ainda que, em Curitiba, seja como você diz. O PT votou contra todos - TODOS - os projetos modernizantes do governo FHC. Aliás, negou-se a homologar a Constituição. PSDB e PFL, agora DEM, pagaram na mesma moeda? Não: ajudaram o PT a fazer a reforma da Previdência que o PT os impediu de fazer, por exemplo. Você já viu tucano ou democrata atacando o superávit primário ou a Lei de Responsabilidade Fiscal? Você os viu tentando sabotar o PAC ou, agora, as MPs contra a crise? Isso é participar do jogo democrático. Não são partidos que lidam com a lógica do presente eterno.


Caso o PT não consiga emplacar um nome viável para 2010 e perca as eleições, e considerando o sucesso dos métodos de Gramsci usados hoje, você vê possibilidade de um retorno de Lula em 2014?
Lula será sempre uma ameaça de retorno... se o PT perder as eleições em 2010, veremos de novo o PT que conhecíamos até 2002: vai tentar inviabilizar o próximo governo. E estará numa posição privilegiada para isso, já que tem o domínio dos sindicatos, está infiltrado no Judiciário, no Ministério Público, na Polícia Federal, na Abin, nas estatais, nos fundos de pensão, na padaria da esquina... o PT aparelha até festa de batizado e velório. Ora, o partido e a CUT, que é seu braço sindical, deram apoio, em São Paulo, a uma greve de policiais civis que foram armados às ruas. Destaco: greve de gente com arma na mão. Um coronel da PM foi baleado. O nome disso é sabotagem.

O primeiro capítulo de seu livro reúne textos sobre a imprensa, e sobre como ela engole facilmente qualquer versão esquerdista da realidade. É possível "desaparelhar" as redações no Brasil? Como?
Se soubesse, juro que diria. O fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista, no médio prazo, pode ser útil. Escolas de jornalismo são verdadeiras madraçais da esquerdopatia. Elas odeiam a imprensa. No mais, o caminho é fazer o debate público. Até porque nem todo mundo sabe que está seguindo uma cartilha.

No livro Bias, Bernard Goldberg fala do viés liberal da imprensa norte-americana, e afirma que muitos jornalistas não acordam de manhã e decidem atacar os conservadores; eles fazem isso automaticamente porque aprenderam a pensar assim: que os conservadores são maus. Esse pensamento é tão impregnado que o jornalista nem precisa ter a intenção de agir como age. Você vê esse "aparelhamento inconsciente" no jornalismo brasileiro?
Concordo, claro. Realiza-se a antevisão de Gramsci, segundo quem o Moderno Príncipe, que é como ele chamava o partido que conduziria a passagem para o socialismo, deveria atuar como um novo "imperativo categórico", como um "laicismo moderno". Até para se opor ao Moderno Príncipe seria preciso pertencer ao Moderno Príncipe. O caso dos palestinos é muito ilustrativo. Nove entre dez jornalistas são capazes de jurar que as lideranças palestinas praticam apenas resistência e são meras vítimas das maldades de Israel. Por quê? Porque a causa foi adotada pelas esquerdas, e eles se tornaram vítimas oficiais do establishment esquerdista da academia e da imprensa. As pessoas se contentam em ser ignorantes, desde que sejam tidas como generosas.

Quem lê seu blog sabe que você é um admirador de Bruno Tolentino e de Musil. Além deles, quem são seus principais mestres? O que cada um deles lhe ensinou de mais importante?
Seria uma resposta muito extensa, até porque gosto de muita gente pelos mais variados motivos - e tenho alguns gostos que são perversos... para estar nessa atividade, é preciso ler Weber e Marx, Burke e Tocqueville, Locke e Hobbes. Eu gosto das ironias do Marx político e da linguagem militante de Trotsky, embora possa odiar tudo o que está lá. No que respeita à literatura, não tenho gostos muito raros ou exóticos. Jornalista brasileiro que não lê – com verbo no presente – Machado, Eça e Padre Vieira está sendo deseducado com o leitor. Porque eles apresentam soluções geniais de linguagem que nos são úteis.

Nos comentários do seu blog percebe-se que os mesmos leitores que concordam com você no âmbito político discordam, às vezes com bastante veemência, quando você trata de assuntos como aborto, educação sexual e pesquisa com embriões. É paradoxal que as pessoas sejam ao mesmo tempo conservadores na política e liberais nos costumes?
Não, é até bastante coerente. Existe uma sólida tradição do pensamento liberal anti-religioso. É compreensível que assim seja. Também entre os conservadores há matizes, que vão, vá lá, do "conversador conservador" - talvez eu seja um deles - ao "conservador liberal". Eu entendo que existam essas restrições e as considero legítimas. Se eu conseguisse justificar, perante a minha própria consciência, o aborto e a destruição de embriões, com propósito tão nobre, eu o faria. Mas não consigo. E expressar as minhas restrições é uma questão de honestidade intelectual e moral com os leitores. Ainda que eles me batam um pouco por isso.

Depois de alguns lançamentos, seus leitores comentaram sobre a atenção individual que você deu a eles, sobre o fato de ter se lembrado de cada um. Se o número de leitores aumentar exponencialmente graças à divulgação do livro, você acha que será possível manter essa relação tão individualizada com eles?
Sou sempre atencioso com quem fala comigo porque sou mesmo assim. Não preciso forçar a barra. Como bato muito duro às vezes - mas só em larápios e ratazanas -, muita gente acha que tenho temperamento irascível. Não tenho. Sou uma pessoa quase sempre feliz. Ao contrário até: detesto gente que faz praça de seus maus bofes. Os leitores costumam participar do debate com apelidos. Lembro-me de muitos. Minha memória para textos sempre foi muito boa. E continua, apesar dos meus 47 anos. Sou péssimo para caminhos. Se sair para comprar cigarros, corro o risco de me perder... ainda bem que não sou - acho que não - tão desorientado quando leio ou escrevo. Mas sei que esse não é um juízo unânime. Paciência!


Colaborou Breno Baldrati


http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidapublica/conteudo.phtml?tl=1&id=830804&tit=O-pensamento-politicamente-correto-levou-a-demonizacao-da-divergencia

Esse é o Reinaldo Azevedo, para quem não conhecia ainda.

Quem quiser conhecer mais, leia "O País dos Petralhas".

Quem quiser conhecer a fundo, leia todo dia http://www.reinaldoazevedo.com.br/ .

Quem quiser ter certeza de que o Reinaldo existe, em carne e osso, vá até a livraria Curitiba do shopping Estação no dia 26 de novembro, quarta-feira, às 19:30 horas.

E quem gostou da entrevista, pode expressar sua opinião aqui: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidapublica/conteudo.phtml?fal=1&id=830804

FHC quer PSDB duro contra Lula

Ex-presidente diz, em encontro tucano, que partido deve escolher em seis meses o seu candidato à sucessão

Por Clarissa Oliveira, no Estadão de domingo, 23/11/2008

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu ontem a largada nos preparativos do PSDB para a eleição de 2010 e deixou claro o discurso que espera do candidato que for escolhido para tentar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Avisando que quer a definição de um nome dentro de aproximadamente seis meses, ele disse que é preciso apontar rapidamente "a voz" capaz de expor os ideais que levarão a sigla de volta ao comando do País.

"Não precisamos ser agressivos pessoalmente com ninguém. Mas nem por isso vamos dizer: 'tudo o que seu mestre fala está certo'. Não está. Temos que dizer: 'o rei está nu, aqui, ali, acolá. Põe a roupa, presidente?'", afirmou FHC, arrancando aplausos de uma platéia de prefeitos e vereadores tucanos eleitos em outubro, organizado pelo PSDB paulista.

"Não diga bobagem, presidente. Seja mais coerente com sua história. Não seja tão rápido no julgamento do que os outros fizeram. Perceba que uma nação se faz numa seqüência de gerações. Não seja tão pretensioso. Seja um pouquinho mais humilde", prosseguiu. Após a abertura do evento, em entrevista, FHC minimizou as críticas. "Eu disse que todos temos que ser humildes. Ele, como ser humano, é bom que seja".

Além de cobrar um discurso incisivo contra o governo e o presidente, o tucano disse querer que o partido escolha seu candidato, no máximo, até o início do segundo semestre do ano que vem. Se em seis meses a sigla não chegar a um entendimento, ele acredita que os cotados - até agora os governadores José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais - devem disputar em convenção. "Não temos medo. Se tiver divisão, faça convenção. Escolha. Mas temos de ter o candidato."

FHC, que contou ter jantado na noite anterior com Serra, não economizou nos elogios ao governador paulista. Mas não falou sobre quem prefere para o posto: "Os dois são bons. Mas eu sou presidente de honra do partido. Não posso, antes da hora, antes de conversar com os dois, antecipar".

O próprio Serra também participou do evento, realizado para subsidiar prefeitos e vereadores com uma linha de ação para o novo mandato. O governador falou na cerimônia de encerramento, quando FHC já havia deixado o local. Líderes tucanos também se dividiram entre a manhã e o fim da tarde, entre eles o vice-governador Alberto Goldman, o secretário da Casa Civil no Estado, Aloysio Nunes Ferreira, o presidente municipal da sigla, deputado Antonio Carlos Mendes Thame (SP), e o presidente nacional, senador Sérgio Guerra (PE). Este último evitou endossar a tese de que a escolha do candidato poderá ser decidida em disputa preliminar. "Não creio que essa questão vá ser levada à convenção ou prévias do partido. Se cultivarmos a união, é possível que isso esteja resolvido até o ano que vem."

Em meio à sucessão de críticas ao presidente Lula e ao seu governo, FHC disse que a atual administração traiu o eleitorado brasileiro. "O governo atual disse uma coisa para o País e fez outra", afirmou. "Não podemos aceitar essa história de que todos os gatos são pardos. Nós não somos gatos pardos. Somos outra coisa. Somos tucanos."

Ele também não poupou o PT. Disse que as últimas eleições serviram de prova de que a sigla de Lula, derrotada em grandes centros, está sendo empurrada para os grotões. Agora, completou, a legenda ainda se mantém como reflexo da Presidência da República. Mas, na prática, deixou de ter uma presença ativa junto à sociedade.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081123/not_imp282128,0.php

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Dia 26, 19:30 horas, na livraria Curitiba do shopping Estação



Avise seus amigos:
Este e-mail é para colocá-lo a par, se é que já não chego tarde, de que o Reinaldo Azevedo está lançando seu segundo livro, "O País dos Petralhas" (editora Record), e estará em Curitiba na semana que vem fazendo uma noite de autógrafos. Curitiba é a 5ª cidade que o recebe. São Paulo, Campinas, Brasília e Belo Horizonte (na segunda-feira última) já tiveram a boa ventura de recebê-lo. Estão agendadas também Florianópolis, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Talvez mais cidades sejam incluídas no roteiro.
Reinaldo é lido e citado pelas pessoas de maior poder e influência do país (calcule-se daí o calibre da sua caneta): ministros do STF – incluindo Gilmar Mendes–, senadores, deputados, governadores, prefeitos. Incluam-se na lista FHC, Ali Kamel (diretor de jornalismo da Globo), Aguinaldo Silva (escritor de vários dos folhetins das 20 horas da Globo), Willian Waak (apresentador do Jornal da Globo) e muitos outros – e já aviso que estou sendo injusta ao citar só os que me recordo agora. Possivelmente nomes grandes (e não “grandes nomes”, o que é muito diferente) do governo federal também o leiam, embora indignados, e Lula só não o lê porque não lê nem bula de rinossoro, para usar uma expressão do próprio Azevedo.
No evento em São Paulo estiveram presentes cerca de 200 pessoas, incluindo Serra, Kassab, Bornhausen, Kátia Abreu, Goldman, entre outros políticos e jornalistas. Até o CQC (aquele programa irônico da Band) marcou presença. Danilo Gentili apresentou o Reinaldo como "o cara mais anti-PT do UNIVERSO". O que não deixa de ser verdade, para nossa alegria.
Encontro então você no dia 26 de novembro, quarta-feira que vem, a partir das 19:30 horas, na livraria Curitiba do shopping Estação, no lançamento do livro?
Leiam o que já foi dito/escrito sobre o livro:
- VEJA – Por Diogo Mainardi
- O Globo – Por Demétrio Magnoli
- No Blog do Gerald Thomas – pelo próprio
- Gazeta Mercantil e JB – Por Augusto Nunes
- GloboNews - Espaço Aberto Literatura – entrevista a Edney Silvestre
- Estadão – por Rui Nogueira
- Folha - por Eduardo Graeff
- Folha – por João Pereira Coutinho
- TV Globo - entrevista a Jô Soares

Interregno

Há alguns dias terminei de ler "O Caçador de Pipas", sucesso de Khaled Hosseini pela Editora Nova Fronteira. Esse mesmo, que está em todas as listas de mais vendidos (o que é muito merecido) e que quase todo mundo já leu e eu, atrasadinha, só consegui emprestado de uma amiga há algumas semanas.

Não posso deixar de registrar aqui duas frases de que gostei muito, escritas pela personagem Rahin Khan à personagem Amir jan, no clímax do livro:


A verdadeira redenção é isso:
é a culpa levar a pessoa a fazer o bem.

Um homem que não tem consciência,
que não tem bondade, não sofre.


Recomendo aos poucos ainda mais atrasadinhos do que eu.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Reconhecimento

Com quase três semanas de atraso escrevo a respeito de algumas observações que fiz sobre a edição 2085 da Veja, do dia 01/11/2008. Na capa, uma reportagem ácida sobre a indústria farmacêutica, sabidamente um dos segmentos mais poderosos do mercado.

Logo nas páginas amarelas, uma excelente entrevista de Demétrio Magnoli, que não economiza adjetivação negativa ao governo federal e ao pensamento esquerdista bolorento. Como aperitivo, faço duas citações:

"O PT no poder revelou a esquerda que faz o mensalão, persegue o caseiro, tenta controlar os meios estatais para os seus próprios fins e confunde estado com governo e partido."

"O que espantou muita gente foi o estilo PT de corromper – e que, claro, tem a ver co a sua visão de mundo. O partido apresentou um modelo centralizado de praticar a corrupção. Ao contrário da prática tradicional, feita em nome de interesses localizados, o PT deliberou e organizou a corrupção a partir da sua cúpula."

Algumas páginas à frente, o artigo do Reinaldão: "O muro caiu, mas a amoralidade da esquerda sobrevive", com as sempre precisas e merecidas cacetadas no PT e no esquerdismo.

Não bastasse, logo depois do Diogo, a reportagem "Deu no New York Times", sobre o caso do jornalista americano Larry Rohter, quase expulso do Brasil porque falou algumas verdades sobre Lula. Segundo a reportagem, consta que quando Lula soube que expulsá-lo era inconstitucional, teria batido na mesa e berrado, exaltado, "Que se f*** a Constituição! Quero que ele vá embora!". Não sou eu quem está dizendo, não. Está lá na reportagem, é só conferir nos links – ABERTOS – ao final deste post.

Por prudência diante de possíveis dias mais magros a partir de janeiro do ano que vem, cogitando medidas parcimoniosas, pensei em cancelar a assinatura da Veja. Mas como posso deixar de assinar uma revista que, às vésperas de uma crise que dizem apocalíptica, peita um dos mais fortes setores da iniciativa privada e o governo federal numa mesma edição, com tamanha coragem, ousadia, profissionalismo e independência? Não dá, não. Digam aos editores que a revista fica.

Quem quiser conferir as reportagens:

Remédios: sustos difíceis de engolir
http://veja.abril.com.br/051108/p_088.shtml

Entrevista com Demétrio Magnoli
http://veja.abril.com.br/051108/entrevista.shtml

Artigo de Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/051108/p_078.shtml

Deu no New York Times, de Larry Rohter
http://veja.abril.com.br/051108/p_132.shtml

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Demorou!

Em 2006 eu mandei um e-mail para o Programa do Jô, sugerindo que ele entrevistasse Reinaldo Azevedo. Depois, inescapável comentar, o programa entrou numa fase, para usar um eufemismo, "desinteressante", em que o apresentador deu claras mostras de pensamentos anacrônicos, incoerentes e em alguns pontos retrógrados, senão eventualmente covardes, e eu já tinha até desistido da idéia de que um dia o Reinaldo pudesse por os pés lá. Mas eis que ontem esta minha percepção foi desmentida. Já não era sem tempo!

http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM907422-7822-JORNALISTA+REINALDO+AZEVEDO+LANCA+LIVRO,00.html

Considerando-se o entrevistador e o modelo (humorístico) do programa, é verdade, a entrevista foi excelente. Como eu não esperava nada, exceto um oi-tchau-passar bem, a mim, pelo menos, a entrevista surpreendeu positivamente. É claro que lamento que o Reinaldo tenha ficado por último, e também o fato de ele não ter malhado este (des)governo (o que teria atraído muito mais a atenção da platéia, como atraiu na entrevista do Diogo Mainardi), mas de todos os vídeos que eu vi do Reinaldo, neste foi o que ele melhor se saiu: estava tranqüilo, paciente, tolerante (imaginem o esforço dele diante da enxurrada de estultices do entrevistado anterior, Tom Zé – Bento VI?! ) e muito bem humorado.

A entrevista foi boa, apesar de todas as minhas restrições ao apresentador. E quanto mais o nome do Reinaldo for divulgado, melhor.

Mas parece que teve uma galerinha que ficou indignada com o fato do Reinaldo ter recebido só um quadro, depois de uma loooonga entrevista em dois quadros com o Tom Zé. Tem gente até dizendo que o Jô Soares não deixou o Reinaldo falar, que não mostrou a capa do livro suficientemente, que propositadamente ficou pinçando outros assuntos para que o Reinaldo não falasse mal do governo. Vi até quem tivesse prometido mandar e-mails indignados ao Programa do Jô e ao blog do Reinaldo, "detonando" o apresentador.

Olha, como ontem eu estava muito, digamos, nervosa, apreensiva mesmo na hora da entrevista (porque toda vez que o Reinaldo aparece na TV eu fico torcendo para que dê tudo certo, naquela angústia de quem sabe que o tempo será pouco para o muito a dizer, pois é como se eu mesma estivesse lá – o que de certa forma é verdade, através das muitas idéias que o Reinaldo nos faz o favor de defender), revi o vídeo agora. Sinceramente, esta turma está pegando no pé do Jô numa situação absolutamente descabida. Foi o Reinaldo quem divagou (porque quis, cumprindo o que ele entendeu ser mais adequado para o público) para assuntos de chapéus, cachorros, horários de trabalho etc. Quem chamou o assunto de novo para a política foi o Jô Soares, que, aliás, mostrou a capa do livro em close.

Ok, eu também tenho discordâncias com o Jô e quem o acompanha diariamente detecta as oscilações e incoerências do apresentador, o que debito à falta de uma visão de mundo mais ampla – daí que seria providencial se ele passasse a ler o Reinaldo, mesmo discordando dele em vários pontos. Mas nesta entrevista o Gordo foi educado, gentil, espirituoso e bom anfitrião. Até deixou o Reinaldo falar!

O programa na quarta-feira vai ao ar mais tarde por causa do futebol, e dois blocos com o Tom Zé, representante do avesso do que pensa a maioria dos leitores do Reinaldo, pode ter testado o limite da paciência de muita gente. De minha parte, eu até acho o Tom Zé engraçado e curti o primeiro bloco com ele – o segundo, a bem da verdade, passou um pouco da quantidade que eu tolero de bobagens, mas também… sem traumas!

Vamos deixar para reclamar do Jô quando for justo (como naquele caso em que fomos chamados de “golpistas”), e vamos tratar de, neste momento, ao contrário, elogiá-lo. Um pouco menos de caps lock cairia bem. Ademais, patrulha em blogs e sites é coisa “deles”, não nossa.

domingo, 2 de novembro de 2008

Enfim, uma boa notícia!

Este post é só para dar uma satisfação para quem acompanhou o sufoco que passamos na internet nestas eleições: meu perfil de mediadora, apagado por causa daquela determinação do TSE, foi devolvido pelo Orkut!

A comunidade do Geraldo Alckmin e a do Beto Richa também.

Os contadores dos membros das comunidades que foram apagadas não estão fucionando direito ainda, e alguns dos meus posts também não estão disponíveis. Suponho que isso vá se regularizar com o tempo.

Estou bastante contente, porque confesso que já estava perdendo as esperanças de ter de volta os conteúdos que tinham sido apagados.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Presidente do TSE defende liberação de uso da internet em campanhas eleitorais

http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2008/mat/2008/10/27/presidente_do_tse_defende_liberacao_de_uso_da_internet_em_campanhas_eleitorais-586144987.asp

A transferência de conteúdo, vulgo copy-paste, é desautorizada, mas esse assunto é importante e nos diz respeito, portanto vale a leitura.

Comentei o que segue:

É preciso URGENTEMENTE que o direito do cidadão de tornar pública sua opção política, ideológica ou partidária, através de manifestações PESSOAIS NA INTERNET, seja formalmente garantido.Na última eleição esse direito foi ceifado do site de relacionamentos Orkut, que, OBRIGADO POR INSTÂNCIAS DO PODER PÚBLICO, excluiu comunidades de apoio a candidaturas e perfis que tivessem banner de um candidato no avatar ou fotos com ele em seu álbum.Isso é uma afronta ao artigo 5º da Constituição.

Comentem também.

sábado, 18 de outubro de 2008

LANÇAMENTO DE "O PAÍS DOS PETRALHAS" EM CURITIBA

Agendem-se: finalmente Reinaldo Azevedo vem a Curitiba!


Dia 26 de novembro de 2008
Provavelmente às 19:30 horas (horário ainda a ser confirmado)
Livraria Curitiba do Shopping Estação.

Como diz o Danilo Gentili do CQC, o Reinaldo é o cara mais anti-PT do UNIVERSO. Podem acreditar, ter um livro autografado por ele vai ser coisa para mostrar para os netos e deixar de herança. No evento em São Paulo, estiveram presentes Serra, Kassab, Kátia Abreu, Bornhausen, Goldman, entre outros políticos e jornalistas. O cara é o topo da pirâmide do jornalismo brasileiro, lido por senadores, deputados, ministros do STF, pelo FHC, pelo Ali Kamel…, enfim, por uma turma da pesada. Reinaldo Azevedo tem hoje o mais afiado, polêmico e influente blog de política do Brasil. Concorde-se ou não com ele, sempre é possível aprender com seus textos.

Avisar todos os seus amigos é uma obrigação. Ou eles não te perdoarão por tê-los excluído desta oportunidade.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Há dias em que o Brasil me tira MAIS o sono

Nota da CUT sobre os fatos ocorridos hoje:

Dois acontecimentos tingiram de sangue protestos pacíficos de movimentos sociais na tarde desta quinta-feira em frente aos palácios de governo dos estados de São Paulo (Bandeirantes) e Rio Grande do Sul (Piratini). Ao transformarem a Polícia Militar em guarda pretoriana de seus desgovernos, os tucanos José Serra e Ieda Crusius quase provocaram a morte de pais e mães de família que protestavam contra a intransigência e defendiam o atendimento às ruas reivindicações.
Diante do ocorrido nas capitais paulista e gaúcha, a CUT repudia o “autoritarismo, a falta de diálogo, o desrespeito, a truculência fascista e a irresponsabilidade criminosa desses dois governos tucanos” que, promoveram uma verdadeira guerra contra os manifestantes, com bombas, brucutus, cavalaria, tiros e gás pimenta, deixando vários feridos, inclusive à bala.
De acordo com o secretário geral da CUT São Paulo, Adi dos Santos Lima, “o comportamento irresponsável do governador José Serra e do secretário estadual de Segurança Pública por pouco não provocaram mortes”. O movimento une investigadores, delegados, escrivães e peritos da Polícia Civil, que estão em luta por melhores condições de trabalho e salário desde meados do mês passado. “Por um lado, provocaram a categoria dos Policiais Civis em greve ao abandonar a segurança pública, não dar as mínimas condições de trabalho, manter equipamentos defasados, salários arrochados e, pior, não atender solicitações, se negar a negociar e ainda criticar o comportamento de quem tem preocupação com a segurança dos cidadãos”, denunciou Adi.
Conforme relatou o dirigente cutista, os manifestantes se aproximavam do Palácio dos Bandeirantes quando foram surpreendidos pela formação de “cerca de dois mil policiais militares e uma tropa de choque armada até os dentes, que iniciaram uma verdadeira guerra”. Diante da brutalidade da agressão tucana, o GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil, que apenas fazia a segurança dos manifestantes, se somou ao protesto. “Serra não quer diálogo, somente imposição. Eu vi uma guerra civil, o conflito quase gerou mortes na porta do Palácio”, ressaltou Adi.Representantes das seis centrais sindicais acompanharam o protesto e repudiaram a covardia de Serra. Agora, lembrou Adi, “a mobilização vai crescer ainda mais, porque ninguém vai baixar a cabeça para este tipo de comportamento”.
Marcha dos Sem
Em Porto Alegre (RS), a tradicional Marcha dos Sem, manifestação organizada pela CUT e pela CMS – Coordenação dos Movimentos Sociais, também foi alvo da truculência do governo tucano. Segundo Quintino Severo, secretário geral da CUT Nacional, que participou da mobilização na capital gaúcha, “a governadora mais uma vez demonstrou seu desprepara para conviver com a democracia”.
Segundo Quintino, “Yeda transformou o Estado do Rio Grande do Sul em um palco de escândalos de corrupção e de truculência contra os movimentos sociais”. Militantes se concentraram a partir das 14h30 no Parque da Redenção e seguiram em passeata em direção ao Centro Administrativo do Estado – Palácio Piratini, no centro da capital gaúcha.
A 13ª Marcha reuniu cerca de 10 mil pessoas e trouxe como tema "a defesa da dignidade humana" – publicamente desrespeitada pelo governo Yeda, que ordenou a Polícia Militar usar e abusar da violência contra os trabalhadores. A repressão tucana teve início por volta das 16h na esquina da Rua Espírito Santo com a Duque de Caxias em frente à Catedral – Praça da Matriz – quando a PM avançou sobre os participantes da passeata que tentavam ultrapassar a barreira formada pelos soldados que trancavam o acesso do carro de som em direção ao Palácio Piratini, sede do governo do Estado.
Os militantes estavam a sessenta metros do Palácio e foram impedidos com o uso da violência policial que lançaram bombas de efeito moral e balas de borracha, ferindo de forma covarde cerca de 17 manifestantes feridos, que foram levados ao Hospital do Pronto Socorro (HPS).
Após muita pressão dos movimentos sociais e uma difícil negociação com a Polícia, os militantes conseguiram avançar e finalmente, por volta das 16h30, parar em frente ao Palácio Piratini para o encerramento do ato.


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ESSE é o PT. A mim nunca enganaram. Plévias!

Dona Marina Silva, seu Delcídio Amaral, seu Pimentel não ficam constrangidos de pertencerem a um partido que coloca a população em risco e joga policiais civis contra policiais militares (gente pobre, com família para sustentar, trabalhadora) sem nenhum pudor somente para manipular a opinião pública em prol de sua ambição desmesurada pelo poder? Não têm vergonha de serem correligionários de quem usa a causa gay quando lhe convém e depois transforma a homossexualidade em crime moral para ganhar uma eleição? Não se sentem mal de estarem num partido que destrói o país se precisar, para não compartilhar o poder?

É isso o que entendem de democracia?
Por quanto tempo ainda o país vai ficar refém desta choldra?
E o jornalismo não vai explicar isso para os mais desinstruídos?

Esses pilantras estão conseguindo rachar o país. As pessoas próximas que eu conheço que não estão hipnotizadas pelo lulo-petismo ficaram com um nojo descomunal do PT depois do ocorrido hoje. Não tem mais como conciliar, o Brasil já está divido visceralmente entre lulo-petistas e anti-petistas. E não, realmente não dá para ser compreensivo e tolerante com o que vimos. A oposição que nem tente o discurso da conciliação, porque pode ser até perigoso, sinceramente – e isso não é nenhuma ameaça, não, mas constatação. A turma anti-PT só está contida porque confia que a oposição vai colocar esses biltres para correr a partir de 2010.

Nojo!
Nojo!

domingo, 5 de outubro de 2008

Escolher um candidato

Durante o último mês, algumas pessoas me pediram sugestões para escolher um vereador – bem, é verdade, para as mais íntimas não dei a oportunidade de perguntar, e já tratei de "empurrar" o meu palpite…

Eu teria duas formas de responder para quem me perguntou sobre um bom candidato a vereador. A primeira é indicar em quem vou votar e porquê. No caso, vou votar no Omar Sabbag Filho (45080), por motivos que já expliquei em posts anteriores (aqui http://brasileirainsone.blogspot.com/2008/08/importncia-de-escolher-um-bom-vereador.html ).

Mas a pergunta fica: qual a melhor forma de escolher alguém que preste nesta profusão de gente, a maioria ridícula, querendo aparecer?

O TSE tem feito campanhas, corroboradas por uma porção de jornalistas, que repete o mesmo bordão: "analise as propostas do seu candidato".

Olhem, me perdoem a ousadia, mas eu acho isso uma inutilidade sem tamanho. Escolher políticos na base de "vou avaliar as propostas" é uma coisa completamente vazia. Isso transforma a campanha eleitoral em um desfile de "promessismos" e de idéias estapafúrdias, além de ser um caldo de cultura para o populismo, criando um "leilão do pobre", para ver quem dá mais pelo voto dele. Um lá dá "catraca liberada para todos", outro dá "bolsa-tudo", esse aqui dá "energia elétrica de graça e almoço a R$ 1,00". Quem dá mais? Quem dá mais?

E todo mundo sabe que ninguém vai cumprir coisa nenhuma. Quando muito, um ou outro vai distribuir alguns óculos e cadeiras-de-rodas.

Entendo que o certo a fazer é, antes de mais nada, ter e conhecer – já explico o que isso quer dizer – seu posicionamento ideológico, para depois encontrar a correspondente linha partidária (para estes dois itens o debate na internet é particularmente útil). Depois, dentro de um espectro ideológico-partidário coerente com seus pontos de vista, procurar um partido que não corrompa seus ideais em prol da busca pelo poder, ou seja, buscar um partido que não distorça seu ponto de vista em troca de cargos e orçamentos (o que geralmente acontece com partidos muito pequenos). Depois, no(s) partido(s) escolhido(s), encontrar os candidatos com alguma possibilidade de serem eleitos e que tenham experiência ou um mínimo de bagagem intelectual para ocupar um cargo público. Escolhido um dentre estes, finalmente, avaliar a probidade e a transparência de seu candidato (aí a internet pode ajudar também, não com debate, mas com a exposição de informações).

Eu digo "ter E conhecer" porque há muita gente que não tem posicionamento (nunca pensou no assunto), mas há também muita gente que já tem sim suas convicções sobre o quanto o estado deve interferir na economia e na cultura, mas não sabe que isso é um posicionamento político-ideológico e o que suas opiniões significam. Há alguns sites na internet que podem orientar nesta empeitada de, vamos chamar assim, "auto-conhecimento":

http://www.theadvocates.org/quiz.html
(muito bom, o mais simples e completo, mas em inglês)
http://www.moral-politics.com/xpolitics.aspx?menu=Home&action=Test&choice=Long
(mais detalhado, mas também em inglês)
http://www.ordemlivre.org/node/153
(em português, mas levemente tendencioso)
http://veja.abril.com.br/idade/testes/politicometro/politicometro.html
("Politicômetro" da Veja, bom, completo, em português e adaptado aos conceitos ideológicos contemporâneos e brasileiros)

Por último, arrisco fazer mais ou menos uma listagem ideológica dos partidos, considerando fundamentação, planos teóricos e ações práticas.

Partidos de esquerda:
PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
PCB - Partido Comunista Brasileiro
PSOL - Partido Socialismo e Liberdade (Heloísa Helena, Luciana Genro)
PC do B - Partido Comunista do Brasil (Aldo Rebelo)
PSB - Partido Socialista Brasileiro (Ciro Gomes)

Partidos de centro-esquerda:
PT - Partido dos Trabalhadores (Lula, Tarso Genro, José Dirceu, Dilma Rousseff)
PDT - Partido Democrata Trabalhista (Cristóvam Buarque, Jefferson Péres)
PV - Partido Verde (Gilberto Gil, Fernando Gabeira)
PPS - Partido Popular Socialista (Roberto Freire)
PSDB - Partido Social Democrata Brasileiro (FHC, Serra, Aécio, Alckmin)

Partidos de centro ou indefinidos:
PMDB - Partido da Movimento Democrático Brasileiro (José Sarney, Renan Calheiros, Pedro Simon, Requião, Rigotto)
PTB - Partido Trabalhista Brasileiro (Roberto Jefferson)
O PMDB possui a maior bancada na Câmara e, embora seja originalmente um partido de esquerda, está hoje indefinido, pois possui alas governista, neutra e oposicionista. Na verdade, é um partido que tende a estar aliado a quem está no poder e é de grande influência nacional, pois é muito forte nos estados. O PTB é o partido herdeiro de Getúlio Vargas, mas que foi perdendo seu idealismo. A rigor, o "centro" da política brasileira não é a confluência da direita com a esquerda, como deveria se esperar, mas é apenas composto de partidos que são utilizados para manobras políticas. Um se negocia porque é grande e tem valor no mercado político, e outro se negocia porque é pequeno e não tem espaço.

Partido de centro-direita:
DEM - Democratas, antigo PFL (ACM, Jorge Bornhausen, César Maia, Gilberto Kassab)

Partidos de direita:
PL - Partido Liberal (José Alencar)
PP - Partido Progressista (Maluf)
PRONA - Partido da Reedificação da Ordem Nacional (Enéas)

Ou, citando somente os partidos mais relevantes, da esquerda para a direita:
PT . PSB . PDT . PPS . PSDB . PMDB . DEM
Evidentemente, aceito críticas a esta tentativa de escalonamento, porque o assunto é subjetivo. Ademais, a "direita" no Brasil paraticamente inexiste, já que ela está hoje unida a partidos que são de esquerda ou de centro-esquerda, fazendo coligações monstrinhos que não podem gerar nenhum projeto de governo que tenha um pingo de coerência.

Especialistas: blogs obrigam veículos a se reinventar

Os blogs como novos nichos de informação, as comunidades sociais construídas na Internet e a projeção dos veículos digitais marcam atualmente a pauta nos mundos da comunicação, e, por isso, os jornalistas e os meios tradicionais são obrigados a se reinventar se não quiserem desaparecer. Este foi o eixo dos seminários e painéis realizados no segundo dia da 64ª Assembléia Geral que a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) realiza em Madri.
A mudança de interesse do público, propiciada em boa parte pelas novas tecnologias, ficou evidente no espaço dos blogs, no qual qualquer pessoa com um conhecimento mínimo de informática pode criar seu próprio portal de Internet.
Em Cuba, por exemplo, a difusão dos blogs fez com que a informação deixasse de ser um monopólio do Estado e que pessoas como Yoanis Sánchez, criadora do "generación Y", possam oferecer sua visão particular da vida diária na ilha aos entre oito e dez milhões de internautas que o visitam por mês.
Stefanie Himoff, vice-presidente do Pluck Social Media, uma empresa que fornece os instrumentos de software necessários para criar comunidades e redes sociais, ressaltou que "a blogosfera é uma terceira dimensão" a qual a imprensa tradicional deve aproveitar, pois nela está sua futura sobrevivência.
Já Francis Pisani, um dos blogueiros mais famosos no âmbito internacional, disse que "o extraordinário do blog é a comunicação com as pessoas", e insistiu em que "as novas gerações não pensam em recorrer aos meios de comunicação com os quais não possam interagir de uma forma ou de outra".
Segundo ele, os "blogs já são coisa do passado", pois estão sendo deslocados pelo micro-blogging, que permite enviar mensagens com até 140 caracteres de graça através do telefone pelo programa Twitter.
Todos estes novos elementos têm a ver com a maneira com a qual canais tradicionais de informação, como os jornais impressos e as agências de notícia, enfrentam seu presente e futuro.
Isso foi abordado em um painel no qual "integracionistas e separatistas" debateram se o jornal digital deve ser o novo centro do universo na redação de periódicos e agências, e se é necessário inclusive uma adaptação física das redações.
Entre os integracionistas, o presidente da agência austríaca APA, Wolfgang Vyslozil, defendeu a necessidade de reunir ou aproximar fisicamente as pessoas que trabalham nas diferentes seções (texto, fotografia, vídeo e multimídia) para originar o produto diversificado pedido pelos clientes de maneira crescente.
Já o executivo-chefe do norueguês Verdens Gang, Torry Pedersen, ficou ao lado dos "separatistas" e defendeu uma diferenciação das redações nas quais os jornais e a edição online são feitos.


http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI3232622-EI4795,00-Especialistas+blogs+obrigam+veiculos+a+se+reinventar.html

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Da CBN Curitiba

Dificuldades para discutir eleições na internet
Álvaro Borba - 30/09/2008

Temendo que os políticos brasileiros criassem versões online para os antigos vícios da democracia brasileira, o Tribunal Superior Eleitoral emitiu uma resolução restringindo a propaganda política na internet aos sites dos candidatos. A designer Daniela Bueno não é filiada a nenhum partido, mas gosta de discutir política na internet. No Orkut criou um perfil só para isso e incentivou debates em várias comunidades. A resolução do TSE enterrou todo o esforço dela para fomentar interesse político nos usuários do site. Daniela ficou com a impressão de que a resolução é eficiente na tarefa de limitar manifestações pessoais.

Daniela conta que mesmo as referências políticas mais inofensivas tem sido retiradas do Orkut. Quem mantém um álbum de fotografias no site e posou ao lado de algum candidato, por exemplo, corre o risco de ter as fotos deletadas.

Para defender a tese de que a Justiça Eleitoral está limitando as manifestações pessoais na internet, Daniela recorre a uma comparação simples: quem quiser circular pelas ruas com um boton de determinado partido ou candidato poderá fazê-lo sem maiores problemas. Mas se essa mesma pessoa resolver usar sua identidade virtual no Orkut para manifestar esse apoio, corre o risco de perder o espaço no site.

A segunda comparação de Daniela apela para o conceito de propriedade. As pessoas tem endereços no mundo real e no mundo online. No endereço real, é lícito hastear a bandeira do partido, colar adesivos nas janelas, pintar a fachada com as cores da legenda. No endereço virtual, qualquer manifestação política, por mais autêntica e independente que seja, é condenada.

E para empobrecer ainda mais o debate político na internet, há evidências de que os candidatos não estejam usando os espaços virtuais como deveriam. Victor Costa passou os últimos quatro anos em Belo Horizonte. Sem saber em quem votar, foi a internet para tentar descobrir. Ao digitar o endereço dos sites dos candidatos, ele esperava encontrar duas coisas: um plano de governo e uma proposta consistente para o crescente caos no trânsito.

Só o que Vitor encontrou nos sites oficiais foram idéias vagas.

A experiência o fez criar um blog onde expõe cada resposta automática e cada proposta mal explicada que recebeu.

Blogs dos entrevistados:

Daniela Bueno:
www.brasileirainsone.blogspot.com
Victor Costa:
www.cademeucandidato.wordpress.com

http://www.cbncuritiba.com.br/index.php?pag=noticia&id_noticia=18757&id_menu=178&PHPSESSID=02082ed52793daa19f4c67aebdb72e26


Áudio da entrevista:

http://www.cbncuritiba.com.br/arquivo/download/3976-DocumentarioTransito-alvaro30.09.wma

domingo, 28 de setembro de 2008

Recomendo

Para quem gosta de pensar no poder da internet:

http://info.abril.com.br/seminariosinfo/redessociais/cobertura/

Com destaques:

"Orkut não é mais um lugar só de miguxos",
"Blogueiro não deve querer ser Deus" e
"Blogstars ensinam bloguês corporativo".

Abaixo, na página da Info, links para o áudio dos debates.

Eu teria taaaanta coisa a escrever sobre o assunto!
Como não dá para contextualizar tudo, falo somente sobre uma parte do que disse Reinaldo Azevedo na mesa "Blogs e Blogueiros – Manual de Sobrevivência empresarial". Acrescento umas coisinhas sobre o desejo que algumas pessoas e/ou empresas têm de controlar as informações sobre elas que circulam na rede.

A informação que circula na internet é como a areia que, espremida na mão, escapa pelas frestas dos dedos. Qualquer intenção de bloqueio gera uma reação contrária muito maior e, nesta situação, a tentativa de controle pode se tornar um estimulador. É claro que existem lugares no mundo (Cuba, China, Coreia do Norte, por exemplo) em que a internet é vigiada pelo estado, e aí há como controlar o que pode e o que não pode circular. Acredito, porém, que o mundo anda em sentido inverso, ou seja, anda na direção que vai do controle à liberdade, em todas as instâncias.

Para quem se angustia por não poder ter controle sobre o que dizem de você ou da sua empresa na internet, tenho duas sugestões para dar. A primeira é re-la-xe! Ninguém (ou empresa nenhuma) consegue agradar 100% das pessoas. Alguém sempre estará insatisfeito com alguma coisa. A segunda, mais importante, é PRESTE UM BOM SERVIÇO (ou venda um bom produto, ou esteja convicto das idéias que você expõe). Ou, em outras palavras: tenha estrutura para "se sustentar" quando for questionado.

A grande vantagem da internet é que ela é simultaneamente democrática e meritocrática. É democrática porque qualquer pessoa, sendo surda, sendo gay, sendo branca, sendo budista ou sendo milionária (coloque aí o adjetivo que você quiser), na internet, parte do mesmo ponto. Até hoje nenhuma ferramenta ou sistema criado pelo homem foi capaz de ser tão democratizante quanto a internet, no sentido de dar oportunidades iguais para todos. E é meritocrática porque aquilo que tem conteúdo, é transparente e é esmeradamente produzido, constrói seu próprio espaço e conquista confiança, pageviews ou clientes.

Não venda engodos, não conte mentiras, não enrole seu cliente/leitor, não pise na bola, cumpra prazos de entrega, dê garantias, ouça o que dizem seus clientes/fornecedores/leitores e aprimore seus produtos/serviços/idéias com eles. Fazendo tudo isso de forma honesta, você/sua empresa estará também se preparando para aceitar com tranqüilidade aquele 1, 2 ou 5% que não estiver satisfeito com você/sua empresa/seu serviço ou que discordar daquilo que você escreve.

É esta a melhor maneira de se lidar com a falta de controle da rede. Mesmo porque, não há outra opção.

Ademais, democracia, meritocracia, liberdade e pessoas honestas e responsáveis dando o melhor de si (mesmo que por coação e não por consciência) são coisas que tornam o nosso um mundo melhor.

Bendita internet!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Arena

O portal UOL está promovendo o seguinte debate:

Comunidades, vídeos e fotos de candidatos na Internet influenciam seu voto?

A propaganda eleitoral na Internet só pode ser feita na página do candidato, mas, enquanto o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não regulamenta, caso a caso, o uso da rede, vídeos, fotos e comunidades em sites de relacionamento se espalham pela Web pregando candidaturas dos que concorrem a um cargo público nas eleições municipais deste ano. A propaganda aparece sob diversas formas. Os próprios candidatos lançam vídeos em sites como o YouTube, como fez Adahil Barreto (PR), em Fortaleza. O candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, Chico Alencar (PSOL), aproveita o espaço do Flickr para divulgar as fotos de sua campanha nas ruas. Fernando Gabeira (PV) utiliza o YouTube para publicar a propaganda eleitoral veiculada na televisão.Comunidades, vídeos e fotos de candidatos na Internet influenciam seu voto? Conte-nos.

Poste lá sua opinião:
http://forum.eleicoes2008.blog.uol.com.br/arch2008-09-21_2008-09-27.html#2008_09-25_09_06_28-8953204-0

Eu já postei as minhas:

Acompanho a política na internet há três ou quatro anos. Acredito sinceramente que esta forma de atuação política tende cada vez mais a crescer, sobretudo se analisarmos o que acontece agora na eleição americana, em que os debates na internet ficaram acaloradíssimos.
Vi inúmeros casos de pessoas que amadureceram suas opiniões políticas através da internet, não por influência direta de uma ou outra pessoa, mas pelo simples fato de participarem ou assistirem a debates verdadeiros, e não a panfletagens eletrônicas como as que vemos nos debates promovidos por redes de TV e rádio.
É um absurdo esta resolução do TSE que impede a campanha política na internet. Na prática, ficou proibido tornar público voluntariamente o próprio o voto, seja em seu nome, avatar ou álbum de fotos de um site de relacionamentos, bem como ter comunidades de apoio a algum candidato. Depois de nos livrarmos de anos de ditadura militar, agora nos deparamos com este retrocesso. Isto é um acinte à democracia.

Acho que estão fazendo uma confusão. Fazer spam é condenável, seja qual for: para vender produtos, serviços ou pedir o voto das pessoas. Sou absolutamente contra isso.
BEM DIFERENTEMENTE, debater política e demonstrar seu voto participando de comunidades em sites de relacionamento ou "adesivando" SUA PRÓPRIA foto, NÃO é fazer spam. É coisa bem diferente. Equivale a usar um botton do seu candidato na sua roupa, a adesivar seu carro, a debater política com seus amigos naquele bar que você freqüenta sempre. E isso, na internet, está sendo proibido.
Ninguém é OBRIGADO a entrar numa comunidade, a ver um vídeo ou a ler um texto que não queira. A internet (e-mails e sites de relacionamento) já tem estrutura para evitar o spam. Então não há porque proibir a política aqui.
As pessoas estão condenando o futuro do país ao criminalizarem a política da forma como estão fazendo. Aliás, os políticos só são tão ruins porque as pessoas querem que a política seja banida de todos os lugares.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Engrossando o coro III

Por conta de todo este embróglio, procurei contato com o deputado Gustavo Fruet. Fui atendida por ele hoje – e destaco a acessibilidade do congressista e sua paciência em ouvir a angústia de uma eleitora, apesar de estar sobrecarregado, gerenciando problemas da CPI dos Grampos.

Fruet e o deputado Julio Semeghini, de São Paulo, já estiveram no TSE expondo toda a nossa questão. O Ministro Joaquim Barbosa os recebeu e disse que cada caso seria tratado individualmente, mas nenhuma alteração foi feita na resolução que nos amarra.

O deputado afirmou, entretanto, que até 2010 as coisas não permanecerão como estão. Ele entende perfeitamente a relação dos usuários do Orkut com seus perfis (são como uma extensão da pessoa) e os benefícios que o debate político através da internet pode trazer ao país, usando inclusive como exemplo o que está acontecendo na eleição americana, na qual a internet está sendo fartamente utilizada, produzindo votos mais conscientes.

Ou seja: podemos contar com ele.

E, falando no deputado, não custa lembrar que quem planta, colhe: Fruet é apontado como o melhor deputado federal numa consulta feita a jornalistas pelo site "Congresso em Foco" (http://congressoemfoco.ig.com.br/). A notícia pode ser conferida na íntegra aqui: http://www.fabiocampana.com.br/?p=13436

Agora a votação está aberta para os eleitores. Se você também quiser votar, o endereço é este:
http://www.premiocongressoemfoco.com.br/Default.aspx?trCk=s

Engrossando o coro II

Da Gazeta do Povo em 20/09/2008:


É censura, sim, senhores

Por Bia Moraes

Nesta semana, a Gazeta publicou uma carta aberta que tem tudo a ver com as reflexões que esta coluna vem propondo. A autora, Daniela Bueno, é designer e tem um blog – www.brasileirainsone.blogspot.com –que, aliás, recomendo. Na carta, ela cita a resolução do TSE de que a propaganda eleitoral na internet somente será permitida na página do candidato.
Ela sentiu na pele o resultado da regra dura. Com base nela, juízes eleitorais estão deferindo pedidos de exclusão de conteúdos na internet. Para Daniela, que teve seu perfil retirado do Orkut por ordem judicial, isso se resume a uma única palavra. Trata-se de censura.
Censura é tema espinhoso que quase sempre causa arrepios. Não é o caso de Daniela, que é jovem. Mas a idade não a impede de compreender que retrocesso, falta de sintonia do Judiciário com a população e o engessamento do sistema político-eleitoral abrem caminho para a censura.
No entanto, conforme reportagem do site www.conjur.com. br, a legislação eleitoral deste ano está confusa e acaba gerando diferentes interpretações. No Paraná, os juízes eleitorais tendem a ser mais duros. Em São Paulo, recentemente o TRE decidiu que “manifestações de apoio a candidato nas eleições municipais de 2008 são permitidas em sites de relacionamento, como o Orkut”. E em Jaraguá do Sul (SC), uma juíza eleitoral permitiu que os candidatos da cidade façam propaganda via e-mail.
A internet, símbolo da liberdade de expressão, da comunicação ao alcance de todos – porque a inclusão digital não pára de crescer – e da globalização, não é compreendida e acaba cerceada pelo sistema brasileiro, quando se trata do momento máximo da expressão da democracia: campanha e eleição.
Tenho tentado trazer para discussão que a dobradinha internet/eleições, no Brasil, revela muito dos atrasos do nosso Judiciário, das leis e regras eleitorais, e portanto, do sistema eleitoral e político como um todo. O caso de Daniela Bueno é emblemático e deve refletir o de dezenas de outros cidadãos interessados em discutir política e renovar as idéias pela internet.
Mas não adianta usar esse espaço para analisar sites de candidatos a prefeito ou vereador, ou como eles e seus marqueteiros estão usando a web. A cada semana, as constatações são as mesmas. Tudo continua igual, tanto na internet, quanto na tevê.
Para piorar, a campanha em Curitiba anda tão desinteressante, tão vazia de discussões que façam diferença na vida do cidadão, que não sobra estímulo para que as equipes de marketing eleitoral tentem inovar em termos de comunicação, novas mídias e tecnologia.
Será que em 2010 teremos um cenário diferente?


Bia Moraes escreve aos sábados.

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=809968&tit=-censura-sim-senhores

Engrossando o coro

A "Carta aberta aos defensores da democracia brasileira" foi publicada também no site do PPS:

http://www2.pps.org.br/item/portalDetails/102490

O PPS é um dos partidos, junto com o DEM, que mais tem se envolvido com seu eleitorado através da internet. Espertos.

Na contra-mão

Cá estamos nós, nos esborrachando de tanto espernear contra esta absurda censura que o TSE nos impingiu, e de repente encontro, entre pessoas que também estão indignadas por terem sido atingidas pela resolução-censura, alguém que propõe a seguinte "solução":

Campanha: A Internet deve ser estatal!
(…)
Com a exclusão do meu profile e de minha identidade digital pelo Google/ Orkut gerou um pressuposto para mim... A internet tb deve ser controlada, assim como as estatais estratégicas ( riquezas minerais água...), também pelo poder público e não pelo poder privado.Assim não ficamos nas mãos de uma empresa privada, cuja ideologia política é bem definida e por isso, viola direitos fundamentais expressos na Carta Magna> não sabemos se, por dolo ou ignorância insistem em violá-los.
(…)
Chega/ Basta de perseguição política no orkut, ou estatizam essa empresa ou ela deve se adequar as normas que regem a nação brasileira!!!

Aí eu lembro das aulas de yoga e "inspiro, expiro, inspiro, expiro". Conto até dez e repito a operação várias vezes até que a paciência, a tolerância e o amor universal tomem conta da minha alma, para só então responder.

Não existe perseguição partidária ou ideológica no Orkut – isso é devaneio de quem se joga no chão para cobrar que o juiz dê pênalti – mas perseguição contra o debate e a manifestação de opinião POLÍTICA no Orkut.

A internet tb deve ser controlada, assim como as estatais estratégicas ( riquezas minerais água...), também pelo poder público e não pelo poder privado.

Sou radicalmente contra isso. Aliás, este é mais ou menos o pensamento do senador Eduardo Azeredo… Ou mais ou menos o que pensam os dirigentes chineses e cubanos…

Ainda que HOUVESSE a perseguição partidária-ideológica em sites de relacionamento, se estes continuarem a ser geridos pela iniciativa privada, existe a possibilidade de cada grupo criar um site próprio para ter o seu viés partidário-ideológico. Já se a gestão for obrigatoriamente pública, haveria monopólio - SEMPRE PÉSSIMO - o que certamente degringolaria para um produto de má qualidade e, o que é pior, COM VIÉS IDEOLÓGICO E PARTIDÁRIO AINDA MAIS FORTE.

Nada impede que, hoje, existindo o Orkut ou não, o estado (com "e" minúsculo mesmo) crie um site próprio de relacionamentos (já que até TV estatal, bem mais cara, criaram, né?). O estado só não faz isso porque não terá público, pois os sites de relacionamento privados tomaram conta do mercado. Então, para haver um site de relacionamento estatal, precisaria-se primeiro extingüir ou estatizar, por decreto, os privados.

Aí eu pergunto: você acredita que o "Orkut" seria livre de viés partidário-ideológico se ele for controlado pelo estado quando o PSDB estivesse no poder? Não, né? E se você NÃO PUDESSE usar, se NÃO HOUVESSE outro site de relacionamento que não o do estado para você usar? Não seria horrível?

Pois é, pelos mesmos motivos eu também não confio numa internet ou num site de relacionamento controlado pelo estado quando o PT está no poder (e eu tenho fortes motivos para isso, vide uma estrela vermelha que esteve fincada no jardins do Palácio do Alvorada…). Mas também não confio na imparcialidade ideológica-partidária se o PMDB, o DEM, o PPS, o PDT, o PV ou qualquer outro partido, incluindo o PSDB, estivesse no poder.

É que eu conheço minimamente o SER HUMANO. Ele é falível, ele é corruptível, ele é ambicioso. E não há como suprimir do bicho homem estas características, como desejam e desejavam os sistemas vermelhos que querem/queriam maior controle estatal sobre tudo. O que dá é para canalizar estes defeitos de forma que se tornem molas propulsoras de desenvolvimento e auto-regulamentadores do sistema, que é o que acontece na iniciativa privada, com o modelo de livre-mercado.

E é por isso que o sistema capitalista é mais adaptado ao ser humano, com seus defeitos e virtudes – nem anjo nem demônio, portanto – do que os sistemas comunista/socialista.

O controle estatal sobre qualquer coisa é sempre utópico, porque é utopia um ser humano cuja corrupção e ambição possam ser anulados. Tentar fazer isso é como comprimir uma mola, que uma hora estoura com força total. É o que aconteceu em sistemas de economia planificada totalmente controlada pelo estado.

É este tipo de mentalidade, que prega que "a internet tem que ser estatizada e rigidamente regulamentada", que acaba gerando aberrações como a resolução do TSE que nos amordaçou. Este país precisa entender que, em legislação, menos é mais. Interferência mínima (apenas para coibir crimes –CRI-MES) e eficácia máxima para evitar a impunidade. Só isso. O resto deixa para os usuários.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Aviso

Destaco, sobre o post abaixo e sobre a "Carta aberta aos defensores da democracia brasileira", publicada hoje no jornal Gazeta do Povo, que a exclusão de perfis e comunidades do Orkut está atingindo pessoas e comunidades de todos os partidos e ideologias, do Paraná e de outros estados.

A liberdade de expressão é uma causa que nos irmana como cidadãos, tenhamos nós simpatia e/ou rejeição por qualquer partido, político ou ideologia.

Convido – e até ouso dizer: convoco – a TODOS para defender o direito de expressar-se politicamente na internet.

Letrinhas saindo pelos ouvidos

Republico um texto de 20/08/2008 sobre a questão da mordaça política na internet, imposta pelo TSE:

***


Estes últimos dias foram intensos. Tenho tanta coisa a dizer que às vezes parece que estão saindo letrinhas pelos orifícios da minha cabeça.

Eu entendo que muitos estejam fazendo pouco caso do que está acontecendo.

Uma parte destas pessoas se esquece de que este não é um problema que deve preocupar apenas usuários do Orkut. Trata-se de um precedente que coíbe a manifestação política, a publicidade espontânea do voto de cada um e o debate em busca de outros. Não importa o ambiente, se é aquele que a gente usa ou não. Importa combater o que está errado mesmo que, num primeiro momento, isso não esteja nos atingindo.

Mas a maior parte talvez não esteja se importando muito porque julga que o Orkut é uma coisa para adolescentes e crianças. Enganam-se. O Orkut é uma ferramenta – nada mais que uma ferramenta – como outra qualquer, como um lápis, como um carro.

Um lápis pode ser usado por uma criança para fazer desenhos, mas também pode servir para um grande homem escrever sua obra-prima e ganhar o Prêmio Nobel. E o mesmo lápis pode servir para o chefe de uma quadrilha enviar um recado aos seus comparsas. Igualmente, um carro pode servir tanto para dar um passeio, como para levar alguém ao hospital ou para assaltar um banco. Tudo depende do uso que se dá.

Em especial, o Orkut é uma ferramenta que propicia 1) o reencontro de pessoas que não se viam há muito tempo; 2) a aproximação de pessoas que têm pensamentos ou interesses afins; e 3) o debate franco sobre qualquer assunto, com todas as vantagens e desvantagens que isso tem.

Por isso, creio que é hora de fazer alarido público e junto à imprensa, sim. O fato de interferirem da forma como estão interferindo no Orkut é coisa grave, e deve despertar a atenção dos defensores da democracia e da liberdade de expressão. Essa determinação do TSE simplesmente nos deixou sem ação na internet, como cidadãos. É um descalabro que a justiça impeça que os cidadãos declarem publicamente seus votos (como muitos faziam no seu avatar) em um ambiente privado (sim, o Orkut, embora virtual, é um ambiente privado – já volto a falar sobre isso). É como se entrassem no nosso quintal e dissessem: "não, vocês não podem usar bottons do candidato de vocês, nem balançar bandeiras etc".

Estas coisas costumam funcionar como dominó (se não pode isso, também não pode aquilo; se não pode aquilo, aquele outro também não etc.), como já estão funcionando: hoje à tarde foram apagados mais perfis de nossos amigos, incluindo um em homenagem ao Mário Covas, sem banner nem nada – que, me digam, o que tem a ver com o peixe da eleição deste ano?

Segundo o que estamos vendo acontecer, perfis que simplesmente tenham banner de candidato e/ou seu número estão sendo apagados. Então pergunto: e campanha contra, pode? Por exemplo, se eu quiser colocar um banner com "Eu não voto em corruPTos", ou quiser colocar "Fora Marta" ou "Fora Gleisi", aí pode? E se eu colocar "Geraldo Alckmin Prefeito" ou "Beto Richa Prefeito" no meu sobrenome, aí pode? E se eu pedir votos para as pessoas nas comunidades, mesmo sem ter nada no perfil, pode? E pedir votos para meus amigos (não desconhecidos, o que já caracterizaria spam) em seus livros de recados, pode? Como é que vão vigiar tudo isso? E qual é a diferença entre isso e usar um botton no peito e sentar na mesa de um bar e tentar convencer os amigos a votar no meu candidato? Ou vão querer vigiar isso também? E se eu copiar e colar (com a fonte) a notícia boa e/ou ruim sobre um candidato de um jornal, revista ou portal de emissora de TV num tópico? Ou copiar e colar o comentário do blog de um jornalista de opinião, favorável a um candidato, numa comunidade? Isso não é fazer campanha na internet também? Ou até o jornalista no blog dele vai ser censurado? Por que é que pode elogiar um candidato no blog dele e não pode copiar a opinião dele para cá ou espalhá-la no Orkut? Como diferenciar o que é fazer campanha do que não é? Ou só pode se manifestar "politicamente" (?) na internet quem é jornalista ou ainda não tem certeza de em quem vai votar?

Vou dar o exemplo do meu caso. Não estou oficialmente na campanha de qualquer político. Escrevo o que escrevo e falo o que falo POR CONTA PRÓPRIA, de forma INDIVIDUAL. Nem filiada sou. Não fui contratada, não recebo nada por isso e duvido que os partidos e políticos tenham a menor noção de que eu existo. Não tenho vínculo com nenhum partido ou político, exceto os estabelecidos pelas minhas convicções: sou movida POR ELAS E NADA MAIS. Portanto, já fiz minhas escolhas e tenho lado. E eu não posso manifestar isso no Orkut, usando um banner na minha foto, criando e gerenciando ou ao menos participando de uma comunidade para demonstrar minhas posições e debater os assuntos desta eleição? Não posso criar um perfil exclusivamente para isso, com o intuito de proteger minha intimidade e também meus amigos e familiares das ameaças que já recebi no meu primeiro perfil?

Controles como este que estão tentando impor, nem a própria ditadura militar conseguiu. Para banir de vez a campanha política no Orkut, seria necessário apagar todo o conteúdo da categoria "Política", já que a subjetividade de interpretação é vastíssima. Aí nós ficaríamos em outros fóruns do Orkut, debatendo as melhores maneiras de fazer uma bola de chiclete. Belo país estaremos construindo! E os blogs de opinião, então, terão que publicar desenhos animados e poesias. Quem tem mais de 40 anos sentiu arrepiar os pêlos da nuca, não é?

Antes de terminar este post, é preciso esclarecer uma coisa: o Orkut é um ambiente privado. Quem manda nele é o pessoal que gerencia o Google/Orkut. Nós estamos lá por comodato. Se, do dia para a noite, o próprio Orkut decidir que não quer mais debates políticos (ou religiosos ou sobre futebol, que são os três grupos que mais dor de cabeça dão para eles – e nenhum lucro) no seu espaço, estarão em pleno direito. Seria até compreensível, já que dá para entender perfeitamente que é pesado demais para o Google/Orkut, juridicamente falando, carregar como missão social a manutenção de assuntos tão polêmicos.

Mas, profissionais que são, duvido que os responsáveis pelo Google/Orkut decidissem tal coisa sem um aviso prévio razoável, como se fossem a Rainha de Copas de Alice no País das Maravilhas gritando "cortem-lhe a cabeça!". Ainda assim, não caberia chamar esta situação de censura, e nós não poderíamos impor nossas expressões políticas por lá, cabendo-nos apenas lamentar, fazer back-ups e procurar outro espaço.

Acontece que esta imposição vem de fora. E seria feita mesmo que estivéssemos em outro site de relacionamentos. É claro que o Orkut incomoda mais porque é mais freqüentado, mas, tão logo outro ambiente se tornasse vultoso, sofreria as mesmas sanções.

Aliás, cumpre lembrar que a resolução do TSE diz respeito à toda a internet. Uma vez feita a "limpeza política" no Orkut, aposto que o próximo alvo serão os blogs e qualquer outro tipo de site. E depois, o que mais vão querer vigiar? Os e-mails? As conversas do msn?

Eu realmente não sei o que fundamenta esta resolução do TSE. Num país cuja maior mazela é o desinteresse político da sociedade e o afastamento dos cidadãos de bem dos assuntos públicos, a internet se tornou o lugar perfeito para estimular, seduzir e reaproximar as pessoas do tema, especialmente as mais jovens, dado seu caráter ao mesmo tempo democrático e meritocrático, que dá abrigo a todos sem discriminações de cor, classe, gênero, religião ou idade, fazendo sempre destacar aquilo que realmente tem melhor qualidade.

Estas características tornam a internet atrativa a pessoas de todo nível de qualificação, puxando os debates para cima, uns aprendendo com os outros. E o Orkut, vastamente utilizado pelos jovens, tornou-se um local de especial fertilidade para o assunto. Será que, como disse meu amigo Thiago (ver posts abaixo), temem o envolvimento do jovem ou de mais setores da sociedade com a política? Temem o debate? Céus, mas tudo do que mais precisamos é debate! Debate entre candidatos, debate entre ideologias político-parditárias, debate de idéias, enfim, coisas que, pela legislação atual, não podemos ver mais na TV ou ouvir no rádio, já que tudo virou panfletagem simplória.

Como é que o eleitor vai escolher direito, se está tudo amarrado? Se não é possível saber quem é melhor ou pior, já que plastificaram todos do mesmo tamanho, com este maldito isentismo que é parcial, pois quer que desiguais pareçam iguais?

Entendo que os únicos perfis ou textos que, sendo políticos ou não, devem ser cerceados em qualquer parte, não só no Orkut, são os que cometem ou fazem incitação ao crime (como venda de drogas, referências diretas a grupos armados e milícias etc.), pedofilia e propaganda nazista. Defendo veementemente a liberdade plena de expressão de opinião, sobretudo a política. Sobretudo num país que padece da falta de interesse da sociedade com o assunto. Sobretudo num país onde os maus avançam porque os bons silenciam.

Não silenciem. Não nos deixemos silenciar.

***

Por favor, aqueles que se importam com a democracia e a liberdade de expressão, tão duramente conquistada, por favor, comentem:

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/opiniao/conteudo.phtml?tl=1&id=808972&tit=Carta-aberta-aos-defensores-da-democracia-brasileira