segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Sobre a manifestação "Quem tem boca vaia Lula"

Quem somos nós?
É verdade, nós somos pessoas que não sabemos protestar, somos aquela camada silenciosa da população que não se manifesta e que escolheu um sábado para dizer BASTA porque está trabalhando durante toda a semana e não tem tempo a perder com reclamações ou lamúrias. Não somos aqueles que fazem do protesto uma profissão, que estão acostumados a sair protestando toda vez que está indignado. Somos apenas aqueles brasileiros que baixam a cabeça e trabalham, e que pagam os impostos que instrumentalizam o governo para fazer as coisas que a população precisa, inclusive as bolsas e vales, ou as chamadas políticas sociais. Somos brasileiros que se preocupam com este país. Não somos golpistas: nós queremos é democracia e democracia inclui o direito de todos manifestarem-se. Este governo prometeu preocupar-se com todos, mas se esqueceu da classe média, abandonando-a. A prova disso é este apagão aéreo, que deixou tantos por horas e horas, dias até, dormindo nos saguões de aeroportos, incluindo crianças, idosos, gestantes e doentes.
Nós não estamos aqui para dizer que a culpa destes dois lamentáveis acidentes aéros seja do governo. Não. Nós dizemos é que a RESPONSABILIDADE é do governo, porque foi moroso, porque ignorou os problemas, porque não tomou atitudes quando deveria. Já são 11 meses de caos, muito discurso, palavras vazias, promessas vãs e gestos que nos humilharam e nos chamaram de idiotas e palhaços. Este governo é sim responsável pelo caos porque montou uma agência reguladora (a ANAC) sem privilegiar competências técnicas nas escolhas dos ocupantes dos cargos, mas privilegiou apenas a militância pelo partido que está no poder.

Por que este movimento protesta contra o governo?
Porque este é o poir governo da história do país, e ao contrário - absurdo dos absurdos! - ainda se auto propaga como o iniciador de todas as coisas boas, "como nunca antes neste país" se viu igual.
Este é o poir governo porque não criou nada de novo: tudo o que possui de mérito foi herdado do governo anterior, tanto o sistema de bolsas e auxílio aos mais pobres, quanto a política econômica. E fez pior, ao invés de propiciar um maior crescimento econômico, já que vivemos como nunca antes um momento de pujança na economia internacional, tivemos um crescimento medíocre, sendo o último entre os países emergentes e crescendo menos que a média mundial. Ao invés de aproveitar este crescimento econômico para dar aos mais pobres condições de lutarem por uma vida melhor, preferiu aumentar indiscriminadamente as bolsas por todo o país. Em vez de estimular os cidadãos a se tornarem independentes, dando educação e emprego, este governo fez o contrário: aumentou o números de dependentes do auxílio estatal, o que muito mal faz à cidadania, pois isso humilha a pessoa humana e seqüestra sua liberdade.
Nós estamos aqui porque não estamos satisfeitos. Porque este governo voltou as costas para classe média, que é a locomotiva que puxa o país para frente. Uma indústria pode gerar 1.000, 2.000 empregos. Agora, para cada empresa desta existem 10.000 empreeendedores da classe média que empregam, no mínimo, um ou dois empregados cada um em suas micro e pequenas empresas, em seus escritórios como profissionais liberais. Então são 20.000 empregos gerados que o governo não reconhece, porque não se importa com a estrutura que a classe média precisa para gerar estes empregos, não se preocupa com logística (aeroportos, estradas, portos, ferrovias), não se preocupa em diminuir a carga tributária, que é outra das nossas grandes reinvindicações.
Nossa carga tributária é sufocante, sendo 38% do PIB e está entre as mais altas do mundo. Nós não queremos mais pagar a CPMF, por exemplo, e dizemos não à sua renovação no final deste ano.
O governo também não se preocupa com os problemas da sua época porque permanece o tempo todo se comparando com os governos anteriores. Sr. Lula, um bom governante se reconhece, na verdade, pela capacidade que ele tem de renunciar às soluções fáceis e populistas na hora de enfrentar os problemas da sua época. Os problemas de FHC foram resolver o caos econômico do país e fazer com que setores da economia geridas pelo estado recuperassem a capacidade de investimento para ofertar serviços à população. Seus desafios são diferentes, sr. presidente: seu desafios são as reformas trabalhista, tributária e política.
E em nenhuma destas reformas o governo investe energia ou dedicação, embora o governo tenha maioria no Congresso para empreender o que for necessário. Ao invés disso, parece que toda a base governista interessa-se por acobertar casos de corrupção.
Falando em corrupção, este é um governo de um partido que se auto-proclamava o pilar da ética, e traiu a todos os brasileiros com os mais absurdos e impensáveis casos de corrupção em ministérios e no congresso, e para quem já esqueceu eu relembro aqui o caso do mensalão e dos dólares na cueca. Preocupa-nos ver que, ao invés de receber punições, os correligionários do partido do poder continuam recebendo amizade, palavras suaves e homenagens. Isso é um absurdo, uma vergonha, um soco na cara de cada brasileiro honesto como nós que tem que educar filhos e netos num país onde o mau exemplo vem de cima.
Mas o pior de tudo é que este é um governo que não gosta de ouvir críticas, pois interpreta críticas como ameaças ao seu poder estabelecido. Isso é um pésssimo sinal, porque demonstra que os ocupantes do poder não estão dispostos a corrigir seus erros. Demonstra inclusive que o governo não tem consciência dos problemas de seus ministérios e das suas agências, porque fica indignado com a imprensa quando ela os aponta. Nós estamos agora sabendo dos problemas da ANAC, da Infraero e do Ministério da Defesa porque 350 mortos estão expostos na mídia. Mas e as outras agências? E os outros ministérios?
Nosso protesto demonstra nossa indignação porque o presidente não assume responsabilidades e disse, nesta semana, que não sabia da gravidade do caos aéreo. Quando estourarem outros caos em outros setores, também ouviremos de novo a mesma coisa?

Por tudo isso, Sr. Lula, nós o vaiamos.

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