quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Ainda sobre o 4 de agosto - A Grande Vaia

Para quem foi:






Arnaldo Jabor diz:

"Lula é vaiado por quem tem capacidade crítica mínima. Popularidade do presidente é mantida pela ignorância política da população"
Confira aqui:
http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/wma/wma_e.asp?audio=2007%2Fcolunas%2Fjabor%5F070806%2Ewma&OAS%5Fsitepage=sgr%2Fsgr%2Fradioclick%2Fradiosam%2Fcbn%2Farnaldojabor1


Para quem não foi:




Para quem quer ir nas próximas:

Mande um e-mail para organizacaosao@bol.com.br e peça para receber informações.

Pragmatismo e Diferenças entre PSDB e PT

Este post serve apenas para arquivar, sobre esse assunto, os seguintes links:

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2007/08/duas-ou-trs-coisas-que-eu-sei-sobre.html
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2007/08/cuidado-com-o-petralhismo-involuntrio.html
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2007/08/poltica.html
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2007/08/idealismos.html

E reitero:

É verdade que FHC não foi perfeito. Ninguém o seria. Mas eu quero viver o suficiente para ver a história ser escrita com justiça, e o nome dele alçado aos poucos (creio que o único, na verdade) estadistas que nosso país já teve. Ele fez a coisa certa, e a fez enfrentando a desaprovação de muitos setores. Não fraquejou quando a responsabilidade e o comprometimento com o país o chamou, e preferiu os benefícios de longo prazo às facilidades populistas, mesmo enfrentando as conseqüências de uma oposição irresponsável obcecada por chegar ao poder. FHC não teve medo dos julgamentos do momento, pois governou com a perspectiva de deixar o legado correto. Por isso FHC é, sim, o avesso de Lula, que por vaidade (esse sim, vaidoso!) e acovardamento prefere adoçar a boca do povo e de sua militância, envenenando o futuro e disperdiçando oportunidades de corrigir o presente.

Déficit de comunicação no PSDB, superávit no PT

Segundo professora da USP, tucanos têm pudor de se apropriar de suas realizações e pânico de ser acusados de direita

Carlos Marchi

Um enorme 'déficit de comunicação política', que vem desde o governo Fernando Henrique Cardoso, bloqueia o PSDB no enfrentamento com o PT, cuja principal característica é exatamente contrária - um 'superávit de comunicação' e uma invulgar capacidade de se apropriar de realizações dos oponentes -, constata a cientista política Lourdes Sola, da USP. O PSDB, diz ela, tem 'um pudor enorme de se apropriar de suas realizações políticas e um medo pânico de ser acusado de direita'.
Lourdes diagnostica iniciativas do governo Lula que concentram poder nas mãos do presidente e desestruturam mudanças do governo anterior, num claro rumo de reestatização e monopólio estatal. Para ela, Lula está sendo beneficiado por um conjunto de fatores que vai desde o programa assistencial, a bonança da economia, o aumento real do salário mínimo, a política de crédito para os pobres e a queda do preço dos alimentos e do cimento, tudo isso amplificado pela comunicação política reiterada do presidente e do PT.
Mas ela alerta para um fenômeno sociológico que ameaça turvar o horizonte de Lula: as populações de baixa renda favorecidas pelo governo satisfarão rapidamente suas necessidades imediatas e logo vão querer mais. 'Resta saber se a economia poderá dar conta', pondera. Para ela, os déficits na área de infra-estrutura vão ser outro fator de incômodo para Lula, pois vão afetar o crescimento. Eis a entrevista:

A popularidade de Lula continua lá no alto. Isso é mais mérito dele ou defeito da oposição?
As duas coisas. E eu acrescentaria a economia. Para começar, eu sempre constatei um déficit de comunicação do governo Fernando Henrique e um superávit de comunicação do PT e de Lula. Dou um exemplo. O Proer foi o melhor programa de resgate de potenciais crises sistêmicas na América Latina. O PT conseguiu vender o Proer como se tivesse sido criado para proteger os bancos...


A blindagem de Lula vem dos projetos assistenciais?
O projeto assistencialista ajudou muitíssimo e a economia vai muito bem. Mas o melhor do PT foi a comunicação política reiterada. Por exemplo: Lula se apropriou da idéia de que a estabilidade foi obra dele. Mas houve mais: o aumento real do salário mínimo e uma política de crédito muito favorável para quem ganha pouco. Por último, o preço dos alimentos e do cimento baixou.


Essa blindagem é só de Lula ou poderá ser transferida para seu candidato em 2010?
Tudo vai depender da bonança internacional. Começam a surgir sintomas adversos, como a turbulência da semana passada, embora não seja nenhuma crise sistêmica. Lula será um eleitor importante na definição do candidato, mas sua chance de eleger o sucessor é outra coisa. Carisma não se transfere. Mas ele terá o poder de forjar o candidato e o fará com um olho na sucessão dele, em 2014.

Tudo joga a favor de Lula e do PT?
Há dois aspectos que não estão sendo considerados. O primeiro é que, com todas as melhorias para as populações de baixa renda, uma vez satisfeitas as suas necessidades imediatas elas vão querer mais. Resta saber se a economia poderá dar conta. Até aqui, só com a queda da taxa de juros, Lula teve R$ 60 bilhões a mais para gastar. Não sei se a economia internacional dos próximos anos continuará garantindo essa margem. O segundo é que os déficits na infra-estrutura vão afetar o crescimento.

Em que direção Lula está conduzindo o Estado brasileiro?
Há uma série de iniciativas que aumentam o poder de arbitragem de Lula e que desestruturam mudanças feitas no governo anterior. Há sintomas de tentativas de reconcentração. São tentativas de voltar a esquemas de monopólio estatal. Isso é reestatizante.


O que distingue basicamente o PT do PSDB?
Existem diferenças profundas. A concepção de Estado e a concepção de democracia. Um teste de stress será vermos se o programa do PT, que prega uma Constituinte independente do Congresso, vai prevalecer. A concepção que está no programa do PT, e que também é de Lula, é mais uma concepção de democracia plebiscitária - 'se fui eleito com tantos votos, tenho direito a mudar as coisas'. O PSDB representa uma concepção de democracia representativa, que precisa de instituições, Estado de Direito, transparência, valores, accountability. A meu ver, esses dois princípios de organização social são inconciliáveis. A longo prazo, teremos uma luta entre eles que vai levar 20 anos para ser resolvida.


O governo tem demonstrado desapreço por tarefas essenciais do Estado - gasta descontroladamente, aumenta a folha de funcionários, ignora o crescente déficit da Previdência. Que conseqüências isso trará?
Cedo ou tarde, nós teremos de pagar um tributo por isso. Em alguns casos, é possível que tenhamos novos 'esqueletos' nos armários. Quem vai pagar essa conta seremos nós, os contribuintes. Talvez isso vá ser enfrentado por movimentos cívicos não controlados pelo PT, já que a oposição ainda está num jogo meramente reativo. Vai depender de a sociedade se mexer.


Isso não divide o País em dois brasis?
Não, não. Quem ganhou no governo Lula? Você acha que foram só os pobres? Veja os lucros dos bancos. As duas pontas convergiram os interesses. E ainda tem boa parte do setor privado, que se ajustou ao novo modelo, é competitivo e foi para o exterior ganhar dinheiro. Não há dois brasis. O que há é um sanduíche espremendo a classe média.


O que a oposição não faz e deveria fazer para se contrapor ao governo Lula?
O PSDB é um partido de quadros, não é um partido de massas. O PT, ao contrário, não tem problemas de massa, mas não oferece grandes quadros. O PSDB sempre teve um déficit de comunicação. Parte sempre do pressuposto de que, se está fazendo a coisa correta, logo será reconhecido. Um pudor, mas um pudor enorme de se apropriar de realizações políticas e um medo pânico de ser acusado de direita. O PT sempre foi agressivo sob este ponto de vista. Mente sobre o Proer, como fez Lula ontem.


Como será o Brasil pós-Lula?
O copo está meio cheio, meio vazio. Certas instituições estão ativadas, como o Ministério Público, a Polícia Federal com uma certa autonomia, algumas instituições do Judiciário. Vai dar muito trabalho se desfazer delas. Ao mesmo tempo, eu identifico alguns pontos que caracterizam uma regressão. Se vai ser mais moderno ou não, vai depender de três coisas. Em primeiro lugar, do grau de competitividade política; em segundo, do quanto vamos conseguir concretizar de reforma política - e aí eu sou descrente; por último, da participação social no processo político. Quando Lula ameaça pôr gente nas ruas, dá para imaginar o trabalho que vai ter um futuro governo que queira voltar a sanear o Estado. Em compensação, nós temos uma imprensa muito ativa, muito aplicada e que está, até, substituindo a oposição
http://txt.estado.com.br/editorias/2007/08/12/pol-1.93.11.20070812.8.1.xml

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Fernando Henrique Cardoso - Simbolismo e liderança

O esforço de arrancada na direção do futuro exige objetivos claros

A despeito das oscilações recentes do mercado financeiro, que ninguém sabe se serão soluços passageiros ou sinais de desarranjos mais profundos na economia mundial, é inquestionável que a prosperidade gerada pelo fim dos ajustes financeiros dos turbulentos anos 90 e, principalmente, pelo ingresso da China no mercado mundial favoreceu enormemente as economias emergentes.
Os países em desenvolvimento que já dispunham de alguma base industrial e foram capazes de ativar mecanismos públicos e privados de decisão estão se transformando, no embalo da economia mundial, a um ritmo impressionante. Nessa onda favorável, também o Brasil avança. Nossa economia só não começou a mostrar há mais tempo os resultados dos esforços que vinha fazendo desde o Plano Real e da mudança cambial de 1999 porque a crise energética de 2001 e os temores desencadeados pela perspectiva de uma guinada brusca com a eleição do governo petista comprometeram os resultados econômicos de 2002 e de 2003, os quais só apareceram com força depois de 2005.
Vivemos, portanto, um momento extremamente favorável para consolidar as reformas modernizadoras do governo, da sociedade e dos mercados iniciadas anteriormente. Um momento que requer visão de grandeza: abrem-se possibilidades para o Brasil se afirmar como uma grande nação. Isto é, como um país democrático, com uma economia tecnologicamente moderna e competitiva, respeitador das instituições e dos contratos, que ofereça condições universais de acesso à educação, à saúde, à terra e ao trabalho para que seu povo desfrute de uma vida digna. Portanto, um país que não se conforme em manter uma parcela ponderável de seus habitantes sem emprego decente, requerendo assistencialismo governamental.
O esforço de arrancada na direção do futuro exige objetivos claros e persistência no caminho escolhido, requer coragem nas decisões e eficiência para implementá-las.
Não deixa de ser preocupante que o PT tenha chegado ao Poder no momento que mais exige tais qualidades. Por mais que o atual governo tenha dado continuidade às políticas macroeconômicas que herdou, das quais sempre foi crítico e — pasmem! — continue sendo, não soube fazer a revisão programática que lhe permitiria levar adiante um projeto verdadeiramente nacional. Um projeto que abrangesse todas as correntes da sociedade e transcendesse os interesses meramente partidários corporativos e pessoais. Um projeto que avançasse nas reformas institucionais e permitisse uma colaboração verdadeira entre o estado regulamentador e a iniciativa privada disposta a empreender, especialmente no campo da infra-estrutura. Um projeto verdadeiramente democrático ao abrigo de recaídas populistas.
O presidente Lula só faz autocrítica indiretamente, sem assumir responsabilidade pelas decisões que toma. Apenas lamenta “a quantidade de coisas que eu falei e falava porque era moda falar, mas que não tinha substância para sustentar na hora em que você pega no concreto”. No exercício do governo, sempre que pode, se refugia nas frases vagas, na cobrança genérica de responsabilidades, no jogar toda culpa no passado e se contenta com elogios fáceis a si mesmo, do tipo “nunca neste país...” Em parte a retórica presidencial é certa: nunca houve tantos escândalos e, o que é pior, nunca qualquer outro presidente passou tanto a mão na cabeça dos envolvidos (“não se comprovou nada, são aloprados e não criminosos, errar é humano”).
De conseqüências ainda mais funestas do que a atitude leniente, talvez seja a falta de compreensão histórica do governo e de seu líder. No afã de aumentar a popularidade e de iludir quem não tem acesso à melhor informação, governo e presidente assumem como próprio o que herdaram. Pouco importa, se for para o Brasil continuar avançando.
Mas importa sim, e muito, que estejam desperdiçando uma oportunidade histórica excepcional para que o Brasil dê um salto de qualidade, assegurando em benefício desta e das gerações futuras. Aqui sim cabe a frase: nunca neste país houve maior apagão ideológico e maior desídia frente ao interesse público. O que vemos é um quadro de paralisia governamental, de desconexão, de imprevidência e de incompetência, recheada com uma retórica irresponsável.
Digo com lástima, sinceridade e franqueza: jamais imaginei que chegássemos a tal ponto de degradação
. Fui testemunha da ação inovadora de Lula no sindicato e corajosa na política, quando ainda não era o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nunca o considerei, nem naquela época, um líder excepcional, pois faltava-lhe firmeza para contrapor-se à opinião da maioria ocasional, mas o tinha por um símbolo: migrante nordestino, corajoso e lutador que superou barreiras sociais. Tinha-o, e ainda o tenho, como um homem de boa índole, que em termos gerais deseja o bem do povo. Mas me decepciona vê-lo desperdiçar a oportunidade que tem nas mãos. Opus-me aos que, em 2005, cogitaram de propor o impeachment, não porque faltassem argumentos jurídicos nem porque quisesse vê-lo sangrar aos poucos, mas porque acreditava, como continuo acreditando, que o conteúdo simbólico de sua liderança é um patrimônio do país que não deve ser destruído. Lamento vê-lo agora destruir por suas próprias palavras e atos o capital de credibilidade que conquistou.
Presidente: em nome da sua e da história de nosso país, não se rebaixe à vulgaridade em nome da popularidade, resguarde-se de dizer tantos impropérios que machucam o bom senso, a solidariedade e a democracia. Por favor, tenha um pouco mais de grandeza, de que tanto necessitamos!

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_Post=68515&a=112

Sobre a manifestação "Quem tem boca vaia Lula"

Quem somos nós?
É verdade, nós somos pessoas que não sabemos protestar, somos aquela camada silenciosa da população que não se manifesta e que escolheu um sábado para dizer BASTA porque está trabalhando durante toda a semana e não tem tempo a perder com reclamações ou lamúrias. Não somos aqueles que fazem do protesto uma profissão, que estão acostumados a sair protestando toda vez que está indignado. Somos apenas aqueles brasileiros que baixam a cabeça e trabalham, e que pagam os impostos que instrumentalizam o governo para fazer as coisas que a população precisa, inclusive as bolsas e vales, ou as chamadas políticas sociais. Somos brasileiros que se preocupam com este país. Não somos golpistas: nós queremos é democracia e democracia inclui o direito de todos manifestarem-se. Este governo prometeu preocupar-se com todos, mas se esqueceu da classe média, abandonando-a. A prova disso é este apagão aéreo, que deixou tantos por horas e horas, dias até, dormindo nos saguões de aeroportos, incluindo crianças, idosos, gestantes e doentes.
Nós não estamos aqui para dizer que a culpa destes dois lamentáveis acidentes aéros seja do governo. Não. Nós dizemos é que a RESPONSABILIDADE é do governo, porque foi moroso, porque ignorou os problemas, porque não tomou atitudes quando deveria. Já são 11 meses de caos, muito discurso, palavras vazias, promessas vãs e gestos que nos humilharam e nos chamaram de idiotas e palhaços. Este governo é sim responsável pelo caos porque montou uma agência reguladora (a ANAC) sem privilegiar competências técnicas nas escolhas dos ocupantes dos cargos, mas privilegiou apenas a militância pelo partido que está no poder.

Por que este movimento protesta contra o governo?
Porque este é o poir governo da história do país, e ao contrário - absurdo dos absurdos! - ainda se auto propaga como o iniciador de todas as coisas boas, "como nunca antes neste país" se viu igual.
Este é o poir governo porque não criou nada de novo: tudo o que possui de mérito foi herdado do governo anterior, tanto o sistema de bolsas e auxílio aos mais pobres, quanto a política econômica. E fez pior, ao invés de propiciar um maior crescimento econômico, já que vivemos como nunca antes um momento de pujança na economia internacional, tivemos um crescimento medíocre, sendo o último entre os países emergentes e crescendo menos que a média mundial. Ao invés de aproveitar este crescimento econômico para dar aos mais pobres condições de lutarem por uma vida melhor, preferiu aumentar indiscriminadamente as bolsas por todo o país. Em vez de estimular os cidadãos a se tornarem independentes, dando educação e emprego, este governo fez o contrário: aumentou o números de dependentes do auxílio estatal, o que muito mal faz à cidadania, pois isso humilha a pessoa humana e seqüestra sua liberdade.
Nós estamos aqui porque não estamos satisfeitos. Porque este governo voltou as costas para classe média, que é a locomotiva que puxa o país para frente. Uma indústria pode gerar 1.000, 2.000 empregos. Agora, para cada empresa desta existem 10.000 empreeendedores da classe média que empregam, no mínimo, um ou dois empregados cada um em suas micro e pequenas empresas, em seus escritórios como profissionais liberais. Então são 20.000 empregos gerados que o governo não reconhece, porque não se importa com a estrutura que a classe média precisa para gerar estes empregos, não se preocupa com logística (aeroportos, estradas, portos, ferrovias), não se preocupa em diminuir a carga tributária, que é outra das nossas grandes reinvindicações.
Nossa carga tributária é sufocante, sendo 38% do PIB e está entre as mais altas do mundo. Nós não queremos mais pagar a CPMF, por exemplo, e dizemos não à sua renovação no final deste ano.
O governo também não se preocupa com os problemas da sua época porque permanece o tempo todo se comparando com os governos anteriores. Sr. Lula, um bom governante se reconhece, na verdade, pela capacidade que ele tem de renunciar às soluções fáceis e populistas na hora de enfrentar os problemas da sua época. Os problemas de FHC foram resolver o caos econômico do país e fazer com que setores da economia geridas pelo estado recuperassem a capacidade de investimento para ofertar serviços à população. Seus desafios são diferentes, sr. presidente: seu desafios são as reformas trabalhista, tributária e política.
E em nenhuma destas reformas o governo investe energia ou dedicação, embora o governo tenha maioria no Congresso para empreender o que for necessário. Ao invés disso, parece que toda a base governista interessa-se por acobertar casos de corrupção.
Falando em corrupção, este é um governo de um partido que se auto-proclamava o pilar da ética, e traiu a todos os brasileiros com os mais absurdos e impensáveis casos de corrupção em ministérios e no congresso, e para quem já esqueceu eu relembro aqui o caso do mensalão e dos dólares na cueca. Preocupa-nos ver que, ao invés de receber punições, os correligionários do partido do poder continuam recebendo amizade, palavras suaves e homenagens. Isso é um absurdo, uma vergonha, um soco na cara de cada brasileiro honesto como nós que tem que educar filhos e netos num país onde o mau exemplo vem de cima.
Mas o pior de tudo é que este é um governo que não gosta de ouvir críticas, pois interpreta críticas como ameaças ao seu poder estabelecido. Isso é um pésssimo sinal, porque demonstra que os ocupantes do poder não estão dispostos a corrigir seus erros. Demonstra inclusive que o governo não tem consciência dos problemas de seus ministérios e das suas agências, porque fica indignado com a imprensa quando ela os aponta. Nós estamos agora sabendo dos problemas da ANAC, da Infraero e do Ministério da Defesa porque 350 mortos estão expostos na mídia. Mas e as outras agências? E os outros ministérios?
Nosso protesto demonstra nossa indignação porque o presidente não assume responsabilidades e disse, nesta semana, que não sabia da gravidade do caos aéreo. Quando estourarem outros caos em outros setores, também ouviremos de novo a mesma coisa?

Por tudo isso, Sr. Lula, nós o vaiamos.

sábado, 4 de agosto de 2007

Passeata da Grande Vaia em Curitiba

O movimento em Curitiba foi muito expressivo e carregado de indignação. Contou com a presença de cerca de mil pessoas e ganhou muita simpatia entre os carros que paravam nas ruas para dar vez à passeata. As pessoas presentes demostraram pacificamente suas insatisfações principalmente contra o governo federal e o presidente, revezando-se espontaneamente em um microfone alugado. O começo foi tímido, mas depois houve até fila de gente esperando a vez para colocar a sua indignação para fora no microfone.
Não haviam partidos políticos ou entidades representativas organizando o movimento, mas a participação de alguns integrantes do "menosgoverno.org" colaborou para diminuir a timidez geral.
As pessoas começaram a se reunir por volta das 14 horas na "Boca Maldita", trajando preto e algumas usando nariz de palhaço. Discursaram contra a esquerdopatia, contra o aparelhamento do estado, contra a incompetência, corrupção e omissão do governo federal e sua indiferença em relação à classe média, contra os desmandos do governo estadual e contra Renan Calheiros, além de pedir o fim da CPMF e da imunidade parlamentar, entre outros temas. Um dos manifestantes trajava uma camiseta rota com os dizeres: "300 anos de escravatura, 30 anos de ditadura, 4 anos de merda pura".
Com apitos, buzinas, vaias e cartazes que diziam "Fora Lula", "Lula você não me engana", "Quem tem boca vaia Lula", "Gozou, Marta?" etc. o grupo saiu em caminhada até o Centro Cívico, onde se concentram os poderes políticos do estado.
Durante a caminhada podiam ser ouvidos gritos de ordem como "fora Lula", "político ladrão, teu lugar é na prisão", "Lula, ladrão, teu lugar é na prisão", "Lula, o pai do mensalão", além de muita vaia e músicas como "vergonha, vergonha... Lula sem vergonha!". O grupo também cantou, durante a caminhada, duas vezes o Hino Nacional. Quando chegaram em frente ao Palácio Iguaçu, as pessoas fizeram um minuto de silêncio em homenagem aos mortos no acidente da TAM e cantaram pela terceira vez o Hino Nacional.
A imprensa escrita estava presente e a CBN fez uma inserção ao vivo, mas o notíciário da RPCTV (afiliada da Rede Globo) não apresentou absolutamente nada.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Voltando no tempo...

É 24 de novembro de 2006 e Lula disse que “aprendeu uma lição” nos últimos quatro anos: não se deve montar um governo nomeando só os amigos. O conselho foi para os governadores aliados que assumirão o mandato pela primeira vez no próximo ano e que participaram de um almoço com Lula.

Bem, estou postando isso só a título de memória mesmo, já que ninguém parece que aprendeu lição nenhuma. Senão a ANAC não teria virado ANARC.