quinta-feira, 19 de julho de 2007

Classe média no governo Lula

Classe Média Versus Lula
Acidente expõe raiva da classe média com Lula, diz analista
Bruno Garcez
da BBC Brasil, em Washington

Os parentes das vítimas ficaram revoltados com falta de informações O acidente com o Airbus da TAM em São Paulo poderá inflamar tensões sociais no Brasil, na avaliação do cientista político Riordan Roett, diretor do Departamento de Estudos Latino-Americanos da John Hopkins University, de Washington.
''Este acidente poderá marcar uma virada para a presidência de Lula. Não há dúvidas de que há raiva entre a classe média com o presidente. Uma sensação de crescente frustração entre os que lêem jornal e voam de avião'', afirma.
Uma recente manifestação desse sentimento, diz o analista, foi a estrondosa vaia sofrida pelo presidente no Maracanã, na abertura dos Jogos Panamericanos, que partiu daqueles que ''que pagaram ingressos caros para estar lá''.
O acidente, no entender de Roett, reforça entre este segmento da população a impressão de que o governo é inoperante e demonstra pouco caso em relação a temas que a afligem.
''A classe médida do Sudeste, que votou em Geraldo Alckmin, está cada vez mais dando sinais de sua frustração com Lula. Eles têm uma sensação de que o presidente e o PT não se importam com eles e que o governo é inoperante e incapaz de combater a corrupção.''
Por outro lado, afirma, ''quem não costuma viajar de avião ou comprar ingressos caros para eventos esportivos segue dando forte apoio a Lula. No Nordeste, ele ainda é popular, especialmente entre os que dependem de programas assistenciais como o Bolsa Família'', comenta.

Sem choques
Mesmo vislumbrando uma possível ampliação da atual divisão sul-norte no que diz respeito à popularidade de Lula, o analista não crê que essa disparidade possar ganhar os contornos de um choque social semelhante às tensões vividas em outros países sul-americanos.
''Não haverá confrontações, como na Bolívia ou na Venezuela. A classe média vai seguir demonstrando o seu descontentamento, mas dentro da lei e da Constituição'', prevê.
O impacto sobre Lula também não é algo que possa ser medido de forma imediata, de acordo com ele.
''É um desgaste que cresce aos poucos. Não haverá nenhum teste de popularidade a ser cumprido no curto prazo. As eleições municipais só acontecerão dentro de quase dois anos. E os índices de Lula nas pesquisas seguem elevados.''
No entender de Roett, o acidente com o Airbus não deverá mudar a postura do governo Lula. ''Brasília está mergulhada em uma série de grandes escândalos. Esta tragédia provavelmente ganhará o quarto ou quinto lugar em termos de prioridade. Lula deverá seguir adotando reformas cosméticas.''



Li este artigo e me lembrei de uma reportagem da Veja de 20 de dezembro de 2006, chamado "Congelaram a Classe Média". Segue abaixo alguns trechos dela.

Mola propulsora do avanço das nações, ela [classe média] está imobilizada no Brasil por um estado ineficiente e pelo crescimento medíocre da economia.(…)Ao contrário do que vem acontecendo em países que estão chamando a atenção do mundo, quase não se observa expansão na classe média do Brasil. Seu tamanho em relação à população total ficou praticamente inalterado nos últimos 25 anos [o último grande momento de euforia foi em 1994 com o Plano Real]. Essa é uma notícia ruim para o país e uma sombra sobre o seu futuro.(…) Existe uma relação direta entre o progresso de um país e a força de sua classe média. Isso está sendo demonstrado não só por exemplos atuais como o da China e o da Índia, mas também por histórias como a da Inglaterra na Revolução Industrial ou a dos Estados Unidos dos séculos XIX e XX. Motor econômico das sociedades livres tanto pelo empreendedorismo quanto pelo consumo, a classe média é também a grande produtora de idéias e cultura, e a garantidora da estabilidade política. Triste o país incapaz de cultivá-la.
(…)

Estagnada entre os emergentes: O rápido crescimento econômico tirou uma legião de famílias chinesas da miséria e as elevou à categoria de classe média. Fenômeno semelhante ocorreu na Índia, na Rússia e no México. Menos no Brasil.

Tamanho da Classe Média em relação à população do país:
BRASIL
• 1996: 20%
• 2006: 21%
• Crescimento da fatia da classe média na população 1996 e 2006: 5%
• Crescimento do PIB no mesmo período: 30%

MÉXICO
• 1996: 19%
• 2006: 43%
• Crescimento da fatia da classe média na população 1996 e 2006: 126%
• Crescimento do PIB no mesmo período: 50%

ÍNDIA
• 1996: 4%
• 2006: 13%
• Crescimento da fatia da classe média na população 1996 e 2006: 225%
• Crescimento do PIB no mesmo período: 100%

RÚSSIA
• 1996: 9%
• 2006: 34%
• Crescimento da fatia da classe média na população entre 1996 e 2006: 278%
• Crescimento do PIB no mesmo período: 55%

CHINA
• 1996: 1%
• 2006: 12%
• Crescimento da fatia da classe média na população entre 1996 e 2006: 1.100%*
• Crescimento do PIB no mesmo período: 160%

* Não, eu não errei na digitação, a classe média cresceu na China entre 1996 e 2006 1.100% enquanto no Brasil cresceu... 5%!!!

Observem bem os números acima. A classe média é o que "puxa" o país para fente, não só pagando impostos e sustentando o estado (incluindo as políticas sociais), mas também estabelecendo um modelo de vida que serve de estímulo de ambição, dedicação, estudo e trabalho para as classes que ainda estão abaixo dela.

Ao dar as costas para a classe média, Lula e seu governo dão as costas para o futuro do país.

4 comentários:

Anônimo disse...

Oi Daniela, você faz programa? Quanto custa o boquete?

Daniela • Brasileira Insone disse...

^^ É o nível...
Vou deixar aí para fins de exemplificação...

Anônimo disse...

Vcs tem saudades de um governo que bateu recordes de desemprego, que quebrou industrias, que deu dinheiro para um banqueiro se refugiar na itália, que... bem por ai vai. Porque não fazem as malas e convidam o fhc o josé serra o alckmim e o pessoal da globo e se mudam para os estados unidos?

Olivier disse...

A China cresceu muito porque saiu de muito pouco. Cuidado com as estatisticas...

Abraços, Olivier