terça-feira, 12 de junho de 2007

Abandonando de vez a esquerda

Vergonhosamente eu tenho que admitir que até a semana passada eu me dizia centro-esquerda, pautando-me em argumentos já publicados neste blog. Embora há muito tempo eu já esteja convencida da necessidade de um maior liberalismo econômico (o que me caracterizaria, no Brasil, como direita), eu ainda assim me alinhava com a esquerda moderna, como a chilena, por exemplo. É verdade que seria uma esquerda bem pertinho do centro, mas ainda esquerda. Durante o último feriado, entretanto, revi minhas idéias e restou-me definitivamente migrar para a posição centro-direita, já que acredito que o "centro" absoluto é uma posição hipotética: ou se é centro-esquerda, ou centro-direita.

Eu mantinha uma ilusão, uma crença, na existência de uma esquerda ponderada, ética, democrática. Mas isso caiu por terra quando pude ver de perto, por dentro, o método de ação daqueles que eu considerava postulantes dessa esquerda amornada, quando pude ver que, no cerne, ela não se distingüe em nada daquela esquerdopatia que eu tanto abomino. Infelizmente, toda a esquerda, da que se alardeia ponderada à mais radical e comunista, é movida pelas mesmas estruturas psicológicas de ódio e principalmente de inveja. Está realmente no DNA. Agem por ambição desmedida e se preciso for, como leninistas em busca de poder, destroem os que estão ao seu lado na luta. Não toleram a democracia, não toleram a opinião discordante, não aceitam ser contrariados. Quando sofrem represálias, agem como crianças, jogando-se no chão e se fazendo de vítima, nunca assumindo nada do que fizeram. Além de tudo, a esquerda, qualquer esquerda, não é ética. Isso pode parecer duro a alguns. Mas é verdade porque a máxima da esquerda é "o fim justificam os meios". Então, a esquerda usa quaisquer meios: se passam por outros, mentem, burlam eleições (mesmo as mais infantis), chantageiam, se fazem de bonzinhos. Tudo é permitido, desde que a trajetória em busca do poder não seja interrompida.

Não. Eu não compactuo com nada disso. Se essa esquerda ponderada que acreditei existir é também assim, então, definitivamente, não sou mais de esquerda.

7 comentários:

Rodrigo disse...

Oi, achei teu blog pelo google tá bem interessante gostei desse post. Quando der dá uma passada pelo meu blog, é sobre camisetas personalizadas, mostra passo a passo como criar uma camiseta personalizada bem maneira. Até mais.

Anônimo disse...

Penso que as pessoas de boa vontade que existem na esquerda, estão todas iludidas, pensando que por pertencerem a uma agremiação considerada "moderada", são instrumentos de justiça e paz. Entretanto, como já ensinava Lenin, a esquerda "moderada" e a radical, são como as duas pernas de uma tesoura, nas mãos dos donos do marxismo.

idiotalatino disse...

Olá Daniela - Brasileira Insone. Gostei muito desse seu post. Acho que me identifiquei um pouco com ele!
Na minha juventude (talvez eu ainda seja jovem...), é claro, tinha uma simpatia enorme pela esquerda, pelo modernismo que aquela corrente transparecia. Ilusão pura! Agora vejo o quanto estava enganado. Também tenho um blog onde tento mostrar um pouco que certas crenças dos ativistas de esquerda são ridículas e por vezes perigosas. O site é:

http://idiotalatino.blogspot.com

Abraços!

robespierre disse...

Daniela ve se pode olha o artigo do Elio Gaspari domingo no OGLOBo
PORISSO QUE ELE ESTÁ SEMPRE COM POPULARIDADE ALTA, DÁ PARA ACREDITAR!

O homem do "arruma dois pau pra eu" é o biombo. Querem a jugular de Lula, o dos 60 milhões de votos

Genival Inácio da Silva, o Vavá, está sendo covardemente linchado porque é irmão do presidente da República. Ele é acusado de tráfico de influência sem que até hoje tenha aparecido um só nome de servidor público junto ao qual tenha traficado qualquer pleito que envolvesse dinheiro do erário. Um fazendeiro paulista metido numa querela de terras queria reverter uma decisão unânime do Superior Tribunal de Justiça. Vavá recomendou-lhe um advogado. Isso não é tráfico de coisa alguma. Um empreiteiro queria obras e encontrou-se com ele num restaurante. Ninguém responde se Vavá conseguiu favorecer esse ou qualquer outro empreiteiro.
A divulgação cavilosa e homeopática de trechos de gravações telefônicas envolvendo parentes de Nosso Guia tornou-se um processo intimidatório e difamador capaz de fazer corar generais do Serviço Nacional de Informações, o SNI da ditadura. No caso de Vavá, as suspeitas jogadas até agora no ventilador não guardam nexo com os fatos. Não há proporção entre as acusações que lhe fazem e o grau de exposição a que foi deliberadamente submetido.
A Polícia Federal vasculhou sua casa (um imóvel de classe média em São Bernardo do Campo). A diligência foi apresentada como parte de uma Operação Xeque-Mate, destinada a desbaratar uma quadrilha envolvida em contrabando, tráfico de drogas e máquinas caça-níqueis. Não era pouca coisa. Pelo que se sabe até agora, coletaram cinco papéis. Entre eles, duas cartas que não foram entregues. Vavá tentou alavancar dois casos com empresas privadas (Vale e CSN). Nenhum dos pleitos chegou à direção das companhias.
Os grampos policiais estabeleceram um vínculo entre Vavá e dois mercadores de casas de jogo e atravessadores de negócios. Um deles, Nilton Servo, ameaçou "trucidar" a família de um desafeto. O outro, Dario Morelli, compadre de Lula, julgava-se protegido pelas suas amizades e disse que a polícia pensaria "duas vezes em fazer qualquer coisa". Foi preso. Os dois planejavam maracutaias e contavam com a ajuda do irmão do presidente, a quem dizem ter dado algo como R$ 15 mil nos últimos meses. Nas palavras de Servo, "o Vavá é para ser usado".
Numa conversa, Vavá fez-lhe um pedido: "Ô, arruma dois pau pra eu?"
Lula tem 15 irmãos e algo como cem parentes. Desde que Tomé de Souza chegou a Salvador, nenhuma família de governante teve tão poucas relações com o Estado como a dos Silva. Mais: nenhuma veio de origem tão modesta e continuou a viver em padrões tão modestos. (Noves fora o Lulinha da Gamecorp.)
Vavá meteu-se por sua conta e risco com os negócios de Servo e do compadre Morelli. Desqualificá-lo por lambari, deseducado ou pé-de-chinelo é parte do linchamento. Ele é um cidadão, ponto. Seus atos vêm sendo investigados e serão levados à apreciação da Justiça. Podia ser membro da Academia Brasileira de Letras, dava na mesma. Antes da conclusão do inquérito policial, Vavá foi irremediavelmente satanizado a partir de indícios, suspeitas e manipulações. Seu linchamento não busca o cidadão metido com vigaristas. Busca a jugular do irmão.
Durante a última campanha eleitoral, quando o comissariado petista chafurdou na compra de um dossiê contra os tucanos, demonizou-se a figura de Freud Godoy, um assessor de Lula, conviva de sua panelinha. Durante três dias ele pareceu encarnar toda a corrupção nacional. Freud foi arrolado em dois processos, um criminal e outro eleitoral. Dizer que foi inocentado é pouco. Ele nem sequer foi indiciado.
O pessoal do século 21 sabe que Jimmy Carter é um ex-presidente dos Estados Unidos (1977-1981), Prêmio Nobel da Paz de 2002. Passará para a história como um exemplo de retidão. Isso agora. Quando estava na Casa Branca, Carter foi atazanado pela exposição de seu irmão Billy, caipira alcoólatra que se tornou lobista (registrado) do governo líbio. Criou-se o neologismo Billygate. Morreu em 1988, aos 51 anos, falido. Virou poeira da História.
Ninguém quer a jugular de Vavá, como não se queria a de Billy Carter. O negócio é outro.

Daniela • Brasileira Insone disse...

Robespierre

Ainda bem que o Reinaldo Azevedo já desmontou o Gaspari neste texto:
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2007/06/uma-tese-ruim-de-elio-gaspari.html

Frodo Balseiro disse...

Daniela
Cheguei até aqui pelo Link de teu comentário no "post" de aníversário do Reinaldo Azevedo!
Gostei muito desse teu comentário, porque ele é válido para miriades de pessoas que foram durante décadas iludidas pelo pensamento de esquerda.
Eu me incluo entre elas! Por muito tempo fui enganado, e como toda pessoa que é enganada desenvolvi verdadeiro pavor do pensamento dogmatico esquerdista.
Com o advento da internet descobri que o sentimento de desprezo, pela dissimulação e mau caratismo esquerdistas incomodavam muitas pessoas.
Todos os que não concordam com a estupidez esquerdista são classificados "por eles" como hidrófos burgueses, reacionários ignorantes.
Agora sabemos que isso não passa de marketing do "bom mocismo" de esquerda.
Vamos em frente, que o pelotão, vai virar legião!

Anônimo disse...

À esquerda ou à direita, de intensidade moderada ou radical, tanto faz de que lado você está. Do lado do observador ou do observado, isto é relativo, ou, é relativo isto, ou ainda, relativo isto é. Não perca o sono por isto não! É tudo retórica. Utópico. Afinal, o que é mais impressionante de toda a figura de linguagem utilizada no comentário anônimo creditado aos ensinamentos de Lenin,"as duas pernas da tesoura" ou "mãos "dos donos" do marxismo".