sexta-feira, 27 de abril de 2007

Arnaldo Jabor e a imprensa dita "tucana"

O Jabor era o comentarista da CBN que ocupava o "Momento da Política" na hora do almoço na rádio CBN. Recentemente este cronista, que freqüentemente fazia críticas contundentes ao governo federal e a todo tipo de maracutaias políticas, foi transferido para o horário das 8:05 da manhã. Quem ocupou seu lugar na hora do almoço foi o Merval Pereira que, embora não aparente ser favorável ao governo, não tem nem 1/4 da acidez à qual estamos acostumados nas crônicas do Jabor.
Terça-feira última o Merval Pereira fez uma participação ao vivo, por telefone, da Grécia. Hoje, eis que foi aununciado que o Merval encontra-se em férias. E no "Momento da Política" o que tivemos?

Uma jornalista "sorridente" cobrindo a agenda do presidente.

E-a-in-da-tem-gen-te-que-diz-que-a-im-pren-sa-é-tu-ca-na!

Estou tentando enviar um e-mail para a CBN (que faz parte do portal G1) pedindo a volta do Jabor na hora do almoço. Que veiculem o seu comentário de manhã e na hora do almoço também, pronto. Infelizmente não estou encontrando nenhum campo de "contato" no site do G1. Ser cidadã neste país é um teste de nervos.

Não bastassem estes embróglios, estava lendo eu o blog do Reinaldo Azevedo e me deparo com isso:
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2007/04/primeiro-foi-diogo-agora-jabor-e-ainda.html
(a Câmara pretende processar Arnaldo Jabor pelas críticas feitas em sua crônica de terça-feira)

Pois é. Assim caminha nosso país.

Vale exatamente para a situação um antigo post deste blog:

povo

imprensa

oposição

MACACADA, ESTA HISTÓRIA NÃO VAI TERMINAR BEM

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Minissérie maxidiota

Já tem tempo que a minissérie Amazônia está arruinando a minha paciência.
É claro que eu tenho consciência de que houve injustiças etc. e tal durante toda a história do Brasil, mas essa minissérie é o cúmulo do maniqueísmo raso, do simplismo vazio, da falta de profundidade no entendimento dos fatos. É a vitória do apelo emocional sobre os critérios da razão. Ou não foi isso que passou hoje quando o bem foi representado pela resistência social dos pobres seringalistas sindicalizados contra os malvados e racionais donos das terras, que queriam ter o seu direito à propriedade respeitado? Neste lixo que a Globo está apresentando (e tou adjetivando "lixo" mais pela baixíssima qualidade, tanto da produção quanto do roteiro, do que pela ideologia encardida) os donos das terras são verdadeiros assassinos arbitrários e sanguinários que se tornam piores a cada geração. A realidade dos fatos registrados em cartórios e jornais pode até ter sido essa mesmo, nem vou entrar nesse mérito. Mas as crenças e as angústias dos donos das terras estão, com certeza, muito longe de serem retratadas com qualquer fidelidade. Essa superficialidade na apresentação dos fatos é de um primitivismo quase infantil, de conto de fadas, em que o príncipe luta contra o dragão para salvar a princesa. Simplesmente ridículo. Ah, e note-se ainda que o sindicalismo é inocentado das acusações de financiamento ou ligação com grupos guerrilheiros estrangeiros.
Já tem um bom tempo que a esquerdopatia me incomoda menos no jornalismo do que nos conteúdos das novelas, filmes, especiais e minisséries. Um caso sério, isso tudo. É como espremer a areia seca na mão: você aperta de um lado (no jornalismo), ela sai por outro (na programação não-jornalística).
E nem vou perder tempo fazendo posts para comentar as cenas da novela Paraíso Tropical em que a personagem do ator Bruno Gagliasso, que tem um enorme e estrategicamente visível "13" tatuado no braço, sofre humilhações de várias personagens, entre as quais o irmão ambicioso e capitalista, vilão da historieta, que estufa o peito para dizer "estudei e trabalhei muito para chegar onde cheguei e agora não tenho que ficar ajudando quem não tem capacidade nem para limpar o chão."
Que luta, que luta! Não dá para dormir nem com um olho só. Tem que estar com a antena ligada em tudo o que passa inclusive e principalmente na TV aberta, para aferir o que a população está absorvendo.
Pior é ainda ter que escutar aquela ladainha típica dos petistas, que dizem que "a Globo é vendida aos interesses da elite buguesa dominante"...

Como tem gente sem noção neste mundo, Deus meu!

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Brasil de pernas para o ar

Alguns dias longe deste blog e acontece tanta coisa que nem dou conta de comentar...

Senão, vejamos:
1) Apagão aéreo
2) Emenda 3
3) Parecer do TSE sobre fidelidade partidária
4) Caso ministra Matilde Ribeiro

1) Apagão aéreo
A questão é que desde o final do ano passado, quando caiu o vôo 1907 da Gol, anuncia-se e ensaia-se uma grande confusão nos ares. Faltam investimentos. Os controladores de vôo, em boa parte militares, ganham pouco, trabalham sob condições de alto estresse e estão há muito operando abaixo das regras mínimas de segurança, precisando gerenciar mais de 20 vôos ao mesmo tempo, quando o padrão seriam 12.
É claro que uma hora isso tudo ia dar meleca. E deu: primeiro os controladores fizeram uma operação padrão, operando somente os 12 vôos e não mais que isso por vez, e o resultado foram atrasos gigantescos em todos os aeroportos do país.
Mas isso não bastou para o governo se coçar e iniciar uma negociação para resolver os problemas do setor (entre as reinvindicações dos controladores está a desmilitarização do cargo, o que não é uma coisa lá muito fácil).
Então, acuados, os controladores deram início a uma greve - ilegal, diga-se de passagem, pois trata-se de carreira militar, e os militares não podem fazer greve. O resultado foi o caos total: aeronave alguma saiu do chão por mais de um dia inteiro. Teve até passageiro em Curitiba que morreu enfartado depois de esperar não sei quantas "20 horas" na sala de embarque. Aí o brigadeiro da vez, chefe dos controladores, mandou prender os grevistas, já que a greve era ilegal. Lula, cuja principal ocupação durante toda a vida foi fazer e produzir greves, estava em trânsito entre o Brasil e os EUA e, do avião mesmo e sem assessoria alguma, mandou que a prisão fosse revogada e que todos os pedidos dos controladores fossem atendidos. Muito legal esse Lula, né? Até seria, se não fossem as graves conseqüências dessa precipitação.
A hierarquia dentro das forças armadas foi quebrada e o brigadeiro ficou desmoralizado. Por ter cedido, Lula deu o mau exemplo para outros setores militares que estão insatisfeitos, mostrando que é só pressionar um pouco para se obter o que se quer.
A situação se normalizou, o fim de semana passou e na segunda-feira... alguém adivinha?
Lula desdisse tudo o que tinha dito! O Ministério Público Militar vai investigar se houve crime (claro que militar entrar em greve é crime!) e vai punir os grevistas. Quer dizer, aquela prisão que foi revogada, daqui há algum tempo, será efetuada. Lula avisou que se tiver mais paralização, daqui para diante não vai mais ter perdão. E voltou atrás em tudo o que havia cedido: agora o governo vai estudar o que dá e o que não dá para fazer. E não há prazo definido para se chegar a qualquer conclusão.
Enquanto isso, numa galáxia não tão distante, a oposição no Congresso está tentando aprovar a CPI do Apagão Aéreo, para investigar esse embróglio todo. O STF já deu parecer de que há procedência em sua instalação, ou seja, há fatos concretos que a justifiquem (alguém aqui acredita que a queda misteriosa de um avião e toda essa balbúrdia não sejam fatos concretos?!). O governo está desesperado tentando abafar a CPI. Por que? Porque há fortes indícios de maracutaias com dinheiro público na construção e reforma de aeroportos.

Você também tá soltando vaporzinho pelas ventas com todos esses desaforos?
Então assine aqui COM URGÊNCIA: www.apagaoaereo.com.br
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2) Emenda 3
Isso é um nó sem tamanho, nem queiram saber.
A barafunda é tanta que eu não me meto a tentar explicar. Deixo para quem já fez isso com maestria:
Tem mais textos sobre esse assunto ao longo do blog do Reinaldo Azevedo: http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/
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3) Parecer do TSE sobre fidelidade partidária
Eis aí uma boa notícia!
Depois das eleições começou o troca-troca de partido entre os eleitos. O movimento já tradicionalmente conhecido esvazia os partidos da oposição e fortalece os partidos da situação.
O neguinho lá foi eleito num partido de oposição, com dinheiro e apoio do partido e depois... dá uma banana para seu partido e vai correndinho se juntar com outro partido que lhe ofereça mais vantagens, como é o caso dos partidos governistas, que têm mais verbas para administrar e portanto mais poder.
Sucedeu-se que o PFL (agora Democratas, DEM) foi quem mais perdeu nessa prostituição toda. Aí eles fizeram uma consulta ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral, que é quem decide sobre assuntos eleitorais): "Vem cá, pessoal, os cargos com eleição proporcional pertencem ao partido ou ao eleito?"
Respondeu o TSE: "Ao partido."
Isso significa que se o eleito quer mudar de partido depois da eleição, deve primeiro entregar o cargo ao partido. E não é isso o que tem sido praticado no Brasil.
O DEM está agora entrando com uma ação para requisitar para si novamente os cargos que por enquanto os eleitos levaram com eles para os partidos da base governista.
Aguardemos as conclusões finais, mas se realmente os traíras forem punidos perdendo o cargo, o Brasil pode estar iniciando uma reforma política que vai ajudar a moralizar esse galinheiro.
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4) Caso ministra Matilde Ribeiro
Mais um caso de petista que perdeu a oportunidade de ter ficado quieto. Na semana passada, em entrevista à BBC Brasil, disse Matilde: "Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. (…) A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. (…) quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou."
Se a boca já está aberta diante de tamanha baboseira, agora o queixo vai para o chão: Matilde é ministra da IGUALDADE RACIAL.
Se o Brasil fosse um país sério que realmente aplica o que está na lei que diz que racismo é crime, uma pessoa que diz uma coisa dessas deveria, no mínimo, estar sendo processada.
Grande desfavor que esta senhora fez para a igualdade racial no Brasil. Eu, que tenho origem miscigenada, agora vou ter que decidir se estou do lado do açoitado ou do lado de quem açoitou já que, segundo ela, teria o direito de não gostar de quem açoitou metade dos meus DNA's. Aliás, vai ter briga de DNA dentro de mim: os da minha mãe não vão mais querer conviver com os do meu pai. E ainda vão querer direito a cotas!