domingo, 4 de março de 2007

Reabilitação x Recuperação de presos

O problema não são as questões sociais.
O problema é que falta liberalismo e sobra ideologia esquerdista.

Do Jornal Nacional, edição de 03/03/07

Depois da década de 80, uma série de crimes fez os Estados Unidos mudarem as leis. Em vez de buscar apenas a reabilitação dos presos, o país também passou a punir os infratores com mais rigor.
Os Estados Unidos têm a maior população carcerária do mundo: mais de 2 milhões de presos. A média per capita também é a mais alta, um preso para cada 140 adultos. As penas de prisão para criminosos violentos são longas, sem possibilidade de liberdade condicional. Até os anos 80, prevalecia aqui nos Estados Unidos a filosofia de reabilitação dos presos. Mas uma onda de crimes nas grandes cidades levou a população a eleger políticos que pregavam a punição dos criminosos. Novas leis foram aprovadas, impondo penas rigorosas. E a criminalidade caiu. Hoje as cidades americanas, como Nova York, estão entre as mais seguras do mundo. O economista Gary Becker, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 1992, demonstrou que a certeza da punição cria um forte incentivo para que crimes não sejam cometidos. Por influência dele e de outros pensadores, os Estados Unidos passaram a construir mais presídios e nos últimos 20 anos a população carcerária se tornou cinco vezes maior.
O país gasta por ano o equivalente a R$ 120 bilhões para manter uma população carcerária crescente. O sistema penitenciário oferece programas de reabilitação e reintegração à sociedade. A cada ano, cerca de meio milhão de presos cumprem suas penas e são soltos.
Segundo o jurista James Jacobs, o Brasil precisa reforçar a polícia, os tribunais e o sistema penitenciário para que os criminosos tenham certeza de que serão punidos. Segundo ele é essencial a construção de mais presídios. Uma solução bem sucedida nos Estados Unidos é a privatização de parte do sistema penitenciário.

http://jornalnacional.globo.com/Jornalismo/JN/0,,AA1476500-3586-646836,00.html


Agora eu pergunto: comparando-se os dois sistemas carcerários, o do Brasil (em que prevalece a filosofia da reabilitação dos encarcerados) e dos Estados Unidos (em que prevalece a filosofia da punição rigorosa), qual é o que, na prática, reabilita mais presos?

Agora eu pergunto: entre ser um preso no Brasil (onde as leis não são cumpridas nem mesmo dentro da prisão) e um preso nos Estados Unidos (com muita disciplina, possibilidade de trabalhar e garantia de segurança física), qual você preferiria ser?

Agora eu pergunto mais ainda: entre ser um preso nos Estados Unidos e ser um cidadão de bem em liberdade no Brasil, o que você preferirira?

2 comentários:

Fred Martins disse...

Olha, apesar de concordar com você que falta punição aqui no Brasil eu tenho que discordar de algumas conclusões suas. Não sei quem são os tais ''Especialistas'' que ás vezes você se refere no blog, mas como cientista social eu me sinto no direito de colocar algumas coisas:
Primeiro: A causa da violência no Brasil provém de duas fontes principais: A falta de uma rede social eficiente, que garanta a população direitos básicos como educação, saúde, assistência social e oportunidades de emprego, e a já citada por você impunidade absurda que reina por aqui. Porém devemos tecer alguns cometários. Transformar o bandido em vítima social é uma generalização perigosa, mas culpar o individualismo apenas pelos atos criminosos o é igualmente. é uma análise superficial. Em um mundo onde não existe saídas, não existe oportunidades para crescer e entrar no jogo da méritocracia capitalista a única alternativa é o banditismo; o chamado "capitalismo de pilhagem". Ninguém quer ver o filho morrer de fome, não ter dinheiro pra comer no Mac´Donald´s, comprar um MP3 e etc. Isso é uma coisa, não se justifica achar, por exemplo, que por conta disso é louvável assaltar quem teve mais oportunidades na vida como uma desforra justa. O Estado deve sim punir os bandidos, e exemplarmente diga-se de passagem, mas deve oferecer na outra mão as condições básicas para que um índivíduo entre na competição com as mínimas chances de conseguir alguma coisa. Esta é a social democracia que quero ajudar a construir no Brasil. Um Estado eficiente que tenha serventia REAL para a sociedade, e não esta algazarra em que nos encontramos.
Na citada matéria do sistema carcerário nos EUA, você se refere a política de tolerância zero. Segundo pesquisas de Loic Wacquant, o aumento de prisões, dos encarceramentos, não tem relação alguma com os índices de criminalidade, ou seja, não é por que se prendeu mais que se criou um ambiente mais seguro. Isso são dados que evidenciam exatamente o que estou dizendo: Tem que ser feita as duas coisas: Punir exemplarmente sim, mas dar oportunidades do outro lado. Infelizmente o Brasil não tem feito nehuma das duas coisas.

Anônimo disse...

o indice de criminalidade no brasil esta cada vez maior,estamos sempre tentando encontrar o culpado dessas situações tao desagradaveis, porem se paramos de criticar e acusar alguem por tais situções seria bem mais facil analisarmos a desigualde social em que vivemos é gravissima, o capitalismo é o mais responsavel de tamanha exclusão social , as pessoas so se tornam pessoas humanizadas devido seu poder de compra, conforme seu estato social, neste caso deve admitir que os fins justicam os meios onde milhões e milhões sao envestidos em coisas banais as pessaos permanecem em condições miseravéis.
Quais condições a socidade oferece a essas pessoas para serem humanizadas onde a riqueza do brasil esta centralizada nas mãos de poucos e maioria da população Brasileira mal conhecem seus direitos será que tudo isso não traz revolta para quem não tem nem mesmo o que comer?cadê a democracia que é tão divulgada? boa parte de pessoas de classe média alta cometem delitos gravíssimos, mas devido sua posição social permanecem cidadãos de bem pois não passou de problemas psicologicos daí conclui-se que a desigualdade social faz parte da nossa realidade e a falta de punição começa desse fator!
Para que exista realmente democracia é necessario que acha igualdade, liberdade para todos independente de sua classe social cor e raça!