sábado, 17 de março de 2007

Acorda jornalismo!

Do Jornal Nacional desta sexta-feira:

"O presidente da Bolívia, Evo Morales, ameaçou estatizar um jornal que tem criticado o governo. E, como informa o correspondente Ari Peixoto, este perigo para a liberdade de imprensa não é exclusividade boliviana, na América do Sul.
O presidente Evo Morales ficou irritado com duas notícias publicadas no jornal “La Razón”. o jornal afirmou que as nacionalizações em setores essenciais da economia, como o energético, deram prejuízo à Bolívia. Outra reportagem dizia que o país deixou de receber US$ 600 milhões oferecidos por uma organização americana a países que respeitam a democracia e a liberdade de imprensa.
Morales chamou o jornal de mentiroso e ameaçou nacionalizar a publicação, que pertence a um grupo espanhol. As associações de classe e os sindicatos criticaram o presidente e sugeriram que ele abra um processo com base na lei de imprensa.
Com essa ameaça, Evo Morales segue os passos do seu mais importante aliado, Hugo Chávez, que decidiu não renovar a licença da RCTV, a emissora mais popular da Venezuela.
A RCTV é acusada pelo presidente de ter apoiado uma tentativa de golpe em 2002. A diretora de jornalismo diz que a emissora é mais vista justamente pelas classes mais pobres, o que, segundo ela, explica o que chama de perseguição chavista.
Ontem à noite, houve um panelaço em Caracas, organizado pelo comando nacional de resistência em apoio à RCTV, que não é o único meio de comunicação ameaçado pelo governo Chávez.
O jornal “Tal e Qual” foi multado em 40 milhões de bolívares, quase US$ 19 mil, por ter publicado uma carta do humorista Laureano Marquez. Ele pedia que Rosinés, filha de Hugo Chávez, influenciasse o pai a ser mais tolerante com a oposição. Uma juíza de menores considerou que o artigo violou a honra, a reputação e a vida privada de Rosinez, que tem nove anos de idade.
No vizinho Equador, a crise política levou os principais jornais na semana passada a lançar um manifesto em defesa da democracia e do estado de direito.
O motivo foi a cassação de deputados contrários a um referendo sobre mudanças na constituição. Ontem, enquanto o presidente Rafael Correa comemorava dois meses de mandato, partidários dele agrediam os deputados que tentavam voltar ao congresso nacional.
O cientista político Jorge Giacobbe diz que faz parte da cultura do continente Sul-Americano a imposição de idéias dos governos sobre os meios de comunicação. Segundo Jorge Giacobbe, discutir com a imprensa é saudável. Querer calar um jornal ou emissora de TV, por fechamento ou multa, é uma brutalidade."


http://jornalnacional.globo.com/Jornalismo/JN/0,,AA1491416-3586-652739,00.html

Nenhum comentário: