domingo, 31 de janeiro de 2010

Leituras obrigatórias: a fraude Vox Populi

Coturno Noturno merece todos os créditos por ter furado toda a imprensa nacional:

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Essa conversa de herança maldita é pura bobagem"

Claudio Salm é entrevistado por Marcio Aith para a Folha de São Paulo.

"Essa conversa de herança maldita é pura bobagem"
Para economista, Lula é continuidade de FHC, com o que tem de bom e de ruim
O economista Claudio Salm diz que a evolução dos indicadores sociais no Brasil não é conquista de um único partido ou de um único presidente. Segundo ele, o país está melhor por uma sucessão de fatores que não obedece ao calendário ou à lógica eleitoral. Entre eles, a consolidação de uma mesma política social, a queda na taxa de natalidade e o fim de um duro ciclo estrutural de crescimento sem emprego, que durou até 2000.
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economista e professor Claudio Salm dá entrevista em seu apartamento, no Rio de Janeiro (Foto: Luciana Whitaker/Folha Imagem)

Com base em dados do IBGE desde 1996, Salm constata uma progressão contínua na qualidade de vida dos mais pobres. Mas, por meio de outros indicadores, diz que serviços universais, como educação e saúde, pioraram. Aos 67 anos, Salm graduou-se pela Universidade Federal do Rio, fez pós-graduação no Chile e doutorado na Unicamp. Sua tese, Escola e Trabalho, foi publicada pela editora Brasiliense em 1982.

FOLHA – Quais são os indícios de que, entre os governos FHC e Lula, houve continuidade, e não ruptura, nas políticas sociais?

CLAUDIO SALM – Do ponto de vista da política econômica já sabemos que não houve qualquer ruptura, como o próprio Lula havia anunciado que não haveria, em 2002, na famosa Carta aos Brasileiros. Eu diria até que, em alguns aspectos, como o da política monetária, Lula é mais conservador que FHC. Conservador no sentido do excessivo cuidado em relação à banca. Quanto à política social, é só conferir os números. O período Lula é uma continuidade do período FHC, com tudo o que tem de bom e de ruim. Houve uma progressão contínua na qualidade de vida dos 25% de brasileiros mais pobres. Desde 1996, vários indicadores melhoram mais ou menos no mesmo ritmo: acesso às redes de água e esgoto, coleta direta de lixo, iluminação elétrica, posse de telefone, máquina de lavar. Essa conversa de herança maldita é pura bobagem.

FOLHA – Mas, vistos assim, de forma panorâmica, os indicadores sociais sempre melhoram. É possível dizer que FHC também não rompeu com Itamar, que não rompeu com Collor e assim vai.

SALM – Não é bem assim. Há inflexões importantes, fatores demográficos, ciclos, crises, políticas acertadas, políticas equivocadas. Uma reforma que tornasse nossa arrecadação tributária mais justa poderia ser uma inflexão de grande alcance social.

FOLHA – Cite indicadores que pioraram ao longo da história.

SALM – São muitos. A década de 80 foi desastrosa para o mercado de trabalho, trazendo graves consequências para o nível e a qualidade do emprego: informalidade e a interrupção de uma longa trajetória de crescimento do trabalho assalariado com carteira assinada. Outro exemplo é o salário mínimo. Ele ainda está abaixo do que era sob a Presidência JK [1956-61], embora tenha aumentado 50% no governo FHC e outro tanto no governo Lula. Aliás, a recuperação do salário mínimo começou para valer a partir de 1995, quando FHC deu um aumento de cerca de 40% com a inflação já debelada.

FOLHA – Qual foi o papel da demografia no processo de melhoria dos indicadores sociais?

SALM – No Brasil, uma herança bendita foi a queda na fecundidade a partir de meados dos anos 60. A transição demográfica no Brasil foi das mais intensas. Como a queda na natalidade foi muito mais acentuada entre os mais pobres do que entre os mais ricos, o aumento da renda foi maior justamente entre os pobres. Além disso, a crescente proporção de idosos tem sido mais que compensada pelo menor número de filhos. Como mais de 80% dos idosos recebem benefícios previdenciários, eles não são dependentes como as crianças, mas, com o perdão do economicismo rude, um ativo valioso.

FOLHA – Voltando ao Lula, como se pode afirmar que não houve ruptura se o gasto social aumentou em termos absolutos e relativos?

SALM – Eu diria que continuou aumentando. A expansão do gasto público social foi uma medida acertada. Mas a redução recente da desigualdade se deve mais a outros fatores, como a volta do emprego formal, o aumento do salário mínimo e o fim de um ciclo.

FOLHA – Que ciclo é esse?

SALM – A abertura abrupta no início da década de 90 levou a fortes e rápidas transformações estruturais, especialmente na indústria. Surgiu pela primeira vez entre nós, como um grave problema, o desemprego aberto. Foi nessa época que ganhou força a ideia do crescimento sem emprego, justamente por causa da rápida modernização da indústria. As grandes transformações tecnológicas, a matança de pequenas empresas, a racionalização, tudo isso durou até os anos 90. Findo esse processo, as coisas se arrumaram e o crescimento voltou a ser altamente promotor do emprego. É impressionante a correlação entre crescimento e geração de emprego dos anos 2000 para cá. O crescimento recente voltou a gerar empregos para os segmentos pouco qualificados, o que foi mais importante do que o Bolsa Família para explicar a melhora da distribuição de renda.

FOLHA – Não se deve a Lula criação de empregos formais? Afinal, FHC defendia a superação do getulismo.

SALM – Não vejo nada de errado nesse aspecto do getulismo. Errado é querer desregulamentar o mercado de trabalho num país como o nosso, com enorme excedente de mão de obra de baixa qualificação. O governo do PT ensaiou, mas acabou não comprando a ideia da urgência da reforma trabalhista. Deixou isso de lado. O crescimento é a grande variável na geração de emprego e não a flexibilização trabalhista. Quem pensava assim, acertou.

FOLHA – 32 milhões de brasileiros ingressaram no conjunto das classes A, B e C sob Lula. Isso não é ruptura?

SALM – No mesmo período houve diminuição da pobreza e melhoria da distribuição de renda em quase toda a América Latina. É verdade que, no Brasil, foi ainda mais rápido. Isto já vinha do governo FHC, quando o IDH aumentou e a população pobre caiu 10%. O processo aqui foi favorecido pelo maior crescimento. Durante FHC o PIB anual cresceu em média 2,3%; durante Lula, 3,9%. Isso não é ruptura, mas ciclo econômico, como já tivemos tantos. Não podemos esquecer que a estabilidade do Real também reduziu a pobreza e o desemprego.

FOLHA – E o papel do Bolsa Família?

SALM – Programas sociais de transferência de renda são, sim, fundamentais para reduzir a miséria absoluta. Ainda mais quando cumprem com condicionalidades, como a exigência de frequência à escola. Ninguém seria louco de eliminá-los. O Bolsa Família não deixou de ser uma continuidade: juntou o Bolsa Escola e o Bolsa Alimentação, que vinham do governo anterior. O Bolsa Família também pode funcionar, indiretamente, para elevar os rendimentos do trabalho. Quem recebe o benefício tem melhores condições para resistir a uma diária aviltante. Mas não é tudo o que parece quanto à distribuição de renda. Nesse sentido, mais importante foram o crescimento do emprego e a recuperação do salário mínimo. O gasto público social aumentou? Ótimo. Mas, simultaneamente a isso, as políticas sociais universais, como educação e saúde, ficaram para trás.

FOLHA – Em dez anos, o número de alunos em universidades saltou de 2 milhões para 4 milhões. Esse aumento não o sensibiliza?

SALM – Para falar a verdade, pouco. Formou-se no Brasil um ciclo nefasto, que começa na falta de atendimento de creche e de pré-escola e acaba em gigantescas universidades privadas que estão mais para escolões do que para universidades. A coisa funciona assim: como o percentual de crianças com atendimento adequado na educação infantil é mínimo, elas já chegam ao ensino fundamental com deficiências. Aí avançam rapidamente, com o artifício da progressão continuada ou do ciclo básico, mecanismos que escamoteiam a repetência. Quando sai do ensino fundamental, não sabe nem falar, nem articular direito. Não avançamos na implantação do horário integral. Tampouco avançamos na melhoria do ensino médio. No governo FHC os alunos no ensino público federal aumentaram em torno de 50%. Sob Lula, o ritmo caiu pela metade.

FOLHA – É melhor ter ou não ter o que o senhor chama de escolões?

SALM – É melhor tê-los. Mas melhor ainda seria dar qualidade ao ensino fundamental e assegurar a passagem dos egressos ao ensino médio. Se isso ocorresse, a maioria das vagas no mercado de trabalho hoje ocupadas por quem tem diploma universitário poderia ser preenchida por quem tem o nível médio. Estamos transferindo para as universidades, com tremendo gasto de recursos, o ensino que poderia ser oferecido no nível médio.

FOLHA – Quais são os indícios de que a saúde piorou?

SALM – A população nunca reclamou tanto, o que é um indício importante. Não há muitos indicadores de acompanhamento confiáveis, mas alguma coisa existe. A relação entre internações e habitantes, no SUS, vem caindo desde o governo Itamar. Parece uma coisa boa. Só que essa relação aumenta nos hospitais privados. A relação entre exames e consultas não se alterou no sistema público. Já no atendimento privado, aumentou. No Rio, os médicos dizem que as mortes evitáveis nos hospitais vêm aumentando, inclusive nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento, da prefeitura atual), por causa da precariedade das conexões com os hospitais do SUS. Estamos claramente diante de um subfinanciamento do SUS, como diagnostica a médica Lígia Bahia. Só não piorou ainda mais por conta da vinculação dos recursos para a Saúde, com a Emenda 29, iniciativa do Serra. O aumento e a diversificação da oferta dos remédios genéricos estagnou com o Lula, quando a Anvisa foi loteada.

FOLHA – O senhor é filiado a algum partido político? É tucano?

SALM – Nem tucano nem filiado a partido político. Votei no José Serra para presidente em 2002 e colaborei na campanha dele, mas não fiquei triste com a vitória do Lula.

FOLHA – Como o senhor avalia as duas experiências de governo?

SALM – As condições econômicas, especialmente no front externo até a eclosão da crise mundial, foram muito mais favoráveis a Lula que a FHC. O importante para mim é que a onda neoliberal não conseguiu acabar com os avanços social-democratas da Constituição de 88. O principal mérito de ambos, até aqui, é o respeito pela democracia. Na economia, vejo, como os principais problemas dos dois, a facilidade com que permitiram, ou promoveram, a apreciação cambial, os juros mais altos do mundo e o descaso, nos dois períodos, com o investimento público que está num nível baixíssimo, um dos mais baixos do mundo. Nessas áreas a continuidade foi incrível.

domingo, 10 de janeiro de 2010

A importância do vice de Serra

Alguém que analise as pesquisas de intenção de votos para a presidência feitas em 2009 perceberá que Serra manteve em todas índices em torno dos 40%. São votos consolidados. Por isso o governador de São Paulo evita se mexer, falar ou declarar qualquer coisa - inclusive e principalmente confirmar sua candidatura.

Serra pode crescer um pouco mais durante a eleição, a depender da condução da campanha, mas para sair vitorioso ainda são necessários pelo menos 10% de votos. Aqui fica clara a função estratégica do candidato a vice-presidente, que deve agregar este contingente de votos . Por isso entendo que o vice de Serra precisa ser alguém que traga votos NOVOS, ainda não presentes naqueles 40%. Vices do DEM ou do PPS não trariam este quinhão de votos, porque atraem apenas os que já estão nos 40%.

Aécio Neves, fazendo campanha duplicada como vice por todo o Brasil, especialmente em Minas, traria estes votos faltantes. Marina Silva também. Uma improvável coligação com o PMDB teria o mesmo efeito. O igualmente improvável PDT com Cristóvam Buarque de vice também.

Se Aécio não topar ser vice, Marina é o nome ideal.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O partido da mentira

O PT mente escrachadamente. Sobre seus "feitos", sobre a herança do governo anterior, sobre pesquisas, sobre ser perseguido pela imprensa… Serra sobe, Dilma não sobe nem desce, e a petralhada vem buzinar: "Serra despenca! Dilma dispara!". O que eles pensam que a gente é? Idiota?

Da pesquisa anterior o Jornal Nacional noticiou somente a alta popularidade do Lula. Sobre os números bons de Serra para a eleição no ano que vem e a possibilidade do candidato tucano ganhar no primeiro turno, nenhuma palavra. E a petralhada reclama, patrulha, faz campanha contra a imprensa, chama-a de tucana, de vendida, de golpista…

A propaganda do partido que foi ao ar na quinta passada foi um desfile de mentiras, uma atrás da outra. Distorções, retórica vazia, demagogia. Além disso, tentou dividir o Brasil entre ricos e pobres (ou entre brancos e negros etc), o que é uma das coisas mais graves e nocivas que pode haver para o país. Deveria ser crime. E fica ainda mais abjeto porque isso está sendo usado como recurso desesperado para ganhar a eleição. É a demonstração clara de que o PT não está preocupado com o país, mas em se manter no poder. Essa é a prioridade deles. Se destruirem o país para conseguirem o que querem, para eles tanto faz.

Sem falar que era para ser um programa partidário, mas o PT o transformou em PROPAGANDA E BAIXARIA ELEITORAL. E isso não pode! É proibido por lei! É que eles pouco se importam de desrespeitar as leis, não é mesmo?

[De toda forma, não conseguiram disfarçar a artificialidade de Dilma, uma candidata de plástico. Quem se dispuser a ler o Augusto Nunes, verá que ela é mesmo uma fraude:

Por aí se vê exatamente o que será a eleição no ano que vem: DESESPERO PETRALHA.Desfile de mentiras.

Cedo ou tarde a população vai perceber que se essa gente mente coisas tão óbvias, mente também em todas as outras, desde sempre. Por hábito.

Lançamento de Máximas de um País Mínimo


sábado, 12/12/09
11 horas
Teatro Eva Herz
Livraria Cultura
Av. Paulista, 2073
São Paulo - SP

Quem for, ganhará adesivos:

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Não misturem minha moral com a deles

Ontem Reinaldo Azevedo escreveu em seu blog um post cujo título é TEXTOS DE FORMAÇÃO: A NOSSA MORAL E A DELES. A leitura é obrigatória:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/textos-de-formacao-a-nossa-moral-e-a-deles/

Este post ilustra bem com quem estamos lidando. E hoje tive um exemplo disso: clonaram um perfil meu no Orkut. Fizeram um perfil que é uma cópia do meu, com foto e descrição e tudo mais para espalhar alguns links pelas comunidades oposicionistas. Já denunciei e acho que o Orkut já excluiu minha foto do perfil. Deve retirá-lo do ar em breve.

Mas quero deixar uma coisa bem clara: minha moral não é mesmo igual à deles.

domingo, 29 de novembro de 2009

FHC entrevistado por Augusto Nunes

Entrevista completa que Auguto Nunes, da revista Veja, fez com FHC. Para arquivar e spamear:

Parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=K_PhYIs5FLc&feature=player_embedded

Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=H62RJIU-WYI&feature=player_embedded

Parte 3
http://www.youtube.com/watch?v=wOOle6JDwgg&feature=player_embedded

Parte 4
http://www.youtube.com/watch?v=fl1RQ-BEmZw&feature=player_embedded

Parte 5
http://www.youtube.com/watch?v=MJVwZmcWrQw&feature=player_embedded

Parte 6
http://www.youtube.com/watch?v=8-wpoERIkiM&feature=player_embedded

Parte 7
http://www.youtube.com/watch?v=3ygrVpnfIXk&feature=player_embedded

Parte 8
http://www.youtube.com/watch?v=Yte3dizfYmU&feature=player_embedded

Parte 9
http://www.youtube.com/watch?v=WCXI0dZwp6I&feature=player_embedded

Parte 10
http://www.youtube.com/watch?v=GQWb5foJVME&feature=player_embedded

Parte 11
http://www.youtube.com/watch?v=1tPZJ7PSPhY&feature=player_embedded

Parte 12
http://www.youtube.com/watch?v=my0SEOGBXm0&feature=player_embedded

Parte 13
http://www.youtube.com/watch?v=ikVtaE30kqA&feature=player_embedded

Parte 14
http://www.youtube.com/watch?v=W6xg3FW7fxM&feature=player_embedded

Parte 15
http://www.youtube.com/watch?v=LPEay--Zm50&feature=player_embedded