quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Pequeno por fora, grande por dentro

Em formato pocket com capa-dura, chega nesta semana às livrarias Máximas de um país mínimo, Editora Rercord, um apanhado de frases-sínteses de Reinaldo Azevedo.
Quem já é leitor do blog vai aproveitar para mergulhar mais uma vez nas frases, quase aforismos, do blogueiro político mais influente no Brasil.
Quem ainda não é leitor do blog terá um ótimo aperitivo para abrir o apetite pelos textos densos do autor, o que transforma este livro no presente natalino ideal para aquele seu amigo, vizinho, irmão, cunhado etc que até gosta de falar de política, tem boa formação intelectual, mas que ainda não entendeu algumas coisas que você se exaaaaaure de tentar explicar… :D

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Obrigada pela preferência

Mas este blog não precisa de patrulhamento.

Apagão mental

Deu em O Globo
De Miriam Leitão:

Há muitas lições a tirar do apagão. A mais urgente é que energia é um tema que não pode ser entregue à partilha política. O sistema brasileiro foi montado para prevenir um evento como este, ou então, ser capaz de remediar em minutos.

Eram 5h15m de ontem quando chegou à Itaipu a informação do ONS de que podia gerar 100% da energia. O problema durara sete horas e dois minutos.

Vários técnicos e dirigentes de empresas com quem a equipe desta coluna conversou disseram a mesma coisa: o espantoso é demorar tanto para explicar o que houve.

A falta de diagnóstico rápido revela pouca coordenação e descontrole. O que assusta. A explicação oficial — e insuficiente — só chegou às 7h da noite.

Nas crises, fica ainda mais patético ter um ministro tão desligado do tema.

Edison Lobão disse inicialmente que era pane em Itaipu. Não era; foi na linha de transmissão. Disse que em 2001 o sistema não era interligado. Já era, há décadas; depois de 2001 foi reforçado. Disse que o apagão foi causado por problemas meteorológicos. O próprio governo depois negou. No início da noite, Lobão voltou a culpar o mau tempo. Isso é que dá escolher um ministro pela sua interligação com o sistema Sarney.

Ficou claro que há uma lista de tarefas a fazer: o país precisa aperfeiçoar o sistema de isolar o problema para evitar o efeito dominó. O mecanismo existe e deveria ter funcionado, explica Mário Veiga, presidente da PSR. Não funcionou e espalhou o sinistro por 18 estados.

Seja qual for a explicação que perdure, o fato é que no futuro haverá mais eventos climáticos extremos.

Secas como a de 2001 podem ocorrer com mais frequência, seguidas de grandes tempestades. O país depende muito de água nos reservatórios, e tem um sistema interligado. Portanto, está duplamente vulnerável. Precisa de um planejamento energético que leve em conta as mudanças climáticas e que aumente a segurança.

As decisões dos últimos anos tornam o país mais frágil, explica Adriano Pires, porque optou-se por manter o modelo de grandes hidrelétricas, como as do Rio Madeira, que exigirão linhões de transmissão e estarão interligadas ao sistema.

Mário Veiga lembrou que as hidrelétricas do Rio Madeira não terão reservatórios.

Interligar o sistema é um avanço, na opinião de Veiga. O necessário é ter um sistema eficiente que crie o "ilhamento" de eventuais problemas, disse Luiz Pinguelli Rosa. Veiga acha que o evento mostrou duas fragilidades:

— O sistema não conseguiu prevenir o problema e demorou muito a remediar.

Em 2001, houve racionamento. Falta de energia. Agora, houve apagão. São eventos totalmente diferentes.

Um foi crise de abastecimento; o outro, colapso de algumas horas no sistema operacional. Atualmente, há sobra de energia por dois motivos: muita água nos reservatórios por causa das chuvas abundantes; e a crise econômica que reduziu a demanda.

— A demanda estava crescendo a 5% ao ano. Em 2009, ficará estável. A crise anulou um ano de crescimento da demanda — explicou Mário Veiga. Leia mais em O Globo

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Se fosse o contrário

Se o PSDB fosse governo e o PT oposição neste episódio do apagão, estaríamos ouvindo/lendo agora:

Tá vendo? Enquanto o presidente está lá no ar condicionado, as pessoas cuja vida depende de aparelhos estão morrendo!

Militantes petistas

Ótima participação do Danilo Gentili do CQC de segunda-feira:

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Apagão de liderança em Brasília

O assunto da noite, que se arrastou pela madrugada, foi o apagão elétrico nacional, ainda sem causa identificada.

Pesa-me lembrar que o pior apagão no Brasil não é o de energia elétrica. O pior apagão é o apagão ético. O apagão moral. E, nestes momentos é preciso constatar, o apagão de lideranças em Brasília.

Um presidente com um mínimo senso de responsabilidade teria dado entrevista ao vivo pelo menos ao Jornal da Globo. Teria chamado a responsabilidade para si, dando pessoalmente satisfações aos brasileiros, ainda que não tivesse respostas técnicas para dar.

Mas e quem esperaria isso de Lula? Quem esperaria isso do presidente que em 7 anos de governo não desceu do palanque um único dia? Tudo o que Lula sabe fazer é campanha. Não tem tempo para governar. Ademais, faz parte do trabalho do Ministério da Propaganda e Teflonação de Lula afastá-lo de toda e qualquer notícia ruim. Os subalternos é que são obrigados a receber os tomates do público, como se não estivessem nos cargos que ocupam por uma escolha política do presidente.

Escrevo isso porque no início da madrugada, na internet, vi mostras daquilo que deveríamos esperar de uma autoridade política. Antenadíssimo pelo Twitter, o governador (carinhosamente "govs" - by Marcelo Tas) José Serra postou o seguinte:

Sobre o apagão em grande parte do país: esta foi a primeira vez na história que todas as máquinas de Itaipu pararam.

Aqui em São Paulo, acionamos um esquema de emergência de todo o sistema de energia do estado, a partir do grupo Cesp/Henri Borden.

As usinas de Jupiá e Ilha Solteira e as 8 geradoras do Tietê trabalham em conjunto com a Cia. de Transmissão de Energia Elétrica Paulista.

A informação é de que a energia começa a voltar em algumas regiões do estado - ABC e Baixada Santista - e em muitos bairros da Capital.

Tb estou usando o twitter p/ monitorar a situação e manter contato. Segundo a PM, não houve distúrbios graves e o 190 funcionou normalmente.

Viva! RT @andregraziano Viva o Twitter! O @joseserra_ fala com a Jovem Pan agora. Respondeu ao nosso chamado. Jovem Pan AM e FM em cadeia.

Para quem não ouviu ou não é de São Paulo, entrevista à Rádio Jovem Pan: http://migre.me/bfio

Serra sabe que o apagão não é responsabilidade sua (o problema foi nacional, né?). E mesmo assim corre deliberar e dar satisfação às pessoas, porque considera que a população deve ser preservada, não importando se a causa do apagão é da competência de A, B ou C.

Não bastasse o exemplo de espírito público, Serra, dando provas de maleabilidade e modernidade, fez tudo isso através da mais atual das ferramentas da internet. Um jornalista da Jovem PAN enviou um twitt público destinado ao governador pedindo contato para uma entrevista ao vivo. Minutos depois Serra estava no ar, conforme se pode ouvir no link acima.

Agindo assim, o governador de São Paulo torna-se referência nos meios virtuais.

Apenas uma coisa me chateou enquanto eu acompanhava os comentários para o govs. Algumas pessoas, aproveitando-se do comportamento transparente e honesto do governador, escreveram textos incutindo-lhe responsabilidade pelo o apagão, fazendo-lhe cobranças absurdas. Não sei se fazem isso por ignorância política ou má-fé. Se for má-fé, é má-fé partidária. Não tem outra explicação.

Leitura obrigatória

Dilma é inocente

SEG, 09/11/09
POR GMFIUZA |

Ela não tem culpa. Está sendo só ela mesma. Passeia de mãos dadas com o padrinho, reclama da imprensa burguesa, fuxica informações do governo anterior. Isto é Dilma Rousseff.

O problema são os outros. A opinião pública brasileira é comprável com meio slogan. Caetano Veloso, querendo criticá-la, sem querer abençoou a fraude. O mal de Dilma, segundo o compositor, é ser apenas uma gestora, sem experiência política.

Haja paciência. A única verdade incontestável no currículo de Dilma Rousseff – fora as que ela mesma cria – é ser uma militante. Venerável Caetano: política é a única coisa que a ministra-chefe da Casa Civil fez até hoje.

Quem lhe disse que Dilma é gestora? Lula? Os jornais? Procure saber você mesmo. Descubra, se puder, uma única experiência de gestão bem-sucedida da suposta dama de ferro.

A auto-intitulada companheira de armas de José Dirceu fez na vida o que dez entre dez políticos da DisneyLula fazem: buscar o poder, grudar nele, abrir espaços para a companheirada na sombra do Estado brasileiro.

Avalie a gestão mais conhecida de Dilma Rousseff, à frente do Ministério das Minas e Energia (na Casa Civil ela só conspira, faz campanha e brinca de mãe do PAC, portanto não conta). Caetano, você ouviu falar que as concessionárias de energia elétrica estão devendo bilhões de reais ao consumidor, por cobranças excessivas na conta de luz?

Pois bem: isso é uma das obras-primas da famosa gestora Dilma Rousseff.

Copiando o populismo tarifário argentino, a candidata de Lula baixou na marra o preço da energia – como sempre, em nome do povo. É o crime perfeito: o povo fica feliz agora, e se dá mal mais tarde, com a falência das empresas do setor, que acabarão sendo socorridas pelo Tesouro – isto é, por todos nós.

Desta vez, as empresas deram um jeitinho, dentro do fantástico modelo criado pela gestora Dilma, de já ir abatendo o prejuízo no caminho. O contribuinte vai se ferrar lá na frente, e o consumidor já vai se ferrando agora. Um lembrete: ambos são a mesma pessoa – você –, vítima da grande gestora.

Alguém tem notícia de que a cobrança exorbitante e ilegal será devolvida às vítimas? Alguém ouviu alguma garantia nesse sentido da ministra mais poderosa do governo?

Ninguém tem, ninguém ouviu. Por uma razão simples: Dilma Rousseff não é uma autoridade de fato, não está administrando (gerindo!) os problemas do Brasil. Está cuidando do seu projeto eleitoral. Fazendo política – que é o que se dispõe a fazer.

Nada disso aparece na pasmaceira que é o debate político brasileiro. Todos os gatos por aqui têm status de lebre. Maluf inventa o “gestor” Celso Pitta, e a manada só grita depois do cofre arrombado. E lá vamos nós de novo, Caetano.

O verdadeiro analfabeto brasileiro é o eleitor.


http://colunas.epoca.globo.com/guilhermefiuza/2009/11/09/dilma-e-inocente/